Nenhuma peça de roupa, não importa o quão linda seja, vale a pena se é feita com trabalho escravo infantil. Essa é a mensagem por trás da campanha publicitária criada pela agência Lew’Lara\TBWA para denunciar a exploração de crianças na indústria da moda. Divulgada pela Fundação Abrinq-Save The Children, uma filial brasileira do grupo internacional de direitos das crianças Save the Children, os anúncios se assemelham as campanhas publicitárias tradicionais de moda. Mas olhando atentamente, através das estampas listradas dos vestidos, túnicas, blusas e camisas, vemos realmente que são barras da prisão que escondem rostos tristes das crianças que as confeccionaram.

No Facebook , a agência de São Paulo diz que a intenção do projeto não é criticar a indústria da moda, mas para “chamar a atenção das pessoas para uma causa tão séria como a exploração infantil. O tráfico de crianças é lucrativo e muitas vezes está associado com a atividade criminosa e corrupção, de acordo com a Save the Children. O grupo estima que 215 milhões de crianças são empregadas no trabalho infantil em qualquer momento, não só nas fábricas, mas também em situações como a servidão doméstica, mendicidade organizada, agricultura, mineração e soldados crianças. Muitas vezes, crianças são vendidas por um membro da família ou um conhecido, ou às vezes são atraídas por falsas promessas de educação e uma “vida melhor” mas na realidade estas crianças acabam sendo traficadas e exploradas e mantidas em condições análogas à escravidão sem comida suficiente, abrigo ou roupas e muitas vezes severamente abusadas e cortadas de todo contato com suas famílias.

A agência convidou alguns dos principais fotógrafos de moda do Brasil, habituados a trabalhar com as principais marcas do mundo e as modelos mais requisitadas das passarelas. Participaram do projeto os fotógrafos Jacques Dequeker, Jairo Goldflus, Henrique Gendre, Daniel Klajmic e Gil Inoue. As modelos internacionais Carol Ribeiro e Thais Custodio, além da blogueira Alissa Salls, foram algumas das fotografadas nas peças. A campanha vai ser veiculada no meio impresso e, em seguida, nas redes sociais, ações de marketing direto para jornalistas e blogueiros do universo fashion e ativações em desfiles de moda.

Uma iniciativa semelhante foi feita pela The Canadian Fair Trade Network com sua campanha “O rótulo não conta a história inteira” que utilizou tags de roupas “honestas” delatando a história oculta sobre as condições desumanas de trabalho nas sweatshops (ambientes de trabalho inadequados e/ou perigosos) de Bangladesh, Camboja ou Serra Leoa. A campanha mostra uma peça de roupa genérica, juntamente com uma tag estendida que relata um dos cenários possíveis da fabricação da roupa. Com o segundo aniversário do desastre na fábrica Rana Plaza em Bangladesh que matou 1.138 trabalhadores de vestuário e feriu centenas, a campanha não poderia ser mais oportuna para denunciar a indústria da exploração humana através do fast fashion. A pesquisadora de tendências Li Edelkoort disse que o fast fashion está obsoleto e o documentário de moda “The True Cost” retrata os custos do fast fashion para a sociedade.

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