Longe de fantasia futurista, vamos dar uma olhada em 5 inovações tecnológicas que estão sendo testadas agora com o potencial de mudar a indústria da moda de forma que nunca vimos antes. Mesmo com a obsessão da humanidade com o futuro, nos acostumamos a sermos extremamente conservadores quando se trata de nossas atitudes em relação as roupas.

Enquanto os estilos, processos, materiais e técnicas têxteis de gerações passadas encontram-se infinitamente recicladas em nome da “herança cultural”, a tecnologia wearable (vestível) é muitas vezes vista com ceticismo pelos empresários do meio de moda.

Mesmo que a moda ainda continue se apegando a tradicional e antiga manufatura de tecidos, há crescentes sinais de que a coisa vai mudar, não só pela ideia de mudança para novas tecnologias, mas na realidade pelo seu enorme potencial para reinventar as roupas e como elas são projetadas, fabricadas e comercializas no mundo todo.

5 inovações tecnológicas prontas para mudar a indústria da moda stylo urbano-1

Sempre haverá aqueles estilistas perdidos no mundo da fantasia que criam vestidos que soltam bolhas ou roupas que acendem luzes para demonstrar seu estado emocional, mas além dessas peças fantasiosas sem utilidade prática há uma nova onda de estilistas inovadores que estão mais preocupados em criar roupas realmente úteis, tecnológicas e esteticamente bonitas.

O crescimento desse nicho de mercado para moda wearable está ficando tão relevante que o site de tendências SXstyle  está dedicado todo um programa semanal para falar sobre isso. Segue abaixo as cinco descobertas científicas que são muito menos coisa de ficção científica do que você imagina …

Roupa de Impressão 3D

Provavelmente, você já ouviu falar da impressão 3D que está sendo muito utilizada por várias empresas nos últimos anos pela sua versatilidade e enorme potencial para mudar toda a forma de fabricação dos mais diversos produtos, simplificando os processos. Essa tecnologia ainda esbarra em alguns obstáculos para ser implementada em grande escala mas em breve isso será coisa do passado. Muita coisa mudou nos últimos 12 meses, à medida que a impressão 3D começou de forma prática a ser utilizada por algumas marcas estabelecidas e respeitáveis.

A empresa de calçados Nike está usando essa tecnologia para ajudá-los a obter o desempenho perfeito para seu calçado super esportivo Nike Vapor HyperAgility Cleat criado para jogadores de futebol americano. O estilista Massimo Nicosia da grife Pringle of Scotland se utilizou da impressão 3D em sua coleção Outono/Inverno 2014 em colaboração com o arquiteto e cientista de materiais Richard Beckett, para criar uma série de telas impressas em 3D usando sinterização seletiva a laser (SLS).

Para produzir tecidos que pudessem se mover como os tradicionais, Beckett escolheu uma impressora 3D específica que poderia criar as minúsculas peças de nylon necessárias para manter o material flexível integrado a roupa. Veja aqui e aqui os detalhes feitos de impressão 3D utilizados nas roupas.

As peças foram então impressas e fixadas á mão na malha por meio de ganchos pequenos no lado de baixo ou costuradas na parte superior da lã. Roupas com impressão 3D já apareceram nas coleções de alta costura da designer Iris van Herpen e um espetacular vestido feito sob medida para Dita Von Teese, mas a marca Pringle of Scotland afirma que esta é a primeira vez que a tecnologia tem sido usada para roupas comerciais, mostrando ao mundo como a fabricação de roupas tradicionais e processos hiper-modernos de fabricação podem se combinar em um produto final notavelmente comercial.

Veja os comentários da editora de moda Sasha Wilkins sobre as roupas. Este é sem dúvida uma indicação para onde o futuro da impressão 3D estão nos levando, saindo da esfera atual dos trabalhos de designers hiper-conceituais para roupas usáveis.

Mas se você acha que é o limite para impressão em 3D, você está muito enganado. Embora ainda na sua infância, a startup de tecnologia vestível Electroloom está aperfeiçoando uma forma de impressão de roupas que produz fibras tão bem que elas podem ser comparáveis as de algodão, permitindo-lhes criar itens com uma aparência quase idêntica à do vestuário convencional.

Em teoria, isso não só permite que os clientes possam especificar as dimensões exatas dos produtos encomendados, fazendo personalizações pessoais e alterações como bem entenderem, mas também reduzir a nossa dependência do algodão comum que utiliza muito pesticida que é prejudicial ao meio ambiente.

