A industria da moda precisa urgentemente se reformular, pois os lançamentos das coleções não condizem mais com a realidade atual. A Zara foi a percussora das grandes redes de fast fashion, que acelerou e multiplicou os lançamentos das coleções de moda. Desde o século 17, as coleções eram apresentadas duas vezes ao ano, mas hoje, temos dezenas de lançamentos anuais e isso saturou o mercado. Agora, algumas marcas famosas estão se afastando dos desfiles de moda tradicionais para se aproximar mais dos consumidores finais.

Nos últimos meses, mais e mais estilistas têm demonstrado sua decisão de se afastar dos desfiles tradicionais para satisfazer o apetite dos consumidores por moda, incluindo marcas de luxo como Burberry, Giles Deacon, Tom Ford e Rebecca Minkoff. Na Espanha, o estilista Roberto Verino, anunciou que também deixa a passarela em Madrid para tentar novas estratégias para chegar mais perto do consumidor.

A mudança envolve lançar coleções sem estações, clima neutro, linha masculina e feminina desfilando juntos e vender as novas coleções nas lojas imediatamente após os desfiles, na tentativa de corrigir o sistema obsoleto atual. Isso está sendo feito também para evitar que as grandes redes de fast fashion possam ter tempo para copiar e lançar produtos de qualidade inferior e mais baratos, antes das coleções originais das grifes chegarem as lojas.

A marca inglesa Burberry anunciou que vai reduzir de quatro para dois desfiles anuais em Fevereiro e Setembro, reunindo na mesma passarela coleções para homens e mulheres, e roupas para todas as estações do ano. A novidade é que a grife não vai nomear suas coleções de “primavera/verão” e “outono/inverno” mas apenas Fevereiro e Setembro.

Os produtos também estarão disponíveis para a compra de imediato, tanto na loja como online, e através de uma campanha de mídia completa, a icônica marca inglesa busca promover o envolvimento do consumidor, maximizando o potencial de vendas. Além da Burberry, Tom Ford e a Vetements rapidamente confirmaram mudanças radicais em suas apresentações na temporada com uma abordagem focada na venda após o desfile e inclusão de ambos os gênero no mesmo desfile.

A Vetements anunciou sua decisão de exibir em janeiro e junho, em vez de março e setembro, rasgando o livro de regras dos calendários de moda.

Burberry e outras grifes estão se afastando dos desfiles de moda tradicionais stylo urbano-1

Essas mudanças buscam abordar a enorme desconexão nos calendários atuais com as mídias sociais nos últimos anos pois lançar coleções na passarela e vendê-las logo depois, casa perfeitamente com os interesses de bilhões de pessoas que acompanham tudo pelas mídias sociais e que não querem esperar para consumir algo que viram no Instagram por exemplo. Apresentar as coleções masculina e feminina juntas confirma esta mudança.

Com o crescente alcance global de grifes e varejistas de moda, criou-se a necessidade de lançar coleções neutras que podem ser usadas nos mais diferentes climas, tornando obsoleta a questão em torno da sazonalidade. Além disso, tanto o Conselho de Estilistas de Moda da América (CFDA), que supervisiona a Semana de Moda de Nova York, como o Conselho Britânico de Moda (BFC), responsável pelas passarelas de Londres, começaram a explorar novas opções sobre a viabilidade e a logística de uma semana de moda focada no consumidor final.

No entanto, o impacto dessa mudança será ainda mais abrangente do que isso. A mudança para desfiles que buscam reforçar o envolvimento do consumidor terá impacto sobre a indústria da moda como um todo, e vai tornar mais rápida a forma como a alta moda chega as ruas. Com mais de 350 desfiles agendados só para uma temporada de moda feminina, a mudança provavelmente será feita de forma gradual, mas representa, possivelmente, a maior novidade nas passarelas desde que os desfiles de prêt-à-porter começaram.

Burberry e outras grifes estão se afastando dos desfiles de moda tradicionais stylo urbano-2

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