A cannabis sativa é uma das plantas mais amadas e odiadas atualmente no mundo mas por que? Essa incrível e diversificada planta que nos foi dada pela natureza tem 25.000 usos catalogados (incluindo até BMWs) pelo homem e é usada há milênios por quase todas as civilizações humanas, sendo que algumas chegaram até a criar hinos de louvor a cannabis sativa e associar a planta a deuses como foi o caso da Índia e Egito. Os primeiros registros históricos do uso da Cannabis sativa para fabricação de papel, datam de 8.000 anos a.C, na China.

A cannabis sativa tem uma antiga e fascinante história e é utilizada pela humanidade por ter muitas utilidades e desde o seu primeiro registro em 27.000 a.C. vem ajudando na evolução da civilização humana desde a descoberta da agricultura no velho mundo. Ela foi a primeira planta cultivada sem ser para alimentação.

Neste post quero mostra o incrível recurso desperdiçado que é a fibra do cânhamo  industrial que é uma variedade da cannabis sativa inofensiva. No entanto, desde a década de 1950 englobaram o cânhamo na mesma categoria de marijuana, e, portanto, apesar de extremamente versátil, foi condenado nos Estados Unidos e no Brasil só para atender aos caprichos de grandes corporações que mostrarei a seguir.

A cannabis sativa e sua utilização histórica.

Depois os chineses descobriram e desenvolveram outras formas de uso da planta, principalmente para produção de artigos têxteis e medicina. Mais tarde, outras sociedades, como os gregos, romanos, africanos, indianos e árabes também aproveitaram as qualidades da planta, fosse ela consumida como alimento, medicina, combustível, fibras ou fumo. Entre os anos de 1000 a.C. até meados do século XIX, a maconha e o cânhamo produziam a maior parte dos papéis, combustíveis, artigos têxteis e sendo, dependendo da cultura que a utilizava, a primeira, segunda ou terceira medicina mais usada.

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Ué mas como assim? A planta que por séculos era tida como um “elixir da boa saúde” se tornou uma praga amaldiçoada?

Sua grande importância histórica se deve ao fato da maconha ter a fibra natural mais resistente e forte do que todas as outras, podendo ser cultivada em praticamente qualquer tipo de solo. Da China, ela se espalhou para a Índia, o Oriente Médio, o Norte da África. De lá desceu rumo à África Subsaariana e subiu até a Europa, via Turquia. O frio europeu parece ser uma das razões pelas quais a erva não era fumada no continente.

Na Índia a cannabis é chamada de “bhang” e foi reverenciada na tradição oral e depois registrada no quatro Vedas, ou livros de conhecimento compilados entre 1400 e 1000 a.C. Os antigos hindus adoravam os espíritos de plantas e animais, e a maconha desempenhava um papel ativo em seus rituais. Como os chineses, o povo da Índia tem uma longa história de uso do cânhamo em suas roupas e remédios. A maconha na Índia é sagrada pois está relacionada ao deus Shiva e existem lojas chamadas Bhang Shops onde se pode comprar a erva e derivados como bebidas e biscoitos.

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O consumo de cannabis no antigo Egito foi gravado já em 2000 a.C, e foi encontrado em pergaminhos que descrevem as plantas medicinais. Foi documentado pela primeira vez em Kemet (antigo Egito) para tratar a dor nos olhos e catarata. De acordo com Diodoro da Sicília, um historiador grego siciliano, as mulheres egípcias usavam a cannabis como uma medicação para aliviar a tristeza e o mau humor (TPM?).

Em 1213 a.C. o pólen da Cannabis foi encontrado na múmia de Ramsés II. Outras pesquisas descobriram que o pólen da cannabis foi encontrado em todas as múmias reais conhecidas, mas não só no Egito mas nas múmias encontradas na China, Peru e México. A planta da cannabis era tão divinizada na antiguidade que suas fibras eram transformadas em tecidos e objetos para serem enterrados junto com as pessoas.

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Seshat, a antiga deusa egípcia da manutenção de registos e de medição. Em sua cabeça está uma folha e flor de cannabis.

Nos Estados Unidos, em 1600, uma lei Colonial exigia que todos os colonos cultivassem cânhamo.

Benjamin Franklin era dono de uma fábrica que fazia papel de cânhamo, e muitos dos fundadores dos EUA defenderam fortemente a produção de cânhamo industrial. Thomas Jefferson escreveu uma vez: “O cânhamo é de primeira necessidade para a riqueza e a proteção do país”. George Washington ecoou seu entusiasmo, incentivando os primeiros colonos a “aproveitarem o máximo da semente de cânhamo indiano, e semeia-los!”