A Electroloom vai levar ainda alguns anos para aperfeiçoar de forma comercial a sua impressora de roupas mas o primeiro passo já foi dado. Imagine um catálogo com dezenas de diferentes modelos de roupas com uma gama de cores e estampas sem precedentes, todas podendo ser personalizadas online e escolhidas com o clique de um botão. Esse é o futuro da impressão 3D na indústria da moda e esse dia está muito mais perto do que você imagina.

Roupas interativas por NFC

Para aqueles que não estão familiarizados com a sigla NFC (Comunicação por Campo de Proximidade ou Near Field Communication) que já está mudando a face do varejo, é uma tecnologia que permite a troca de informações sem fio e de forma segura entre dispositivos compatíveis que estejam próximos um do outro. Ou seja, logo que os dispositivos estejam suficientemente próximos, a comunicação é estabelecida automaticamente, sem a necessidade de configurações adicionais. Essa é a tecnologia da Internet das Coisas.

Estes dispositivos podem ser telefones celulares, tablets, crachás, cartões de bilhetes eletrônicos e qualquer outro dispositivo que tenha um chip NFC que permite o pagamento sem fio e seu uso em lojas e exibição de publicidade, permitindo às empresas oferecer promoções direcionadas e oportunidades de marketing para qualquer um que coloque seu smartphone sobre um do pequenos tags.

No futuro, a indústria da publicidade pretende estender isso para notificações não solicitadas, identificando compradores em determinadas ruas ou mesmo dentro de corredores específicos de uma loja espalhando estrategicamente alguns NFC ao redor dos lugares. Lembra do filme Minority Report com o Tom Cruise?

Se o que aparece no filme soa preocupante e invasivo para você, você não está sozinho, e as preocupações têm sido levantadas sobre o impacto da tecnologia sobre a privacidade pessoal. Mas há ainda uma outra maneira do NFC ser útil na vida cotidiana. Imagine andar em uma loja, encontrar algo que você gostou e passar o seu smartphone sobre a tag e logo em seguida será mostrado um lookbook de idéias de como estilizar esse item.

O chip também poderia fornecer mais informações sobre os materiais utilizados na construção da peça, suas instruções de cuidados de longa duração ou os detalhes de qualquer promoção na loja que possa lhe interessar e para melhorar você poderá pagar pelos produtos pelo celular, via transferência bancária e passar no caixa para pegá-los. Tudo isso é possível com a ajuda de NFC.

Mas isso é apenas uma faceta do seu potencial. E se os sapatos que você comprou vierem com uma tag que lhe oferece acesso a todos os modelos mais recentes e suas cores, apenas agitando o celular sobre a tag? Ou uma loja que deixa você saber quando outros artigos feitos um designer que você gosta forem colocados à venda? O potencial de engajamento da marca é enorme.

A melhor parte? A tecnologia NFC é barata e facilmente disponível. Em 2014 estima-se que pouco mais de 400 milhões de smartphones estarão habilitados para NFC globalmente, e esse número está previsto para dobrar até 2016. Espera-se que a indústria de tecnologia possa aplacar a preocupação do público sobre a privacidade de informações pessoais, para que a comunicação entre marca/cliente não seja invasiva.

Modelos e desfiles virtuais

Com os avanços da tecnologia de realidade virtual, computação gráfica e inteligência artificial, em breve será possível fazer desfiles de moda com modelos completamente virtuais idênticas as modelos de verdade. Lembra do filme Simone com o Al Pacino?

As marcas de moda vem desenhando roupas usando software de renderização 3D já há algum tempo, uma vez que lhes permite ajustar e aperfeiçoar os aspectos do corte e os ajustes com um custo mínimo. Cientistas da Manchester Metropolitan University do Reino Unido têm experimentado uma combinação de scanners corporais em 3D inspirados nos equipamentos de captura de movimento ultra-realistas de Hollywood, para fazerem recriações digitais perfeitas do corpo humano.

Com um pouco de programação, esses avatares digitais podem ser “vestidos” com qualquer roupa que os programadores desejarem, resultando em um modelo totalmente gerado por computador com todo o movimento e a aparência de uma pessoa real como o da Marvelous Designer , 3D Fashion Designer e CLO3D. Assim o estilista poderá montar todo o casting virtual de modelos e depois fazer o desfile através de óculos de realidade virtual. Dessa forma muito tempo e dinheiro serão poupados fazendo tudo virtualmente.

E as clientes vão poder assistir o desfile “ao vivo” de qualquer lugar do mundo através de seus óculos de realidade virtual como fizeram a Dior e Top Shop. Com os novos óculos virtuais chegando ao mercado, o mundo virtual do Second Life vai ficar mais imersivo criando muito mais possibilidades de interação entre os usuários, ampliando as possibilidades dos designers ganharem dinheiro basicamente criando roupas para avatares virtuais.

