Pablos Holman, um programador de computador abriu a primeira fábrica de moda automatizada do mundo que vende leggings personalizadas por diversos artistas gráficos. Na loja virtual Bombsheller, os clientes escolhem o tamanho e a estampa da legging, pagam e a recebem em casa. Por enquanto, toda fabricação, exceto a costura é alimentada por software.

A empresa americana conta com uma comunidade de artistas que criam estampas exclusivas usando softwares de modelagem 3D que apresenta uma imagem fotorrealista de como o produto final vai parecer. A Bombsheller tem como logotipo uma bomba como as de desenho animado, para mostrar o impacto que a empresa pretende ter na indústria da moda.

Como o processo de criação funciona?

Qualquer artista gráfico amador ou profissional pode enviar suas estampas para o site da Bombsheller que criará um modelo 3D da legging estampada em seu catálogo digital. O artista pode definir seu próprio preço em cima do valor de US $ 69. O artista mantem os direitos sobre suas estampas e quando as leggings são vendidas no site, US $ 69 vai para a Bombsheller e o restante para o artista.

Após a marcação, as leggings são vendidas por US $ 80 ou US $ 90, e a empresa paga o artista dentro de um mês quando o valor se acumula acima de US $ 20. Uma vez que um cliente encomenda a legging do artista, a equipe da Bombsheller imprime digitalmente a estampa sobre o tecido que é cortado a lazer e depois costurado por uma costureira nas medias escolhidas. A legging é enviada para qualquer lugar do mundo no dia seguinte.

A loja virtual Bombsheller produz leggings com estampas exclusivas criadas por artistas gráficos stylo urbano-1

O que torna a Bombsheller única na indústria da moda é o sistema de “fabricação sob demanda” onde nenhum centavo é gasto até que um par de leggings são vendidos. Isso significa que não há resíduos, nenhum estoque de roupas prontas e a empresa não precisa adivinhar a demanda do mercado. Nunca haverá a necessidade de fazer liquidação das roupas que não venderam no final da temporada. A Bombsheller opera como uma empresa de software e pode fabricar e enviar suas leggings exclusivas para apenas uma pessoa, e de acordo com Pablos Holman, esse é um negócio com enorme potencial.

O empresário escolheu a Grã-Bretanha para sediar sua segunda fábrica informatizada de leggings personalizáveis. Ele acredita que sua tecnologia não só permitirá que os consumidores possam criar suas próprias roupas, mas também fará com que a fabricação barata de vestuário feita na Ásia possa retornar para a Europa e América do Norte. As costureiras da empresa recebem 100 vezes mais do que costureiras em Bangladesh.

Isso já é impressionante para fabricantes maiores, mas a Bombsheller está fazendo a mesma coisa, em menor escala e em apenas algumas horas. Segundo o empresário: “Colocamos tudo no mesmo edifício. Nossa equipe de internet, equipe de marketing, os fotógrafos e a equipe de produção estão todos no mesmo lugar. Então, se é preciso mudar alguma coisa nós podemos alterá-lo em vinte minutos”.

A maneira como a Bombsheller fabrica seus produtos também é semelhante à maneira como as empresas de software criam serviços.

“Se você trabalha com o Snapchat, provavelmente estará enviando uma nova versão do seu serviço todos os dias para ver o que os clientes gostam. Nós podemos fazer a mesma coisa com as nossas roupas. Podemos enviar uma nova versão a cada dia e só vender o que o cliente quer, evitando o desperdício e o caro estoque de roupas prontas”.

Pablos Holman complementou: “O ciclo da moda é muito longo e restringe a criatividade pois leva meses do conceito até a produção da roupa além disso, os custos de produção exigem grandes tiragens da mesma peça produzida em tamanhos pequeno, médio e grande gerando com isso um estoque de roupas que tem que ser vendidas rapidamente.”

“A moda tem muito a ganhar acolhendo a automatização de produção pois assim podemos mudar a economia de escala para que seja tão rentável produzir apenas 1 peça ou 1.000. Podemos reduzir os danos ambientais causados pelo enorme desperdício de água e matérias primas na fabricação de moda além do transporte de produtos em todo planeta.”

A loja virtual Bombsheller produz leggings com estampas exclusivas criadas por artistas gráficos stylo urbano-2

Os consumidores das gerações Y e Z estão à procura de marcas que oferecem um serviço e ponto de venda únicos para ajudá-los a se destacarem e a tecnologia digital está democratizando o processo de personalização, que até agora era um luxo reservado apenas para consumidores ricos. Este sistema de “fabricação sob demanda” só agora se tornou mais acessível através de novas tecnologias que estão transformando a fabricação de moda. Por exemplo, a antiga indústria do vestuário nunca teve a ajuda da internet, uma tecnologia que tem apenas algumas décadas de existência.

Agora os fabricantes de moda tem uma maneira eficiente de falar diretamente com seus clientes. A Bombsheller automatizou o processo de estamparia e corte das roupas com máquinas do tipo Kornit Allegro & Cut mas o próximo passo será automatizar também a costura das peças eliminando a necessidade de mão de obra humana no processo de fabricação. Pablos Holman se inspirou na mini fábrica criada pela americana AM4U. Além das leggings, a Bombsheller espera lançar um linha de regatas, camisetas, shorts femininos e masculinos personalizáveis.

A Sewbo, uma nova startup americana, recentemente demonstrou a primeira peça roboticamente costurada através de um robô que aprendeu a usar uma máquina de costura. De acordo com o comunicado de imprensa da Sewbo, “a automação não foi capaz de transformar a fabricação de vestuário, devido à incapacidade dos robôs em manusear tecidos flexíveis e flácidos.”

A Sewbo enrijece o tecido com uma goma especial, tornando mais fácil para os robôs manusearem e costurarem as roupas, que depois de costuradas serão submergidas em água quente para tirar a goma. Essas tecnologias são uma amostra do que é a Quarta Revolução Industrial da moda.

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