O modelo de negócio “fast fashion” se baseia em produzir novos estilos de moda rápida e barata que podem ser facilmente descartados. Isto é extremamente rentável para grandes marcas e atraente e acessível para todas as classes sociais de consumidores, mas também é insustentável e dispendioso para as pessoas e para o planeta. O que as maiores redes internacionais de fast fashion como H & M, Zara, Uniqlo, Topshop e Forever 21 estão fazendo para mudar sua reputação de promover um sistema de consumo e produção insustentável?

A indústria do fast fashion pode ser ética Stylo Urbano-1

Não há dúvidas de que as redes de fast fashion tornaram a moda mais democrática devido ao seu sistema altamente eficiente de produção feita em larga escala em países asiáticos que possibilitou a todas classes sociais, principalmente as classes C e D, pudessem comprar roupas bonitas, baratas e “na moda” por baixo preço e com enorme variedade. Esse é um feito impressionante mas infelizmente causou também graves efeitos colaterais que descreverei a seguir.

O problema

O fast fashion tem sido comparado ao fast food por ser fácil, barato e cheio de aditivos mas não é necessariamente bom para o meio ambiente. O problema fundamental com o sistema de fast fashion é o seu modelo de negócios de baixa qualidade e alta rotatividade. As roupas e acessórios são projetados para ficar fora de moda rapidamente ou simplesmente se desgastar, para assim serem substituídos constantemente.

Há grandes problemas associados ao fast fashion pela enorme pressão de produzir de forma barata e rápida em fábricas terceirizadas em países asiáticos. O site americano Newsweek fez uma matéria completa sobre o fast fashion que você pode acessar aqui.

Locais de trabalho inseguros

Em abril de 2013, 1.123 trabalhadores morreram e centenas de outros ficaram feridos em Bangladesh quando a fábrica Rana Plaza desabou. Essa tragédia expôs ao mundo, principalmente através das redes sociais, onde, como e por quem as roupas baratas das grandes redes de fast fashion são fabricadas.

O desastre do Rana Plaza foi um “divisor de águas” na indústria da moda pois serviu para impulsionar internacionalmente eventos, organizações e marcas de moda ética e sustentável. Foi a partir desse evento que surgiu o movimento “Fashion Revolution”. Veja mais aqui.

Violação dos direitos humanos

Há vários relatos de trabalho forçado e infantil sendo usado em campos de algodão na China, Índia, Paquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Burkina Faso, Benin, Cazaquistão e Tajiquistão. Muitas fábricas fornecedoras não pagam os trabalhadores com um salário digno. O relatório Free2Work 2015 constatou que das empresas investigadas, pouquíssimas foram capazes de pagar um salário digno que cobrisse as necessidades básicas. Veja mais aqui e aqui.

Poluição química

Uma série de investigações do Greenpeace encontrou produtos químicos perigosos (incluindo NPEs e corantes causadores de câncer) nas águas residuais provenientes de fabricantes de têxteis na China. Estes produtos químicos continuam a poluir as fontes de água pois são despejadas diretamente nos rios que cortam as cidades sem nenhum tipo de tratamento e acabam envenenando a população. Veja aqui e aqui.

Pegada de carbono e uso da água

A indústria da moda global tem uma grande pegada de carbono, emitindo milhões de toneladas de dióxido de carbono a cada ano. Grandes quantidades de água também são utilizadas nas plantações de algodão convencional e produção de poliéster virgem, além é claro dos processos ineficientes de tingimento de tecidos. São necessários 2.700 litros de água para fazer uma única camiseta de algodão.

Tudo parece tão indiscutivelmente insustentável, o que levanta a questão: poderia as marcas de fast fashion se tornarem realmente amigas do ambiente, mantendo a sua filosofia de produção rápida e barata?

Algumas soluções?

Nos últimos anos tem surgido várias tentativas para resolver estes problemas, entre elas estão:

  • O Bangladesh Accord é um acordo legalmente vinculativo que requer que as marcas garantam condições seguras de trabalho nas fábricas de fornecedores;
  • A Ethical Trading Initiative fornece um código de conduta para que os fornecedores eliminem o trabalho forçado infantil e o trabalho escravo;
  • A campanha Detox do Greenpeace avalia o comprometimento das marcas para remover todos os produtos químicos perigosos dos seus produtos e do processo de fabricação.
  • O Sourcing Network faz com que as empresas se comprometam a não comprar algodão do Uzbequistão, até que o governo corrupto do país pare com a absurda imposição de forçar adultos e crianças a trabalharem durante a colheita de algodão.

Mas quais redes de fast fashion estão adotando estas soluções para tornar seu sistema de produção mais ético e sustentável?

A indústria do fast fashion pode ser ética Stylo Urbano-2

A Uniqlo, H & M e Zara são as maiores redes e fast fashion do mundo e também as que mais estão investindo na tentativa de melhorar o seu impacto sobre as pessoas e o planeta. Mas a TopShop e a Forever 21 tem um longo caminho a percorrer para tornar sua cadeia de produção mais sustentável, ética e transparente.

Quando você for comprar dessas redes de fast fashion, lembre-se que algumas marcas são escolhas melhores do que outras. O post “H&M e Zara – As gigantes do fast fashion que mais investem em sustentabilidade” mostra o que essas duas empresas estão fazendo para melhorar seu sistema de produção. O Moda S/A da Globo News fez um interessante vídeo de como funciona o fast fashion.

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