Os vídeos (acima e abaixo) mostram a naturalidade do movimento do corpo e a fluidez dos tecidos que a Marvelous conseguir fazer com seus modelos virtuais e um desfile virtual feito na vitrine de uma loja da marca inglesa Top Shop.

Professores da Universidade da Califórnia do Sul se uniram com a empresa desenvolvedora de games Activision para criar a mais perfeita face humana digital já produzida. O projeto “Digital Ira“, como é conhecido, se destinava a produzir uma representação fotorrealista de uma pessoa que poderia levantar-se e andar podendo ser visto em qualquer ângulo e em qualquer iluminação em tempo real. Para ter uma ideia do quão eles avançaram em seu intento, dê uma olhada no vídeo abaixo.

Essa tecnologia tem o potencial para que as marcas de moda possam produzir desfiles para telespectadores de todo o mundo podendo explorar totalmente as três dimensões. Isso poderia oferecer aos clientes a chance de ver as roupas de todos os ângulos, com uma potencial audiência muito maior do que qualquer desfile feito em passarela convencional.

E se você acha que isso nunca vai acontecer porque desfiles são parte da cultura da moda, lembre-se que Kate Moss já apareceu como um holograma no desfile de Alexander McQueen em 2006. A ideia de que, no futuro, as modelos possam simplesmente licenciar sua imagem para ser representadas digitalmente não é mais obra de ficção.

Tecidos que mudam de cor

De todas as inovações tecnológicas que estão surgindo para revolucionar a moda, essa é a minha preferida. Enquanto o mundo da moda continua com sua obsessão com a “cor mais quente da estação”, um pequeno grupo de pioneiros estão aperfeiçoando os meios para reescrever o espectro completo dos tecidos.

Os avanços modernos em tecnologia fotocromática estão apresentando algumas possibilidades intrigantes pela maneira como nos vestimos e como nossas próprias roupas reagiriam ao nosso ambiente. Cientistas da Universidade de Michigan desenvolveram uma membrana de cristais minúsculos que reagem de forma diferente quando expostos a vários comprimentos de onda da luz.

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Quando a luz brilha sobre uma fina folha de óxido de índio e estanho, uma carga é criada e faz com que os cristais mudem sua formação, afetando a cor do tecido e sua aparência exterior. Os militares dos EUA já manifestaram interesse em utilizar esta tecnologia para desenvolver camuflagem ativa (muito parecida com a de um camaleão), mas os cientistas que trabalham no projeto não deram nenhuma razão pela qual o tecido não pudesse também ser adaptado para o mercado de consumo em massa.

Na Universidade de Concordia, em Montreal, há uma outra abordagem sendo testada como parte de um projeto apelidado de “Karma Chameleon”, os cientistas estão investigando uma maneira de aproveitar a eletricidade a partir do movimento do corpo humano e usá-lo para alimentar um novo tipo de “tecido eletrônico.”

Usando uma corrente muito sutil, o material usaria fios super-finos tecidos em sua composição para mudar sua cor ou iluminar de acordo com as ações do utilizador. Além disso, a esperança é desenvolver um tecido que possa se carregar através do corpo e armazenar energia de forma independente, utilizando-a para mudar completamente na aparência, a critério do usuário.

Finalmente, independente de qualquer universidade está o trabalho dos designers têxteis Judit Eszter Karpati e Esteban de la Torre (conhecidos coletivamente como EJTech) são responsáveis por um projeto conhecido como “Chromosonic“. Fazendo uso de um pequeno controlador Arduino 12v  o tecido muda de cor utilizando fios de NiChrome (liga não magnética de níquel, crômio e ferro), que são capazes de conduzir correntes elétricas conectados a diversos displays têxteis que exibem uma cor de acordo com o sinal recebido.

Os sinais variam com o ambiente, ou seja, a alteração das ondas sonoras, de temperatura e até encostar no material vai alterar a sua tonalidade, afetando as propriedades do corante no tecido para mudar a sua aparência quase instantaneamente. Vai demorar vários anos para que qualquer um desses métodos avancem o suficiente para substituir os tecidos e usos de cores estática convencionais, mas isso vai ser uma realidade no futuro.

Várias universidades e grandes empresas estão pesquisando a nanotecnologia de alto desempenho para integrar minúsculos circuitos eletrônicos e baterias flexíveis aos tecidos fotônicos, fazendo funcionar dispositivos eletrônicos integrados as fibras têxteis. Esse tecido inteligente poderá gerar sua própria energia com o movimento natural do corpo humano (energia cinética) e com a energia solar.

