Alguma vez você já desejou ter a capacidade de mudar a cor da sua pele como uma lula, para se camuflar? Seria um talento útil para cochilar durante aquelas reuniões chatas. As lulas e polvos são uns dos poucos animais na Terra com esta habilidade única, que eles usam para se esconder de predadores no fundo do oceano. Usando seus músculos, eles se expandem para mudar o tom dos pigmentos em sua pele e assim conseguir uma cor ou padrão específico.

Eles também podem texturizar sua pele à vontade, passando de suave a enrugado ou ondulado. É uma tecnologia da natureza tão fantástica que os cientistas estão tentando replicá-la para ser utilizada nos mais diversos usos.

Uma equipe de cientistas da Universidade de Connecticut descobriu uma maneira de replicar este processo de mudança de cor e textura. A tecnologia não vai te ajudar a se camuflar durante a reunião, mas poderia ajudar a criar novas tecnologias, tais como telas anti-reflexo, criptografia embutida, janelas de privacidade e até mesmo roupas que mudança de cor e textura. O vídeo abaixo mostra a impressionante transformação do polvo para se camuflar no fundo do oceano.

A equipe, liderada pelo cientista de materiais Luyi Sun e seu colega Songshan Zeng, bem como o seu colaborador Dianyun Zhang, criou materiais que podem mudar de cor, textura e transparência. Os materiais tiram proveito da propriedade chamada “mecanocromismo” ou alteração de cor devido à aplicação de uma força mecânica.

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A fantástica tecnologia orgânica das lulas e águas-vivas se replicada em tecidos poderá revolucionar a moda

“Nós aprendemos que algumas lulas podem mudar a musculatura da pele para revelar ou esconder alguns dos pigmentos incorporados em sua camada de pele”, disse Luyi Sun. “Nós acreditamos que isso é algo que provavelmente poderíamos imitar.”

A pele da água-viva é geralmente plana e transparente, mas quando se enruga, provoca uma deformação que cria uma aparência opaca. A lula é capaz de mudar de cor por contratação, fazendo com que as células de pigmento se expandam. Seguindo o exemplo destes animais, um material fino, elástico e mole foi desenvolvido.

O material tem duas camadas, feito a partir de uma película rígida, e uma camada macia de elastômero que é flexível. A camada superior tem rachaduras e dobras, mas quando é esticada, a superfície se torna áspera e dispersa a luz que incide em cima dela, mudando a transparência do material. Quando liberado, torna-se transparente novamente.

Em várias experiências, diferentes tipos de corante foram adicionados ao material, fazendo com que ele mude de cor ou fluorescência mesmo quando esticado. Quando as rugas são expostas a umidade, podem ser manipuladas para ser reversível ou irreversível. Os materiais utilizados são de baixo custo e o processo  para fabricar o material é bastante simples.

Os pesquisadores, planejam fazer parcerias com indústrias para que o novo material que muda de cor possa ser utilizado para fazer desde brinquedos até roupas como mostra a “Polo do Futuro” da Lacoste. Essa tecnologia disruptiva aplicada em nossas roupas vai transforar completamente o consumo e fabricação de moda. Em 2030 não precisaremos mais tingir ou estampar tecidos acabando com grande parte da poluição causada por esses processos.

O material também poderá ser empregado nas janelas inteligentes que ficam opacas quando esticadas, ou para fabricar computadores anti-reflexo. Poderá até ser usado na criptografia, como textos que aparecem quando o material é esticado, e desaparecem novamente quando volta ao normal.

Por agora, a mudança de cor só é ativado por luz UV, mas o objetivo dos pesquisadores é ativá-lo por qualquer tipo de luz. Os pesquisadores agora estão trabalhando para melhorar o material e estão fazendo experiências com outros materiais de base biológica, cujos resultados devem ser publicados no próximo verão. Eles também estão usando diferentes estímulos além de força mecânica para fazer acontecer a mudança de cor e a textura, talvez criando um material que poderia ser alterado pela mudança de temperatura, por exemplo.

“Estamos trabalhando muito duro agora para melhorar ainda mais e fazer avanços, e nós estamos conseguido algum progresso real”, disse Luyi Sun. A equipe apresentou sua pesquisa na American Chemical Society, realizada na semana passada, na Filadélfia.

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