A indústria da moda está cheia de abusos contra os direitos humanos, e as mulheres, uma vez que constituem uma grande parte da força de trabalho desta indústria, são as que mais sofrem. A exploração da mão de obra que acontece em fábricas na China, Bangladesh, Camboja, Índia e Vietnã hoje, não está tão longe de nosso próprio passado aqui no ocidente. Ao longo de meados do século XIX, os trabalhadores têxteis do sexo feminino nos Estados Unidos sofreram de más condições de trabalho e de baixos salários, contra os quais elas protestaram.

Em 1828, os trabalhadores têxteis do sexo feminino em Dover, New Hampshire, protestaram contra os baixos salários e longas horas de trabalho. Voltando na história, você encontrará inúmeras histórias de donos de fábricas têxteis que se comportavam como integrantes da máfia explorando seus funcionários com condições de trabalho degradantes, mas hoje em grande parte do mundo, essa ainda é uma realidade quotidiana.

O fast fashion se tornou muito ligado de uma forma negativa as questões de direitos humanos, e aqui estão nove maneiras na qual a indústria da moda explora mulheres em todo o mundo.

Conheça 9 maneiras de como a Indústria da moda explora as mulheres stylo urbano-1

1. Mulheres tratadas como escravas

No relatório de 2012 da  Apparel Industry Trends, há uma grande atenção sobre a Índia. O país sempre foi um centro mundial de fabricação têxtil, e existem muitos casos de trabalho infantil e trabalho forçado nesta indústria. Como assinala o relatório, em Tamil Nadu, no sul da Índia, as mulheres jovens são mantidas num sistema de trabalho escravo através de uma prática apelidada de “Esquema Sumangali”.

As meninas, algumas com menos de 14, recebem menos do que o salário mínimo durante um a três anos. Após esse prazo, o trabalho está acabado e o empregador paga o salário que ficou retido por todo esse tempo para a família da menina, como um montante fixo para ser usado em seu dote de casamento.

2. Meninas começam a trabalhar em uma idade muito precoce

A OIT estima que 170 milhões de crianças estão envolvidas em trabalho infantil, muitas delas trabalhando no setor de têxteis e vestuário para satisfazer a demanda dos consumidores na Europa, EUA e outros países.  Essas crianças são tão jovens como 5 anos. Trabalhando desde jovens significa uma coisa: elas não estão na escola.

Forçadas a trabalhar em vez de ser capaz de ir para escola, limita as suas oportunidades de mobilidade social. Como a educação feminina é uma parte integrante do desenvolvimento sustentável, isso é prejudicial para a economia global. Tem sido demonstrado, que uma menina educada vai reinvestir 90% de sua renda futura em sua família e por sua vez, na comunidade. Colocando meninas nas escolas, em vez de fábricas é um investimento no sucesso das comunidades e de nossa economia global.

3. Mulheres enfrentam discriminação grave de gênero 

De acordo com o relatório Made in Vietnam do Worker’s Rights Consortium, que as mulheres trabalhadoras no Vietnã enfrentam a discriminação com base na gravidez, variando do término do vínculo laboral à negação de benefícios de maternidade. Em uma fábrica observada no relatório, as mulheres foram contratualmente obrigadas a não engravidar por três anos.

Isso não é só no Vietnã, é um problema enfrentado por mulheres trabalhadores do setor têxtil e de vestuário que vai do Brasil para o Marrocos. Como um relatório do Instituto de Investigação das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social apontou, “formas patriarcais de controle são utilizados por donos de fábricas e gestores para consolidar o seu poder sobre as mulheres trabalhadoras e para maximizar a produção em suas fábricas.”

4. Mulheres são vítimas de assédio sexual

O abuso sexual é um problema generalizado na indústria da moda, tanto nas fábricas têxteis e de vestuário, como também no mundo das modelos. Como o relatório da organização Better Work apontou, “O assédio sexual continua a ser elevado em fábricas, porque existe muitas vezes um grande número de jovens mulheres, que são inexperientes e, em alguns casos, analfabetas, sendo supervisionadas por um pequeno número de homens.”

Olhando para o indústria têxtil, na Jordânia, eles descobriram que 20% das trabalhadoras disseram que tinham muito pouca compreensão do que constitui assédio sexual, apesar 25% das trabalhadoras entrevistadas estavam preocupadas com o comportamento que poderia ser classificado como tal.

Na China, foi relatado de forma esmagadora que 70% dos trabalhadores do sexo feminino em fábricas em Guangzhou, foram perseguidas sexualmente. O assédio sexual é uma violação dos direitos dos trabalhadores. No mundo das modelos a exploração sexual acontece com frequência pois ser famosa e ganhar milhões só acontece com no máximo 5% delas.

5. Mulheres são estupradas

Em um artigo feito pelo Truthout , trabalhadoras haitianas exploradoras em fábricas falaram sobre alguns dos abusos que enfrentam. Aqui está o que uma mulher disse sobre o abuso sexual no local de trabalho: “Nas fábricas, há um sistema que chamamos de “dê para mim e eu vou dar a você.” Isso significa que você tem que concordar em ter relações sexuais com o supervisor ou ele pode te barrar ou te demitir. Meu supervisor estava tentando me seduzir, mas eu disse que não, porque eu tinha um marido. Então, ele me demitiu. “

Em Dhaka, Bangladesh, os relatórios da polícia mostraram que as trabalhadoras de vestuário compõem de 2 a 3% da população total, mas respondem por 11% dos casos de estupro. Estes casos de estupro também estão ligados à alta taxa de suicídio entre as trabalhadoras de fábricas.

