A moda tem grande potencial para ultrapassar a indústria eletrônica focada no crescente mercado de wearables com as roupas inteligentes. Algumas empresas de moda estão começando a entender que, utilizando a tecnologia vestível e novas parcerias, elas podem crescer, se orientar e até mesmo dominar o espaço dos wearables com produtos que são movidos tanto pela moda como pela função.

Esse novo caminho para  moda vai exigir muito esforço, alocação adequada de recursos e uma mentalidade aberta, mas a moda tem o potencial para ultrapassar a indústria da tecnologia, que ainda pensa em termos de gadgets, incorporando a tecnologia nas roupas que usamos, começando no nível dos tecidos. Isto significa desenvolver novos circuitos de fibra macia e flexível e a incorporação desse conhecimento no desenvolvimento de novos produtos têxteis. Para transformar isso em realidade, as empresas de moda devem se concentrar no desenvolvimento de novos materiais tecnológicos a serem incorporados nos tecidos de forma eficiente, sustentável e prática sem falar nas cadeias de abastecimento.

As roupas inteligentes são o futuro da indústria eletrônica stylo urbano-1

Atualmente, a maior parte dos investimentos na tecnologia vestível está focada nos relógios, pulseiras inteligentes ou dispositivos semelhantes. Mas as empresas de tecnologia já perceberam que os wearables tem um alcance limitado pois não é todo mundo que gosta de usar acessórios. Já a tecnologia vestível empregada na moda é um território mais fértil e inexplorado. Se você pensar no corpo como um sistema operacional, as roupas se tornam a interface pela qual o corpo se comunica com o ambiente circundante. E as roupas inteligentes podem desbloquear todos os tipos de aplicações potenciais, com sensores de corpo e interação gestual.

Na “Internet das Coisas”, a computação está em toda parte, embutida em todos os tipos de objetos e não apenas nos Gadgets. Pensando nisso, as marcas de moda devem assumir um papel ativo e central dentro desse ecossistema. A vestimenta que uma pessoa está usando pode revelar muito sobre quem ela é, o seu estado de espírito ou o que ela está fazendo. Este dado é muito diferente do que pode ser recolhido por um smartphone e, ao abordar as preocupações sobre a privacidade do usuário, as marcas de moda devem considerar como irão utilizar a tecnologia das redes virtuais inseridas nas roupas inteligentes para uma ampla gama de aplicações e comercialização.

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Se tudo isso soa um pouco como ficção científica, vale a pena lembrar que, apesar das indústrias da moda e da tecnologia terem sistemas de valores e processos de negócios muito diferentes, a moda e a tecnologia na verdade, tem uma história profundamente integrada, que muitas vezes não é reconhecida pelas pessoas. O tear de jacquard desempenhou um papel importante no desenvolvimento do hardware de computador você sabia? Na verdade, os cartões perfurados foram a base para a concepção do motor analítico, um computador mecânico de uso geral projetado pelo matemático Inglês Charles Babbage. Mas, como se tornou um sistema de computação feito de silício, os tecidos permaneceram feitos de forma mecânica.

Em 1801, Joseph Marie Jacquard, um mecânico francês, (1752-1834) conseguiu automatizar totalmente o tear mecânico controlado pela grande fita perfurada. O sistema permitia que os padrões dos tecidos fossem definidos pela maneira como os fios eram levantados ou abaixados. Pode ser considerada a primeira máquina mecânica programável da história, pois os cartões forneciam os comandos necessários para a tecelagem de padrões complicados em tecidos e o conjunto de cartões poderia ser trocado sem alterar a estrutura da máquina têxtil. Veja abaixo como funcionava as antiga máquinas de Jacquard com cartões perfurados.

Por todo o século XVIII, tecelões de seda franceses criaram métodos semelhantes para guiar os seus teares. E de cartões passaram para tambores ou fitas perfuradas. Em 7 anos já havia cerca de 11.000 teares desse tipo operando na França. Jacquard quase foi morto quando levou o tear para Lyons, pois as pessoas retrógradas com o avanço da tecnologia tinham medo que o tear provocasse a perda de seus empregos.

Agora, a moda e a tecnologia estão adentrando o campo da nanotecnologia, o que nos permite manipular a matéria em escala atômica, molecular e supramolecular. Imagine um tecido estruturado a partir de uma mistura de fibras diferentes que cada função como componente de um circuito, por exemplo, fibras de bateria, fibras solares e fibras de antena. O material em si torna-se um “circuito têxtil” auto-sustentável, que tem seu próprio poder e recursos interativos, mas a tecnologia inserida nele é essencialmente invisível.

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Atualmente existe toda uma categoria de desenvolvimento de tecnologia de moda que não tem nada a ver com produtos eletrônicos de consumo, como os relógios inteligentes Apple Watch. Uma das tecnologias vestíveis mais excitantes no mercado é o Nike Flyknit. A própria Nike afirmou que ele é futuro de sua empresa (e de toda a indústria de tênis) mas a mídia tem focado somente em dispositivos conectados, como a Nike Fuelband.

O Flyknit é uma inovação no design e fabricação pois traz estrutura e forma diretamente na trama do sapato, criando um produto com baixa produção de resíduos e mais rápido para produzir. O processo não só produz um produto mais funcional, mas permite ter um inventário mais rigidamente controlado, que por sua vez ajuda a optimizar as vendas e a distribuição.

Mas a implantação desse novo nicho na indústria da moda das roupas inteligentes não será rápida ou barata. E talvez isso se relaciona com o maior desafio no relacionamento entre a moda e a tecnologia: superar um modelo mental que vê o papel da tecnologia dentro da indústria como uma mera comercialização. Em vez disso, o que é necessário nas empresas de moda é um profundo compromisso de utilizar novos recursos e uma vontade de pensar e investir em pesquisas que vão durar muito mais do que uma “tendência de moda”.