O governo chinês está preocupado com a enorme poluição ambiental que assola o país desde que resolveu tornar a China na “fábrica do mundo”. Será que a fabricação de roupas e acessórios baratos em altíssima escala vai continuar seu domínio nocivo sobre a economia e o ambiente do país? Como o governo chinês espera resolver a catástrofe ambiental que assola as grandes cidades e áreas industriais do país?

De acordo com um relatório recente da China Water Risk chamado “Luta de hoje para o futuro da moda“, a indústria têxtil é uma das mais poluentes da China pois consome e contamina a água através do tingimento dos tecidos. Enquanto a China trabalha para conservar seus escassos recursos hídricos, o fast fashion é um dos culpados pelo lento progresso do país asiático para ser sustentável, apesar do fato de que não tem contribuído significativamente para o PIB.

“Nos próximos anos, caberá à China decidir se quer continuar a ser uma fábrica barata para marcas estrangeiras ou alterar drasticamente a cadeia de abastecimento global da moda.”

Dois anos atrás, o premiê Li Keqiang disse que o país estava passando por uma “guerra contra a poluição”, e em 2015 do Ministério da Proteção Ambiental (MEP) lançou um relatório demonstrado que a qualidade ambiental total da China tinha diminuído. Os sete grandes rios do país permanecem tóxicos, e os recursos hídricos estão altamente limitados.

Apesar de uma chamada para limpar todo o país a indústria têxtil ainda contribui continua a despejar toneladas de produtos químicos perigosos nos cursos de água e para piorar, se utiliza quatro vezes mais água para fabricar roupas de algodão do que as culturas como o arroz. Na China a contaminação é imensa não só nas fontes de água mas também na terra e no ar.

As iniciativas ambientais da China podem trazer riscos de curto e a longo prazo para a indústria do fast fashion. A pesquisa da China Water Risk oferece a prova mais clara até agora de que a China tem enormes problemas causados pela indústria têxtil e só vai tolerar novas tecnologias limpas de fabricação não-poluentes no futuro.

Em 2015 o total de multas ambientais totalizaram de 4.25 bilhões de Yuans, alta de 34% ano-a-ano”, afirma o relatório da China Water Risk, que pergunta se ainda há espaço para a produção de fast fashion na China pois sua importância no Produto Interno Bruto do pais diminui a cada ano.

O relatório acrescenta: “Além disso, 1,77 milhões de inspeções foram realizadas em todo o país que resultou em 191.000 empresas investigadas e cerca de 20.000 delas foram fechadas, 34.000 tiveram suas operações interrompidas e 89.000 tiveram que realizar ações de retificação.” 

“A moda é suja e sedenta, e devemos urgentemente solucionar a poluição desenfreada do país. Com o objetivo atual de construção de uma bela China, onde o céu é azul, a terra é verde e a água corre limpa, a China está repensando a melhor forma de alocar seus recursos para otimizar o caminho para equilibrar a economia e o meio ambiente.”

China vê futuro incerto para fabricação de fast fashion no país por causa da poluição da água stylo urbano

Lançado em abril de 2015 na China, o “Water Ten Plan” é uma iniciativa de conscientização das fábricas têxteis do país para se envolverem nos novos padrões de sustentabilidade nacionais. O relatório afirma que as fábricas têxteis têm de cumprir as novas normas industriais ou serão fechadas dentro dos próximos três anos.

“Nossa análise mostra que Pequenas e Médias Empresas (PME) enfrentam o maior risco de desligamento devido às exigências de investimentos de capital (CAPEX) para se atualizar e atender aos padrões de conformidade, além de maiores custos operacionais (OPEX). Mais de 90% das fábricas têxteis são PME,” acrescenta o relatório.

Os principais centros têxteis da China também serão afetados, incluindo as fábricas que ficam nas proximidades Delta do Rio Yangtze (YRD), onde mais de metade das fibras químicas globais são fabricadas para exportação. Considerando-se que quase três quartos de águas residuais têxteis permanece não reciclados, esta pode ser uma solução imediata, mas com certeza vai causar um terremoto para as empresas de moda internacionais que fabricam quase tudo na China.

O governo chinês vai ter que adotar medidas urgentes pois do jeito que as coisas estão o país não terá futuro com seu meio ambiente todo contaminado. Os custos de eletricidade e mão de obra na China estão ficando mais caros e isso se reflete no preço da fabricação de artigos de moda, por isso as marcas internacionais estão procurando outros países com farta mão de obra barata e custos baixos como Bangladesh, Índia, Marrocos, Vietnã, Turquia e agora África para fabricar seus produtos.

Por causa da concorrência desses países, o governo chinês pensa em mudar o foco e tornar o país num grande fabricante e exportador de moda autoral com identidade própria (como os japoneses) em vez de uma fábrica barata para marcas de moda do Ocidente. Embora os chineses sejam os maiores fabricantes de roupas,acessórios e tecidos, o país não produziu até hoje uma grande marca de moda internacional que rivalize com outras empresas tanto de fast fashion como de luxo.

Alguns setores dentro do governo querem aproveitar o talento dos jovens designers e empreendedores chineses que estudaram no exterior para criar uma nova indústria da moda para que o “Made in China” não seja mais visto no exterior como cópias ordinárias e descartáveis mas como produtos com design arrojado e de qualidade.

Para fazer isso primeiro os chineses vão começar a fechar as fábricas poluentes que não conseguirem se adequar aos novos termos de sustentabilidade e abrir novas fábricas que utilizem tecnologias de produção mais eficientes que não poluam o meio ambiente. Outra ideia é a de reciclar quimicamente todos os resíduos têxteis e roupas velhas para criar novos tecidos e evitar que sejam descartados nos aterros.

A China tem condições de mudar sua indústria têxtil mas a dúvida é saber quando e de que forma vão implementar essa mudança que vai abalar a indústria da moda.

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