Em 1787, a Constituição dos EUA foi escrita em papel de cânhamo.

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A segunda fonte de óleo para iluminação pública depois do óleo de baleia foi de óleo de cânhamo.

A tela das pinturas eram feitas de tecidos de cânhamo, de tal forma que a palavra em inglês para tela é canvas, uma palavra que vem da denominação holandesa para cânhamo.

No Brasil, registros históricos informam que as caravelas utilizadas por Pedro Álvares Cabral tinham suas velas e cordames produzidos com fibras de cânhamo.

Em 1783, Portugal instalou no Brasil a Real Benfeitoria de Linho Cânhamo para atender à demanda internacional dos produtos à base da fibra. As primeiras fazendas de Linho Cânhamo foram instaladas no sul do país, mas a coroa financiou hortos no Pará, no Amazonas, Maranhão, Bahia e no Rio de Janeiro.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo federal americano subsidiou a agricultura de cânhamo e encorajava a produção da planta em um curta-metragem intitulado “Hemp for Victory”. O governo americano promovia o cultivo do cânhamo como uma causa patriótica. Antes da guerra a cannabis é maravilhosa e todo mundo tem que plantar, depois da guerra é uma planta satânica e deve ser proibida. Entendeu o raciocínio?

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Cânhamo e maconha ambos vêm da mesma espécie de planta cannabis sativa. No entanto, o cânhamo é geralmente colhido de uma subespécie da Cannabis, que ao contrário da maconha, praticamente não tem propriedades psicoativas. As variedades do cânhamo são cultivadas pela suas sementes, óleo e fibra, enquanto a maconha é cultivada para fins medicinais, recreativas e espirituais.

O cânhamo, muitas vezes fica com uma má reputação por causa de sua associação com a maconha, na realidade tem inúmeras aplicações e é perfeitamente inofensivo. A confusão entre os dois surge do fato de que ambos provêm da mesma espécie. Mas, assim como Canis lupus tem subespécies que variam , Cannabis sativa inclui uma grande variedade de plantas com características diferentes.

As variedades cultivadas para o cânhamo são valorizados por seu alto teor de fibras e porque têm níveis extremamente baixos de THC químico, não são adequados para uso medicinal ou recreativo. Por outro lado, a subespécie cultivadas para a maconha tem a qualidade da fibra pobres, mas altos níveis de THC suficiente para causar efeitos físicos ou psicológicos.

O cânhamo é um produto muito versátil e é utilizada para fazer tecidos, roupas, papel, materiais de construção, e muito mais. É uma cultura sustentável, em crescimento que produz duas a quatro vezes mais fibra utilizável como árvores ou de algodão. Ainda assim, é ilegal cultivar o cânhamo em vários países, incluindo os EUA e Brasil, por causa da preocupação de que os produtores poderiam facilmente esconder a fábrica de medicamentos em um grupo de plantas de fibras.

Alguns estimam que o mercado global para o cânhamo é composto por mais de 25.000 produtos em nove sub-mercados: Agricultura, têxtil, reciclagem, químicos, automotivo, mobiliário, alimentar/nutrição/bebidas, papel, materiais de construção e cuidados pessoais. Para os materiais de construção foi criado o  hempcrete, que é feito a partir da mistura do núcleo lenhoso do caule da cannabis com um aglomerante a base de cal e cimento.

O cânhamo também é utilizado como um material isolante leve. Veja essa casa nos EUA toda construída com hempcrete. O filme “Grass, a verdade sobre a proibição da maconha” é o melhor que já vi sobre o por quê dessa planta tão incrivelmente versátil ter sido proibida nos EUA e diversos lugares do mundo a partir de 1945. O filme está no you tube dividido em 8 partes mas infelizmente o primeiro está sem áudio por causa de direitos autorias.

Por que a legalização da cannabis sativa é tão combatida? A quem realmente interessa que essa planta maravilhosa que tem 25.000 usos catalogados, continue a ser proibida em diversos países? Além de todos aqueles que se beneficiam financeiramente com a guerra às drogas, (veja aqui), é importante não ignorarmos as grandes corporações (que financiam os políticos) que se dão bem com a proibição à entrada de um grande concorrente no mercado. Quem são esses grandões? O filme acima dá a dica:

1) A indústria tabagista e de bebidas alcoólicas: Duas drogas legais, cigarro e álcool são mais viciantes e fisicamente mais nocivos que a maconha. Se a maconha fosse legalizada, é bem provável que a venda dessas duas drogas sofresse uma queda.

