Em seu romance escrito em 1931 chamado “Admirável Mundo Novo”, Aldous Huxley narra diversas tecnologias assustadoras que seriam comuns na Londres de 2540, sendo a mais sofisticada a fabricação de bebês humanos geneticamente modificados dentro de úteros artificiais, visando mudar profundamente a sociedade através de “castas sociais” onde cada pessoa é projetada de acordo com sua classe social. Mas o que antes era somente ficção científica agora está se tornando realidade.

Um grupo de cientistas japoneses da Universidade de Kyushu teve sucesso em transformar as células da pele do rato em bebês de rato sem o uso de óvulos. A tecnologia supera o método usual de fertilizar o óvulo com o espermatozóide e em vez disso usa um método para cultivar as células com os pares cromossômicos necessários para começar uma vida. Depois que o embrião é gerado ele é implantado no útero da rata que vai gerar o bebê. Os bebês ratos gerados neste processo nasceram e cresceram de forma saudável, e até tiveram seus próprios filhos de forma tradicional.

Esta é a primeira vez que algo assim foi alcançado utilizando somente as células da pele de ratos de laboratório para gerar novos filhotes de rato, e abre uma assustadora oportunidade de se criar no futuro, bebês humanos diretamente das células da pele que depois se desenvolveriam dentro de úteros artificiais como no livro de Aldous Huxley.

A sociedade artificial em Admirável Mundo Novo é dividida em castas de acordo com a necessidade de indivíduos mais aptos ou menos aptos (biologicamente e psicologicamente) para determinadas tarefas. As castas são nomeadas com letras gregas e representadas por cores: Alfa (cinza), Beta (amora), Gama (verde), Delta (cáqui) e Ípsilon (preto). Esse sistema de castas é bastante eficaz no livro, pois os indivíduos, devido seu condicionamento, não almejam pertencer a outra casta senão a sua própria.

Este post contem partes de um interessante texto escrito pelo biólogo molecular Hashem Al-Ghaili, que está desenvolvendo um programa de TV chamado “2070: Edge of Science“ onde mostrará os mais recentes avanços e tecnologias do futuro. Para ler o texto completo veja no Sciencr.

O útero artificial

Não há dúvida de que em poucos anos será possível desenvolver embriões humanos a partir de células da pele. Mas seria possível implantar tais embriões num sistema de suporte artificial que poderia substituir o útero da mãe? Em outras palavras, permitindo que o embrião se desenvolva num ser humano completo, sem a necessidade de uma mãe? Vamos descobrir.

Na década de 1990, pesquisadores do Departamento Médico da Universidade de Tóquio testaram o útero artificial pela primeira vez e funcionou. E recentemente, pesquisadores do Hospital Infantil da Filadélfia (CHOP)  repetiu a mesma experiência com uma versão modificada do design antigo do útero artificial. Colocaram um feto de cordeiro prematuro no interior do útero e o mantiveram no útero durante quatro semanas.

Depois de quatro semanas, o cordeiro começou a crescer o pelo, ganhou peso, e até mesmo abriu os olhos. Eles realizaram com sucesso esta experiência em oito fetos de cordeiro e os resultados foram promissores. Os cientistas pretendem utilizar essa tecnologia para salvar a vida de bebês prematuros.

Uma nova forma artificial de criar seres humanos

Várias pesquisas científicas vem acontecendo há décadas visando criar os primeiros bebês humanos artificiais. E como isso será feito?

Primeiro, você começa por extrair as células da pele a partir de um único ser humano. Idade, sexo e gênero não importa pois o que queremos é a célula da pele. A célula de pele, em seguida, será cultivada em laboratório para obter o número máximo de células. Então nós usamos reprogramação genética para transformar as células da pele em células-tronco embrionárias. Agora, temos duas opções:

Opção 1:  As células estaminais embrionárias serão divididas em dois grupos. Um grupo será convertido em espermatozóides, enquanto o outro grupo será convertida em células somáticas. Os espermatozóides serão usados para fertilizar os óvulos para criar embriões viáveis. Os embriões saudáveis serão separados antes de passar para a próxima etapa. Uma vez que escolhermos os embriões saudáveis, usamos o CRISPR-cas9 para atualizar seu genoma e projetá-los de acordo com a nossa própria vontade.

