Quando crianças, nossos pais nos alertam para não falarmos com estranhos, mas quando adultos, podemos compartilhar quase tudo com estranhos: carros, casas, bicicletas, filmes, música, roupas e muito mais. Chama-se economia compartilhada ou economia colaborativa e esta mudança aparentemente altruísta está se mostrando um grande negócio. O relatório de 2015 da Price Waterhouse Coopers disse que as empresas que aderem ao modelo de negócios da economia colaborativa que dá acesso a todo tipo de bens, tem o potencial de aumentar as receitas globais dos US $ 15 bilhões atuais para cerca de US $ 335 bilhões até 2025.

E quais consumidores da era da internet que estão impulsionando essa mudança? As gerações Y e Z. Uma empresa que aderiu a economia compartilhada é a Gwynnie Bee, um serviço de assinatura de aluguel de roupas para o dia a dias para mulheres de tamanho plus size. A empresa foi fundada por Christine Hunsicker que ajudou a liderar duas startus de tecnologia que foram compradas pelo Yahoo! e Facebook, e agora pretende revolucionar a indústria de vestuário.

Christine resolveu investir nesse nicho de mercado plus size devido ao fato que  75% da população feminina adulta dos EUA ser de tamanho 44 ou acima e 67% ser de tamanho 48 ou acima. As marcas de varejo tradicionais sistematicamente ignoram ou atendem mal essas mulheres que são a maior parte da população. As grifes famosas de roupas de luxo simplesmente desprezam sua existência. Veja a entrevista de Christine no site da CBNews

Mas outras empresas como Le ToteThe Ms. Collection também estão investindo no negócio de aluguel de roupas e acessórios para mulheres. Estamos vendo uma grande mudança onde o comprar e ter a posse de um produto está sendo substituído pelo pagamento de uma taxa de assinatura mensal para usa por um breve tempo todo tipo de coisas.

A empresa Rent the Runway foi a pioneira em alugar vestidos de festa e acessórios de grifes de luxo para quem não pode comprar e agora está oferecendo um novo serviço de aluguel de roupas do dia a dia chamado Rent the Runway Unlimited que oferece blusas, saias, vestidos, blazers, calças, malas, joias, bolsas e muito mais em rotação constante.

Os membros podem selecionar peças de mais de 350 estilistas top de linha por US $ 139 por mês, podendo alugar três vestidos de grife, blusas, saias ou acessórios de cada vez e mantê-los durante o tempo que quiserem. Se a ideia do fast fashion é possibilitar comprar roupas baratas para se ter uma variedade de opções no guarda roupa, a mesma coisa se aplica com o aluguel de roupas onde a cliente pode trocar de visual constantemente sem precisar comprar nada.

Mas o diferencial é que as roupas que estão sendo alugadas não são de redes de fast fashion por causa da qualidade inferior do tecido e costura, o que impossibilita ficar alugando as peças várias vezes. Essas empresa alugam as roupas por um determinado número de vezes e depois as revende por um preço bem camarada para assim, poder adquirir novas coleções e manter as ofertas atualizadas.

A economia compartilhada foi adotada primeiramente pela geração Y devido a enorme influência das novas tecnologias digitais que estão impulsionando as mudanças culturais. Definitivamente a moda compartilhada é um perigo para as redes de fast fashion pois substitui o hiper consumismo pelo aluguel de roupas. Fundada em 2011, a Gwynnie Bee oferece as clientes mais de 4.000 estilos e existem vários planos de assinatura disponíveis.

O plano de assinatura mais popular permite que os membros aluguem três itens de uma vez por US $ 79 ao mês. Semelhante ao plano de DVD da Netflix, os membros podem manter os itens durante o tempo que quiserem, depois é só enviá-los de volta para obter outros itens de seu interesse. Até agora, a Gwynnie Bee entregou mais de 3 milhões de caixas de roupas nos EUA.

Um dos benefícios recebido pela Gwynnie Bee foi a comunidade online que se formou entre seus membros. Usando o site da empresa, página no Instagram, e até mesmo criando suas próprias páginas de fãs no Facebook, os membros compartilham fotos, dicas de estilo, revisões e muito mais. Isso faz a empresa crescer cada vez mais.

A nova fronteira da moda compartilhada: Aluguel de roupas para o dia a dia stylo urbano

A crença renovada na importância da comunidade é um dos motores da economia compartilhada, ou o consumo colaborativo, segundo Rachel Botsman, co-autora do livro, O que é meu é seu: A Era do Consumo Colaborativo“, discutido por ela numa palestra no TED que está abaixo. Outros motivos são o aumento das interações das redes sociais e tecnologias em tempo real que fundamentalmente mudaram a forma como nos comportamos, as preocupações ambientais sobre a poluição da indústria da moda e a recessão global que alterou o comportamentos de consumo.

“Estas quatro motivos estão fundindo e criando a grande mudança que está nos impulsionando para longe do hiper-consumismo do século XX, em direção ao século XXI que é regido pelo consumo colaborativo”, disse Rachel Botsman em sua palestra no TED.

Embora a economia compartilhada ganhou força com a Geração Y, o seu alcance vai muito além da geração de jovens de 20 e 34 anos. Tanto a Airbnb e o Uber são exemplos de sucesso de empresas de economia compartilhada que não foram construídas apenas dependendo da Gerão Y. Para saber mais sobre a economia colaborativa veja esse curso no Descola.

DEIXE UMA RESPOSTA