2) Indústria petrolífera: antes de a maconha ser proibida, um dos principais ingredientes para todos os bens de consumo feitos à base de petróleo era o óleo de cânhamo. Embora o teor de THC (Tetraidrocanabinol) do cânhamo seja praticamente nulo (o que significa que ele não pode ser classificado como droga), seu plantio continua rigidamente restrito, dependendo do país. O cânhamo é também uma das culturas agrícolas mais renováveis do planeta, gerando quatro colheitas por ano. O cânhamo tem potencial para se tornar o principal ingrediente dos biocombustíveis, caso pudesse entrar no livre mercado.  Sem contar todos os outros produtos, como tintas, xampus e plásticos, que poderiam ser manufaturados com óleo de cânhamo.

3) As grandes indústrias farmacêuticas: Quantos milhões (talvez bilhões) de dólares as farmacêuticas perderiam caso seus pacientes trocassem seus atuais medicamentos pela maconha, algo que as pessoas poderiam cultivar naturalmente no quintal de casa? O vídeo: “Maconha, a cura do câncer” que coloquei mais abaixo, mostra as utilidades farmacológicas dessa planta para curar doenças e que não agrada nem um pouco a bilionária indústria farmacêutica que vive da doença e não da cura.

4) Madeireiras: Antes da maconha ser proibida, o cânhamo era predominante na indústria papeleira. Não deve ter sido coincidência que o cânhamo tenha sido proibido nos EUA justamente na mesma época em que a DuPont estava patenteando o processo de fabricar papel por meio da polpa de árvore.

5) Indústria algodoeira: Os tecidos de cânhamo são excelentes. Eles são mais macios e mais duráveis que os de algodão.  Por que eles não são mais onipresentes e menos caros? Provavelmente pela mesma razão que outros produtos que também poderiam ser feitos à base de cânhamo, como papel e tinta, não o são porque o cânhamo não está prontamente disponível no livre mercado, provavelmente por causa do estigma dado ao cânhamo em decorrência de décadas de desinformação dizendo que cânhamo e maconha são a mesma coisa. Caso a maconha fosse legalizada, não haveria justificativa para se manter esse estigma.

Portanto, eis aí a situação.  A legalização da maconha contraria grandes interesses corporativos.  E certamente esses grupos acionarão seus lobistas e os políticos que tiveram suas campanhas pagas por essas empresas para impedir qualquer mudança na legislação.

Por outro lado, existe atualmente um fator favorável à legalização da maconha: a recessão.  Em cenários assim, no qual os governos estão desesperados por receitas, legalizar uma substância para em seguida tributá-la parece ser uma solução não apenas lógica como também muito atraente.  Vale lembrar que foi o pavoroso Franklin Roosevelt, desesperado por receitas em meio à Grande Depressão, quem aboliu a Lei Seca.

Essa seria a única coisa boa advinda desse pesadelo de novos intervencionismos criados pela crise financeira – a qual os próprios intervencionistas causaram. A proibição da cannabis sativa se resumo a uma coisa apenas: DINHEIRO. O resto é conversa.

O cânhamo é uma cultura agrícola sustentável e ambientalmente amigável.

Até mesmo durante a Segunda Guerra Mundial e, cânhamo era uma cultura de grande dimensão, que forneceu ao mundo uma excelente e durável fonte de fibra. O cânhamo tem um ciclo de crescimento de apenas 120 dias, podem ser colhido várias vezes por ano, dependendo das condições climáticas locais.

Atualmente o cânhamo é uma cultura agrícola produzida na China , Hungria , Inglaterra, Canadá , Austrália, França , Itália, Espanha , Holanda, Alemanha , Polônia, Romênia , Rússia, Ucrânia , Índia, Uruguai e toda a Ásia. Suas sementes e fibras são utilizadas na produção de papel, produtos têxteis, materiais de construção, combustível e suplementos dietéticos. A regulação da maconha poderá transformar o Brasil em um excelente produtor de cânhamo industrial, o que vai fortalecer a economia do país, que está em forte recessão, e gerar mais uma cultura agrícola extremamente rentável.

Permitir o cultivo e processamento legal do cânhamo industrial criará no Brasil novos empregos e receitas fiscais a curto prazo. Também poderá tornar o país líder no desenvolvimento de uma nova e importante indústria, que certamente vai expandir nos próximos anos. O cânhamo pode ser cultivado de forma inteiramente orgânica, sem necessidade de pesticidas e herbicidas. Ele absorve gás carbônico (CO2) cinco vezes mais que florestas naturais.

