A indústria da moda sabe o que os consumidores querem usar, muitas vezes antes que eles saibam. Recentemente, alguma marcas previram que em breve estaremos usando nossas roupas, não só para ter uma boa aparência, mas para nos comunicar e aprender com os nossos comportamentos. A integração da tecnologia vestível em uma onda de novos projetos oferece aos consumidores a oportunidade de interagir com a moda como nunca houve antes.

As novas tendências são o resultado de mudanças culturais cíclicas de atitudes e mudanças de estilo de vida. A indústria continua a inovar e a influenciar os desejos e hábitos de compra dos consumidores, mas agora, os mundos da tecnologia e design de moda começaram a se fundir. Tecidos inteligentes e tecnologia vestível estão se tornando amplamente aceitos e reconhecidos pela indústria da moda.

A tecnologia vestível são computadores incorporados em peças de roupa e acessórios de forma que sejam vestidos, amassados, esticados e lavados confortavelmente , ou seja,  se incorporam perfeitamente as nossas atividades diárias sem causar desconforto ou atrito a pele.

A moda e tecnologia vestível podem trabalhar juntas stylo urbano-1

Algumas marcas de moda tecnológica foram criadas exclusivamente para explorar esses desenvolvimentos e criar projetos cada vez mais inovadores. Como resultado, há um crescente interesse dos consumidores na utilização de tecidos inteligentes na moda, dando aos estilistas novos métodos com os quais trabalhar sua coleção e se destacar dos concorrentes.

Será que este novo mercado de moda tecnológica vai ser liderado pelos gigantes da tecnologia ou por casas de moda? Será que em breve estaremos vestidno aparelhos em vez de carregá-los por aí numa bolsa ou num bolso da calça?

Após a chegada no mercado dos relógios inteligente da Samsung e da Apple, uma série de outros dispositivos portáteis semelhantes de outras marcas foram lançados, e a tecnologia vestível tem se tornado uma parte do nosso vestuário. Os eletrônicos de consumo tornaram-se acessórios de moda e a tecnologia fornecida é capaz de torná-los cada vez mais integrados no vestuário, e esta tendência vai continuar pois o futuro deles é se integrarem totalmente as roupas.

Esses avanços vão incentivar a indústria da moda a colocar seu talento criativo em novas aplicações para a tecnologia vestível, e como a tecnologia se torna cada vez mais miniaturizada e conformável, o mercado consumidor vai abrir para os eletrônicos de consumo.

O casamento entre moda e tecnologia foi mostrado na cultura popular com o vestido de LED da Fergie na turnê do Black Eyed Peas, o vestido Twitter usado por Nicole Scherzinger, que recebia e mostrava os tweets dos fãs da cantora em tempo real.

O vestido de Nicole foi criado pela CuteCircuit, uma das marcas pioneiras da tecnologia vestível e foi encomendado pela operadora de telefonia móvel EE, demonstrando o potencial de uma fusão bem sucedida entre moda, tecnologia e celebridade.

No entanto, existem problemas em relação a plena integração da tecnologia vestível em roupas. Fundamentalmente, moda e tecnologia precisam evitar sacrificar as próprias coisas que prometem: a moda não deve abrir mão da estética para ser tecnológica e a tecnologia não deve perder sua principal característica que é a funcionalidade apenas para ser vestível.

A tecnologia vestível ainda tem que superar alguns desafios importantes de praticidade na moda casual pois as aplicações e necessidades nessa área de moda são diferentes dos da moda esportiva e fitness.

A tecnologia vestível na moda casual terá mais sucesso de ser adotada pelos consumidores quando ela estiver totalmente miniaturizada e integrada na estrutura do tecido de forma discreta criando novos tecidos multifuncionais que mudem de cor, de estampa, de textura, se aqueçam no inverno e esfriem no verão, possam ser lavados facilmente  e poderem produzir sua própria energia com o calor ou movimento do corpo do usuário ou captando energia solar.

Atualmente a tecnologia vestível tem tido mais sucesso comercial pela adoção dos consumidores da moda esportiva e fitness. A tecnologia tem sido usada para rastrear dados biométricos, como os níveis de freqüência cardíaca, nível dos exercícios físicos, velocidade e oxigênio. Este monitoramento dos dados foi projetado para fornecer aos consumidores as informações de que necessitam para a sua saúde e bem estar físico.

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Outra grande área de aplicação e desenvolvimento para essa tecnologia é no setor médico com peças de vestuário que pode acompanhar os sinais vitais e produzir alarmes em situações de emergência, são apenas o começo do potencial presente neste mercado. Mas em ambos os setores, a tecnologia é indiscutivelmente menos importante do que a beleza do produto pois na indústria da moda, o produto tem que ser agradável esteticamente aos olhos para que os consumidores possam começar a considerar em usá-lo.

Mas a tecnologia vestível é algo novo? Não, os livros, revistas, desenhos animados e filmes de ficção científica já vendem a ideia de roupas multifuncionais inteligentes há muitas décadas, só que agora, com o advento da miniaturização de circuitos eletrônicos e novas descobertas de materiais, é que a moda tecnológica está começando a sair do mundo da ficção para a realidade.

O Pathetone Weekly, um cinemagazine britânico de 1930, convidou alguns estilistas americanos para criarem as roupas do futuro do século XXI.  No episódio, “Eve from AD 2,000″ ( o vídeo logo abaixo) , o programa foi ao ar de 1930 a 1941, e podemos visualizar roupas multifuncionais, o que não seriam muito distante do que presenciamos hoje.

Engraçado notar as utilidades de algumas peças: Como o vestido que possui uma malha transparente para atrair homens ( sutiã “à la Madonna” com redemoinhos),  outro vestido com um “farol“ elétrico onde a usuária poderia ver “homens honestos”,  vestidos adaptados para manhã, tarde e noite, um cinturão elétrico como controlador de temperatura, roupas com manchas removíveis ou com materiais diferenciados ( cobre e vidro) e para os homens um casaco personalizado onde seriam acoplados telefone, rádio e recipiente de moedas.

É importante ressaltar que a inspiração desses estilistas se baseia nos  filmes de ficção cientifica e na vestimenta dos anos 20 e 30.

Quando olhamos para o passado, é bastante fácil se divertir com as previsões bizarras que as pessoas tinham do nosso tempo atual. No entanto, no meio de todas as previsões com trajes espaciais metálicos e carros voadores, havia alguma verdade nisso. Muitas das idéias de tecnologias que existem nesses filmes e revistas de ficção científica, existem hoje, no entanto só tomaram formas diferentes.

É interessante olhar para estas previsões e pensar sobre o quão perto (ou quão longe) da verdade eles estavam, e quão longe as nossas previsões atuais podem estar do que pensamos que vai acontecer no futuro. De qualquer forma, tudo não passa de exercícios de criatividade que depois de propagados pelas gerações futuras podem ganhar uma nova roupagem e vir a se tornar algo comum.

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