Henry Ford (1863-1947) foi o Steve Jobs de sua época pois foi ele quem concebeu a primeira linha de montagem em série de carros em 1913 e revolucionou os processos de produção do seu Modelo T. Essa linha de montagem, tornou-se um marco de referência para os métodos de produção em série no mundo todo e é conhecido como “Fordismo”. Ford era um homem tão além do seu tempo que levou 12 anos de pesquisa na crença que em algum dia ele iria “fazer automóveis que cresciam a partir do solo.”

E em 14 de agosto de 1941, ele apresentou o seu carro do futuro feito de bioplástico de plantas, que foi apelidado de “soybean car” ou “carro de soja”. É um tipo de pensamento avançado até para o século XXI pois não temos automóveis “feitos de plantas” circulando pelas ruas hoje. Acontece que Henry Ford amava os agricultores, e queria ajudá-los durante a Grande Depressão. Ele sabia que a popularidade dos carros sempre iriam aumentar por causa da paixão dos americanos, e se pudesse fabricar carros de bioplástico através de produtos agrícolas, ele poderia beneficiar os americanos duplamente:

• Ford queria utilizar o bioplástico na indústria automotiva pois ajudaria a cambaleante indústria agrícola da época (a guerra só foi benéfica para a indústria do aço e petroquímica);

• Ford afirmou que seu bioplástico tornava os carros mais seguros do que os carros de metal normais;

• Ford desejava que seu novo bioplástico service de substituto para os metais usados ​​em carros devido a escassez de metal durante a II Guerra Mundial.

Carro do futuro no passado - Conheça o "carro de soja" criado por Henry Ford stylo urbano-1

Ford estava consciente das limitações do aço como material de construção para automóveis, por isso começou a investigar materiais alternativos, como o bioplástico feito de plantas e não o plástico derivado do petróleo. Igualmente consciente da complexidade de converter minério em aço, Ford buscou uma maneira melhor de fazer carros usando a soja e outras fibras como bloco de construção.

70% do corpo do automóvel era feito de uma série de fibras longas e curtas de celulose como a palha, algodão, cânhamo, linho, rami e pinheiro. Os 30% restantes eram de farelo de soja e bio resina líquida. Para provar a superioridade do seu veículo, Henry Ford bateu um martelo com força sobre a carroceria de bioplástico de seu carro preto que não amassou nem se arranhou.

Carro do futuro no passado - Conheça o "carro de soja" criado por Henry Ford stylo urbano-2

O interesse de Henry Ford em fabricar um carro de bioplástico surgiu quando encontrou um livro que falava sobre a soja, que na sua época era praticamente desconhecida (e financeiramente insignificante) na safra nos Estados Unidos. Fascinado pelo potencial inexplorado da planta, ele ficou obcecado com produtos alimentares à base de soja, servindo alimentos como queijo de soja, pão de soja, manteiga de soja, leite de soja e sorvete de soja para seus convidados da mídia na Feira Mundial de Chicago de 1934.

Foi questão de tempo para Ford focar na construção de um carro que viesse (parcialmente) a partir do solo, sob a forma de culturas renováveis. Foi um pensamento tão avançado para a época como é hoje.

Para Ford, um carro feito de plantas seria o veículo perfeito para tirar o agricultor americano da grande depressão econômica dos anos 20. Mas depois da Segunda Guerra Mundial, o crescimento da indústria petroquímica e o renascimento impulsionado pelas exportações da agricultura americana, acabaram jogando a ideia de um carro biológico na lata de lixo da história.

Décadas mais tarde, no século 21, os sonhos de Henry Ford estão novamente chamando a atenção. Atualmente, cientistas, engenheiros e empresários estão trabalhando de forma independente para encontrar novas maneiras de incorporar produtos derivados de vegetais na composição dos carros. E hoje já existem empresas que desenvolveram carros de plástico feitos de impressão 3D. No futuro teremos carros elétricos, autônomos, personalizáveis e construídos de bioplástico com impressão 3D

A tarefa de projetar um carro tão original foi entregue a Lowell Overly que projetou uma estrutura de aço tubular para apoiar um total de catorze painéis da carroceria, todos feitos de bioplástico. Para economizar peso, placas de acrílico foram usadas nas janelas em vez de vidro, assim o produto final pesava 25% a menos em comparação aos carros convencionais mas com o mesmo tamanho.

Os tecidos e materiais de acabamento do interior também eram feitos de plantas, assim 70% do carro era feito de materiais biodegradáveis. Além disso, Ford queria que o etanol, feito a partir de materiais biológicos renováveis, fosse o combustível do automóvel. Seu carro de bioplástico que se alimentava de biocombustível não agradou nenhum pouco ao poderoso cartel das gigantes petroquímicas que fizeram boicotes contra essas tecnologias verdes.

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A estrutura de aço do carro de soja. Quatorze painéis de carroceria foram montados sobre este quadro.
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Produzindo os painéis de bioplástico do corpo do carro.

Hoje, a montadora Ford continua em suas pesquisas para criar carros mais sustentáveis criando espuma de soja para os assentos dos seus carros. Infelizmente a montadora não tem nenhum carro com design moderno “feito de planta”mas está investindo em materiais sustentáveis que ​​abrange uma ampla gama de aplicações, incluindo plásticos, espumas, borracha e tecidos para o interior dos carros. No início de 2015 a Ford lançou o desafio “Ford Design Challenge” em parceria com a organização de moda sustentável Redress, onde 10 estilistas criaram 5 roupas utilizando somente materiais e tecidos sustentáveis do interior dos carros da empresa.

A Ford fez uma parceria com a Coca Cola para transforam em tecidos de estofamento do Ford Fusion Energy, sua nova linha de garrafa de plástico biodegradável chamada PlantBottle feita 100% de cana de açúcar do Brasil. A inovação pode representar em um futuro próximo o fim da utilização do petróleo como matéria-prima para a produção de polímeros. O objetivo da companhia é produzir e usar exclusivamente PlantBottles até 2020.

Um modelo de demonstração do híbrido da Ford foi apresentado sendo que todo o tecido que cobre as almofadas de assento, encostos de cabeça e as portas e teto foram feitos com a tecnologia PlantBottle da Coca-Cola. É urgente que toda a cadeia industrial comesse a adotar a economia circular no design de seus produtos para evitar tanto desperdício e poluição ambiental. Já passou da hora!

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