O usos industriais do cânhamo

Por causa dessa proibição absurda da maconha que serve para proteger os carteis das grandes corporações petrolíferas, químicas, farmacêuticas, bebidas, papel, algodão e drogas ilícitas do crime organizado (protegidos pelos políticos) um enorme mercado que vale bilhões de reais em produtos e poderia gerar milhões de empregos deixou de existir. Veja abaixo uma loja americana onde só tem produtos feitos de cannabis sativa.

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1 – Produtos têxteis

O uso da fibra de cânhamo para a produção de tecidos não é nenhuma novidade, já que existem amostras provenientes da China que datam de 8 mil a.C.! Super-resistente, sua textura é parecida com a do linho, e a fibra pode ser combinada a outros materiais como o algodão e a seda, por exemplo, diversificando ainda mais a sua utilização. Assim, o cânhamo pode servir para a produção de jeans, calçados, blusas, camisetas e acessórios. A empresa Enviro Textile trabalha com vários tipos de tecidos de cânhamo para moda e decoração.

2 – Produtos alimentícios

O cânhamo contém antioxidantes, ômega 3 e 6 e ácidos graxos essenciais, e suas sementes são ricas em proteínas, ferro e cálcio. Assim, ele funciona como um nutritivo suplemento alimentar, e seu óleo pode ser utilizado na preparação de um sem fim de receitas, tanto de comidas como de bebidas alcoólicas ou não. Uma das empresas que fabricam alimentos industrializados da maconha é a Manitoba Harvest Hemp Food.

3 – Construção civil
Companhias na Irlanda e na Holanda já utilizam produtos feitos à base de cânhamo para o isolamento térmico e acústico de casas e edifícios. Além disso, também existe uma variedade de materiais de construção, como um concreto mais leve, resistente e ambientalmente correto produzido a partir da substância.

4 – Biocombustíveis

Assim como acontece com a maioria dos óleos vegetais, o óleo de cânhamo pode ser processado e convertido em biocombustível, cuja queima é menos poluente do que a queima dos combustíveis fósseis. Portanto, além da produção de biodiesel a partir do óleo presente nas sementes e no caule da planta, a parte fibrosa também pode ser empregada para a obtenção de versões quimicamente semelhantes à da gasolina convencional.

Assim como o milho pode ser convertido em etanol combustível de queima limpa, o cânhamo também pode. Porque o cânhamo produz mais biomassa que quaisquer espécie de plantas (incluindo o milho) que pode ser cultivado numa vasta variedade de climas e locais, assim o cânhamo tem um grande potencial para se tornar uma fonte importante de combustível etanol.

5 – Plásticos

O cânhamo pode ser utilizado na produção de bioplástico, e inclusive existem protótipos de veículos um deles produzidos por Henry Ford na década de 40 elaborados a partir desse material. Alguns fabricantes de carros inclusive vêm substituindo painéis e outras peças que costumavam ser feitos de fibra de vidro por versões fabricadas com o cânhamo, e outros usos populares incluem embalagens, potes e utensílios domésticos. Veja abaixo o supercarro feito de plástico de cânhamo. O novo carro elétrico da BMW, o BMWi3 utiliza fibras de cânhamo nos painéis.

6 – Cosméticos
A utilização do óleo de cânhamo pela indústria de cosméticos ocorre há tempos, e existem inúmeras linhas de produtos com shampoos, sabonetes, hidratantes para o corpo e rosto, protetores labiais e solares, cremes anti-idade etc. com essa substância em sua formulação. Além disso, graças às suas propriedades medicinais, o óleo de cânhamo é um anti-inflamatório natural, indicado para tratar problemas de pele como eczema, acne e psoríase.

7 – Fitorremediação

Talvez um dos usos mais surpreendentes do cânhamo seja como descontaminante. As plantas podem ser utilizadas para eliminar, estabilizar ou tornar inertes substâncias nocivas presentes no solo como solventes, pesticidas, metais tóxicos e explosivos. Um exemplo famoso foi a iniciativa de plantar centenas de pés em uma área da Ucrânia afetada pelo desastre nuclear de Chernobyl para ajudar a minimizar os danos provocados pela radiação.

8 – Remédios medicinais

A cannabis sativa é utilizada há milênios como remédio nas mais diversas civilizações por suas propriedades medicinais como também era muito utilizada em rituais religiosos por toda parte. Veja o vídeo Maconha, a cura do câncer para ver as mais diversas aplicações medicinais dessa planta milagrosa que é o terror da bilionária indústria farmacêutica.

Cânhamo e moda: Uma combinação que dá certo!

O cânhamo é, possivelmente, o têxtil natural mais sustentável que temos disponível e, consequentemente, o cânhamo vai se tornar um dos pilares do guarda-roupas da moda ética em todo o mundo e é uma alternativa ambientalmente consciente para o algodão convencional. Infelizmente por um longo tempo, o cânhamo tem sido amplamente ignorado pelos designers de moda e isso tem que mudar já pois continuar focado somente no algodão não dá.