O tecido poderá ser fabricado com componentes eletrônicos como também poderá ser bordado ou estampado com nano-circuitos integrados feitos de materiais condutores e sensores têxteis biodegradáveis que se dissolvem na natureza aos serem descartados. Os cientistas querem primeiramente se utilizar da tradicional tecnologia têxtil para fabricar tecidos inteligentes com nanofios condutores e nano-circuitos flexível enquanto a nova tecnologia da impressão 4D ainda não está desenvolvida.

A impressão 4D é um passo além da impressão 3D pois criar objetos que ‘se montam’ sozinhos e poderá simplificar imensamente a forma como projetamos e fabricamos tudo no mundo. Quando a tecnologia das impressoras 4D estiver bem desenvolvida poderemos imprimir tecidos tanto com fibras naturais como sintéticas com vários tipos de nano-circuitos integrados que poderão fazer suas roupas trocarem de cor, de textura e de estampa instantaneamente com o apertar de um botão no smartphone.

Isso vai ser uma total revolução na indústria da moda como nunca existiu pois é a customização total da roupa com possibilidades infinitas. Veja esses exemplos de roupas conversíveis feitas de tecidos simples mas com uma modelagem inteligente que possibilita a usuária ter vários looks diferentes com a mesma peça de roupa fazendo apenas alguns ajustes manuais.

Como o tecido é comum a usuária terá vários looks diferentes mas todos com a mesma cor, agora se a roupa fosse feita de tecido OLED a usuária teria centenas de possibilidades de looks diferentes com a mesma peça de roupa mudando a cor do tecido para qualquer gama de cor que desejar como também baixar para o tecido via smartphone qualquer tipo de estampa que pode ser estática ou em movimento pois o tecido funciona como o monitor flexível.

Para ter uma visão do que é o tecido OLED, a Lacoste criou um vídeo conceito (acima) da Polo do Futuro que emprega diversas tecnologias wearables no tecido. Abaixo está um vídeo que mostra uma roupa de modelagem inteligente que se transforma em 12 peças diferentes mas todas com a mesma cor. Se o tecido pudesse mudar de cor e estampa automaticamente, quantas milhares de combinações não poderiam ser feitas?

Tecidos de auto-cura e repelentes a água

Você pode pensar que é um material do filme “Exterminador do Futuro”, mas tecidos de auto-cura são uma realidade agora, e eles estão prestes a começar a se multiplicar. Enquanto rasgos e furos em qualquer peça de roupa são um aborrecimento, quando se trata de roupas à prova d’água o problema é bem maior. Por esta razão, os pesquisadores da Universidade Deakin, na Austrália têm trabalhado em uma tela super repelente a água feita com nanopolímeros com propriedades de auto-reparação após sofrer danos e ainda manter os líquidos fora. Isso é um milagre?

Explicado com detalhes na revista científica Applied Materials & Interfaces, o princípio básico por trás da tela é um revestimento especial que, quando danificado, se funde a uma temperatura muito baixa para selar a abertura e normalizar as propriedades à prova d’água. Durante o teste, o pessoal da Deakin descobriu que a tela poderia sofrer até 100 arranhões com uma lâmina de barbear antes que a impermeabilização fosse seriamente comprometida, e resistiu a mais de 200 ciclos de lavagem.

Já existem no mercado vários produtos hidrofóbicos que repelem totalmente líquidos e sujeira como o Always Dry e o Silic mas um material que repele água e  também se auto-cura isso é novidade.

Mas isso não é tudo. Determinado a não ser deixado para trás, os cientistas do MIT estão fazendo experiências com as propriedades de auto-replicação de bactérias E. coli para produzir um tipo de tecido que pode se reorganizar e curar a si mesmo como um ser vivo. As bactérias em si foram modificadas de modo a não apresentarem qualquer risco para a saúde humana, mas a esperança é criar materiais que aproveitem algumas das complexas habilidades possuídas por esses organismos.

Essa meta final está um pouco distante ainda, mas da forma como as coisas estão indo, poderia chegar um dia em que as suas roupas não vão mais se sujar e nem se rasgar, poderão mudar de cor e de estampa quando você quiser, produzir sua própria energia e se conectar com diversos dispositivos eletrônicos. E quando isso acontecer, você com certeza nunca mais vai olhar para o seu guarda-roupa da mesma forma que antes.

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3 Comentários

  1. A princípio todas essas informações surpreendem muito.Mas penso que chegaremos à novos caminhos espantosos.E sempre vem a pergunta … e o homem como humano, sentimentos etc como estarão nesse meio de tantas facilidades?
    Abrs
    Angélica Cintra

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