Podemos remover os genes que são responsáveis por doenças e introduzir genes que são responsáveis por bons traços. Depois de projetar os embriões, serão analizados mais uma vez para garantir que apenas um embrião saudável seja escolhido. O embrião saudável será então implantado diretamente no útero artificial, onde será mantido vivo e ativo até que um ser humano plenamente desenvolvido esteja pronto para renascer.

Opção 2: As células estaminais embrionárias que foram criadas a partir de células da pele serão convertidas diretamente em embriões. Os embriões irão em seguida ser modificados utilizando o CRISPR cas9 e a partir daí, continuar o mesmo procedimento como na opção um.

Admirável Mundo Novo : Criar seres humanos a partir de células da pele agora é possível stylo urbano
No futuro os seres humanos serão cultivados artificialmente em vez de nascerem naturalmente?

Como você pode ver, já foi alcançado cada passo deste procedimento. A pergunta que fica é, quando é que vamos testar isso em seres humanos? É possível que já tenha sido testado em laboratórios secretos na China, Rússia ou EUA, mas não sabemos sobre os resultados ainda. É só uma questão de tempo.

Podemos fazê-lo, mas deveríamos?

Pelo visto, criar seres humanos personalizados acabará por se tornar tão normal quanto os bebês nascidos através de procedimentos de fertilização in vitro. Sim, os cientistas irão enfrentar uma grande resistência no início, assim como a fertilização in vitro (FIV). E onde está a FIV agora? Qualquer um pode fazê-lo, desde que possa pagar. Mas a questão é, será que devemos realmente fazer isso?

Os cientistas continuam perseguindo o aprimoramento artificial da humanidade da mesma forma que os eugenistas tentaram fazer no passado com a desculpa de criar uma “raça pura” eliminando doenças hereditárias, produzir seres humanos mais saudáveis, com novas habilidades e mais inteligentes. Os eugenistas nazistas e comunistas tentaram projetar e construir “super humanos” através da ciência, mas o resultado foi um verdadeiro filme de terror.

O eugenismo caiu em desgraça depois que os horrores promovidos por essa falsa “ciência” se tornaram públicos, mas ressurgiu repaginado e com um novo nome, o transhumanismo. Os socialistas racistas tiveram um grande caso de amor com o eugenismo como pode ver aqui, aqui e aqui. Há cerca de  35 bilhões de células na pele que recobre nosso corpo. O fato de que estas células poderiam ser convertidas em seres humanos é realmente assustador!

O primeiro ser humano artificial provavelmente irá nascer na China comunista, onde a pesquisa com células-tronco embrionárias está crescendo graças a mínimas restrições legislativas. E quais serão as implicações sociais e morais que a manipulação genética terá sobre a raça humana no futuro? Hollywood já produziu alguns filmes interessantes sobre esse assunto sendo o mais famoso deles Gattaca.

 A ficção se tornando realidade

O filme “Gattaca”, de 1997, descreve um futuro onde a maioria das crianças são selecionadas a partir de embriões fertilizados in vitro, e só os perfeitos são implantados no útero. As pessoas que não são geneticamente planejadas (“inválidas”) são discriminadas pela sociedade, recebendo educação e trabalhos inferiores. O filme expôs as preocupações sobre as tecnologias reprodutivas que facilitam a eugenia e as possíveis consequências de tais desenvolvimentos tecnológicos para a sociedade.

Produzir bebês OGM em úteros artificiais como numa fábrica é um processo ainda mais avançado do que a fertilização in vitro do filme. As inovações tecnológicas são extremamente importantes, mas dependendo da forma como as aplicamos, podemos ter resultados bons ou ruins. Criar pessoas artificiais como em “Admirável Mundo Novo” será mesmo uma “evolução” da espécie humana?

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