No entanto, como têxtil, o cânhamo oferece benefícios ambientais significativos sobre o algodão convencional e outras alternativas, e isso faz com que ele não possa continuar a ser ignorado por muito tempo. O cânhamo tem uma colheita de baixo impacto, o que naturalmente controla ervas daninhas e pragas, tornando desnecessário o uso de pesticidas.

Suas raízes são fortes, o que significa que a colheita protege contra a erosão do solo, ao contrário de muitas outras culturas. O cânhamo é entre todas as culturas de fibras naturais a que menos faz utilização intensiva da água, e dependendo da região onde é plantado nem precisa de irrigação. Veja mais aqui.

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Isso o torna uma alternativa ideal para a cultura do algodão com sua utilização intensiva da água, que tem sido associada com a exploração severa dos recursos hídricos a nível mundial e está associada com desastres ambientais, como o encolhimento do Mar de Aral pelo cultivo do algodão, devido a irrigação agressiva implementada pelos soviéticos que transformaram 90% do que costumava ser o quarto maior lago do mundo em um deserto.

O cânhamo também tem o mais alto rendimento de todos os produtos têxteis naturais, com até o dobro do rendimento de fibra por hectare de algodão. Em uma base anual, um acre de cânhamo produzirá tanta fibra como 2 a 3 acres de algodão. A fibra de cânhamo é muito mais forte e mais suave do que o algodão, dura mais tempo que o algodão, e não apodrece como o tempo. Muitos produtos têxteis (camisetas, jaquetas, calças, mochilas, etc.) podem ser feitos a partir de 100% de cânhamo.

O cânhamo 100% juntamente com novas misturas de cânhamo com linho, seda, liocel ou algodão, estão começando a ser utilizados por designers e marcas de moda e decoração eco-conscientes como um têxtil versátil que oferece uma excelente alternativa sustentável ao algodão.  As maiores diferenças entre o algodão e o cânhamo estão no fato de que o cânhamo exige muito menos água e não necessita de pesticidas para crescer e produzir.

Não é só isso, o cânhamo produz cerca de 200%  a 250% mais fibras na mesma quantidade de terra em comparação com o algodão. Preocupado com o excesso de CO2 na atmosfera? O cânhamo é espetacular em sequestrar o CO2!

O cânhamo está pronto para a colheita em apenas 120 dias após ter sido plantado. O algodão cresce em climas moderados e requer muito mais água do que o cânhamo, mas o cânhamo é tolerante a geada, e requer apenas quantidades moderadas de água.

A cultura do algodão requer grandes quantidades de pesticidas e herbicidas e 50% dos pesticidas/herbicidas do mundo são usados no algodão. Mas o cânhamo não exige pesticidas, nem herbicidas, e apenas quantidades moderadas de fertilizantes. Essa planta é o terror da indústria química e é por isso que não querem a liberação do seu plantio em larga escala.

industrial-hemp-field-0126A liberação comercial do cânhamo industrial, com a legalização da maconha no Uruguai e a descriminalização em outros países, vem aumentando a discussão e o interesse das pessoas pelos produtos feitos a partir da planta. As possibilidades de uso são várias na moda vão de roupas, tênis, óculos e jeans.

Naked and Famous Denim, a mais louca empresa de calça jeans do mundo, lançou seu Hemp Denim que como o nome diz, é feita de cânhamo. Uma empresa de moda slow fashion que fabrica roupas unindo fibras do cânhamo e algodão orgânico é a Nurmi da Finlândia.

A marca eco sustentável Nurmi e seu Hemp Jeans feito com 55%  de cânhamo e 45% de algodão orgânico.

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A Adidas lançou também sua linha de tênis feitos com cânhamo, garrafas PET e algodão.
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E no final das contas depois disso tudo que mostrei acima, deu para perceber o absurdo que é a proibição dessa incrível planta que poderia estar criando uma nova indústria sustentável no Brasil? O cânhamo Industrial fornece: Trabalho, combustível, alimentação, remédios terapêuticos, habitação, papel, bioplásticos, têxteis, peças de automóvel, biomassa para biocombustíveis e alimentos para animais são todas as possibilidades desta planta milagrosa.

A cannabis está sendo utilizada de forma industrial na criação de uma nova indústria mais sustentável que poderia produzir milhares de produtos, gerando emprego e renda. Por que o Brasil insiste em ficar no atraso sendo que outros países já estão utilizando essa planta milagrosa para fortalecer sua economia?

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