O tecido de algodão que tantas pessoas adoram por ser “macio e natural” pode ter toxinas que estão sendo absorvidos pela sua pele todos os dias. Na superfície, o algodão simplesmente não parece ser muito ameaçador, pois sempre o associamos com nuvens brancas no céu, algodão doce e personagens fofos de contos de fadas. A indústria diz que é um tecido de renovável e biodegradável, mas o algodão não é tão unidimensional assim, e debaixo da produção do algodão convencional , encontra-se um lado obscuro.

Por exemplo, enquanto o tecido feito de algodão convencional pode parecer suave em contato com sua pele, ele não está fazendo nenhum favor para o seu corpo e pode ter um impacto prejudicial sobre a sua saúde.

Não existe beleza na roupa mais fina se gera morte e tristeza

disse uma vez Mahatma Gandhi.

“As pessoas não costumam pensar sobre o que colocam em contato com seu corpo, certo? Isso tem um impacto direto sobre sua saúde e bem-estar”, diz Marci Zaroff, uma pioneira eco-fashion que foi destaque no documentário de moda The True Cost (O Verdadeiro Custo).

O que eles não entendem é que a sua pele é realmente o maior órgão do seu corpo e seu principal órgão de absorção. As pessoas dormem em lençóis, eles usam toalhas e roupões quando saem do banho, e usam roupas durante todo o dia, e a maioria das pessoas, em pelo menos uma parte de suas vidas, estão usando produtos feito de algodão ou misturado com algodão”.

Marci Zaroff explica que enormes quantidades de produtos químicos são utilizados para o crescimento do algodão convencional e que 90% da oferta mundial é geneticamente modificada. No processo de descaroçamento e da lixívia outros produtos químicos são adicionados (muitas vezes incluindo formaldeído, acetona e metais pesados), e o resultado é um tecido carregado com toxinas.

Acorda Alice, o tecido de algodão não é tão inocente quanto você pensa stylo urbano-2

“Durante todo tempo você encosta a sua pele em peças feitas de algodão ou vai dormir encostando sua boca e seu corpo num tecido que utilizou muitos químicos durante sua fabricação”, disse ela. “E então você se pergunta por que um terço da população está com problemas de asma e alergias. Não é só o que nós estamos pondo em nossos corpos, também é o ar que está respirando e a água que está bebendo.

Isso não quer dizer que todo o algodão é ruim. O algodão tem grandes benefícios quando cultivado organicamente. No entanto, de acordo com o Textile Exchange Farm & Fiber Report de 2011, cerca de 151.079 toneladas de algodão foram cultivados em 802.047 acres entre 2010-2011. Isso significa que o algodão orgânico é igual a 0,7% da produção mundial de algodão. As boas notícias?

A demanda por fibra de algodão orgânico está crescendo.  Mas mesmo que a colheita desse algodão orgânico está aumentando, quem o está colhendo? A mão de obra utilizada também está de acordo com as normas sustentáveis sem a utilização de trabalho escravo e trabalho infantil?

O algodão é um material muito desejado e está presente em quase 40% do nosso vestuário. Os consumidores são atraídos porque está associado com a ideia de ser um produto natural. Uma porção do algodão consumido na França vem das plantações africanas. No entanto, seu cultivo esconde segredos indizíveis. Mali, Costa do Marfim e Burkina Faso são os três países com maior produção de algodão.

O que quase ninguém sabe é que existe uma exploração do comércio escravo no plantio do algodão, uma realidade vivida diariamente por muitas crianças na África Ocidental. Na África, cerca de 16 milhões de agricultores dependem da agricultura do algodão. Em Mali todos os anos mais de 260.000 toneladas de algodão são produzidas. Nesta região existem principalmente pequenas explorações familiares, onde crianças trabalhadoras ganham cerca de 7 euros por ano em dinheiro, o resto são em espécie.

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Eles recebem arroz ou cevada para sobreviver. O trabalho infantil é uma prática comum, apesar de ser proibida. Alguns produtores seguram as crianças na família, outros vão mais longe. Alguns operadores recrutam centenas de crianças nas escolas. Os alunos colhem algodão, durante 9 horas por dia e a única recompensa pelo trabalho é um doce, uma para cada aluno. O mesmo problema da utilização de mão de obra de crianças no plantio de algodão acontece na índia e Bangladesh.

Os efeitos nocivos do algodão e outras preocupações globais ligados à moda são explorados no documentário “O verdadeiro custo”, como também no vídeo “Vítimas da moda” abaixo:

A indústria do algodão é uma das mais poluentes do mundo. A Índia é o segundo maior produtor mundial, depois da Turquia. O algodão ocupa 5% da terra cultivada, mas é responsável por mais de metade do total de pesticidas usados. A revolução verde, nos anos 60, introduziu novas sementes transgênicas, muito dependentes de fertilizantes e pesticidas(para beneficiar quem?). O uso excessivo de químicos diminuiu os lençóis freáticos, envenenou as nascentes e afetou a fertilidade da terra.

A operação da Monsanto na Índia ilustra a monopolização e manipulação da economia, tradição, tecnologia e desgoverno. O maior produtor mundial de sementes geneticamente modificadas tem vendido seus produtos OGM na Índia na última década, e até a data, cerca de 291 mil agricultores se suicidaram no que é popularmente chamado de “genocídio OGM”(isso não é divulgado pela mídia corporativa). O pior é que muitas mulheres são forçadas a herdar a dívida por medo de perder suas casas e terras. Sem dinheiro, logo as crianças têm de deixar a escola.

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