6. Existe discriminação da gravidez

Honduras é o terceiro maior exportador de roupas e têxteis para os Estados Unidos. Enquanto a indústria têxtil é equilibrada quando se trata de sexo, as mulheres representam 53% da indústria, elas enfrentam discriminação injusta. De acordo com um relatório da organização War on Want,

“As mulheres trabalhadoras também são vulneráveis a outras violações dos direitos, tais como a negação da licença de maternidade, testes de gravidez forçadas e assédio ou violência sexual. Um requisito obrigatório para as mulheres antes de conseguir um trabalho é ser submetida a uma avaliação médica, em que é dada especial atenção ao fato de uma mulher está grávida. Nestes casos, as mulheres serão rejeitadas.”

Quer dizer, a gravidez é algo amaldiçoado. A Human Rights Watch observou os mesmos problemas no Camboja, pedindo ao governo cambojano para melhorar a sua aplicação das leis trabalhistas.

7. A indústria da moda, muitas vezes promove a cultura da violência e do estupro

Houve muitos exemplos de anúncios de moda mostrando mulheres em posições humilhantes, como a campanha publicitária de 2013 do estilista libanês Johnny Farah promovendo sua linha de bolsas, mostrando uma mulher usando um saco na cabeça, enquanto um homem estava atrás dela, puxando um cinto enrolado em seu pescoço. A indústria da moda é pródiga no mau gosto de explorar de forma sádica, voyeurista e desumana a figura das mulheres. Como isso pode ser tolerado? Olhe essas campanhas publicitárias feitas por grandes marcas que “coisificam” as mulheres em meros objetos para serem usadas e abusadas.

Conheça 9 maneiras de como a Indústria da moda explora as mulheres stylo urbano-2

A falta de vergonha na cara de alguns editores de revistas, estilistas, fotógrafos e produtores de moda que tentam “glamourizar ” até o estupro como foi o caso do ensaio fotográfico que se “inspirou” num caso que aconteceu na Índia em 2012, em que uma garota de 23 anos foi estuprada, torturada e assassinada dentro de um ônibus por uma gangue. A pergunta é: Porque que a violência contra as mulheres está sendo sexualizada pela indústria da moda? Um dos fotógrafos mais queridinhos da indústria é Terry Richardson que sempre tende a retratar as mulheres de forma submissa e vulgar. Veja mais fotos aqui e aqui.

E o incrível é que a revista Vogue sempre contrata esse fotógrafo pervertido que já foi acusado de ser pedófilo, para fazer ensaios diminuindo as mulheres. Por acaso isso é “cool”? E o que dizer da famosa e tradicional marca de luxo Louis Vuitton comandada na época por Marc Jacobs, que teve a “brilhante ideia” de lançar uma campanha “Prostituta Chique” para o Outono/Inverno 2013. Que tipo de mensagem o estilista queria passar? Que as clientes da marca ou as modelos são prostitutas de luxo? É o cúmulo do mal gosto!

A campanha foi largamente criticada por oferecer uma “uma visão glamourosa da prostituição“. No entanto o estilista disse que sua intenção foi “ressuscitar a ideia do porno chique dos anos 60”. Talvez foi por causa disso que Marc Jacbs tenha se desligado da Louis Vuitton obviamente pela reclamação de algumas ricas e poderosas clientes e de seus maridos, que não gostaram do tal “pornô chique”.

8. As condições de trabalho são tão ruins, que as mulheres desmaiam no ambiente de trabalho

As condições de trabalho são tão ruins no Camboja, onde cerca de 90% da indústria têxtil e de vestuário é feita pelo sexo feminino, que há episódios regulares de desmaios em massa, no ano passado, em uma fábrica que produz roupas da Puma e Adidas. De acordo com o Global Post, “As estatísticas do governo sugerem que, desde 2011, entre 1.500 e 2.000 trabalhadoras de fábricas no Camboja desmaiam a cada ano, muitas vezes em grupos de 100 ou mais.” Mas que inferno é esse?

9. Muitas mulheres nem sequer sabem que têm direitos

Uma parte importante para se resolver o problema é capacitar as mulheres trabalhadoras da indústria têxtil e de vertuário, para que também elas possam lutar por seus próprios direitos. Em Bangladesh, a Fundação AWAJ trabalha duro para assegurar que as operárias saibam de seus direitos, para que possam se defender dos abusos.

A fundação foi criada por Nazma Akter, quando ela tinha 14 anos e resolveu juntar suas companheiras que trabalhavam na indústria de vestuário em um protesto contra as condições de trabalho em sua fábrica. Nazma foi espancada e seu grupo recebeu gás lacrimogêneo da polícia. Ela não se intimidou e trabalhou duro para aumentar o salário mínimo para os trabalhadores têxteis em Bangladesh a partir de € 16 a € 30 por mês, e tem influenciado a muitas outras mulheres para quem lutem por seus direitos.

Vogue Italia é somente uma das inúmeras infratoras que sexualizam a violência contra as mulheres em “nome da moda” neste editorial de terror feito pelo renomado fotógrafo de moda Steven Meisel.

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