A indústria da moda está crescendo como nunca antes, chegando a um faturamento de US$ 2,5 trilhões ao ano. As pessoas desejam mais variedade de produtos e uma experiência de compra mais satisfatória por isso as inovações tecnológicas estão criando novas formas de vender moda online, novos tipos de fabricação personalizáveis, novos materiais sustentáveis e recicláveis para reduzir o desperdício e a incorporação da nanotecnologia nos tecidos. Nossas roupas estão deixando de ser simples e se tornando mais inteligentes.

Mas ao mesmo tempo a indústria têxtil passa por uma crise econômica que ameaça as vendas e uma crescente consciência dos verdadeiros desafios sociais e ambientais, como as alterações climáticas, guerras por recursos e a crescente expectativa dos consumidores sobre a transparência de fabricação das marcas de moda. Um dos aspectos mais complexos da moda é o processo de tingimento dos tecidos que causam enormes problemas ambientais.

Toxicidade, desperdício de água e contaminação, riscos de saúde para os seres humanos e os ecossistemas em geral. Reverter essa trágica situação requer tecnologias inovadoras focadas na economia circular e bioeconomia. Veja a seguir algumas das melhores tecnologias para tingir tecidos com pouca ou nenhuma necessidade de água e produtos químicos perigosos.

1. IMBU – TINGIMENTO E ESTAMPAGEM SEM ÁGUA SOBRE TECIDOS

Conhecido como Imbu (ex-Airdye), esta tecnologia revolucionária que transfere o corante do papel para o tecido de poliéster usando máquinas de impressão, utiliza até 95% menos água, 86% menos energia e 84% menos gases de efeito estufa do que os métodos de impressão e corantes convencionais. A poupança de água em uma única peça pode ser tanto quanto 45 galões.

A Imbu recicla o papel usado no processo e os corantes são inertes, o que significa que eles podem voltar ao seu estado original e ser reutilizados. Essa tecnologia conseguiu resolver de forma eficiente o problema da poluição da água, oferecendo aos clientes um método sustentável e responsável para tingir e estampar tecidos. Veja mais detalhes neste post.

2. WHE ARE SPINDYE – NOVA TECNOLOGIA PARA TINGIR TECIDOS SINTÉTICOS SEM ÁGUA

Uma nova empresa sueca chamada Whe are SpinDye vai apresentar na SPO MUNICH 2017 um novo método sustentável para tingir fibras sintéticas sem o uso de água e usando significativamente menos produtos químicos do que no processo de tingimento convencional para roupas e acessórios.

A Whe are SpinDye é especializada em corantes para tecidos, malhas ou fibras sintéticas. A empresa utiliza um processo no qual o poliéster reciclado ou virgem é fundido e o pigmento do corante desejado é então adicionado ao material não tingido. Depois disso, o fio é produzido a partir dele na concentração desejada, assim os clientes e os fabricantes são capazes de processar ainda mais o fio, conforme necessário.

Conheça as tecnologias sustentáveis mais inovadoras para tingir tecidos com menos água e poluição stylo urbano-1

Ao adicionar o pigmento de cor na matéria-prima sintética no início do processo, quando é derretida e transformada em fibras e antes que se torne linha ou fio, a empresa diz que seu método evita completamente a água. O método faz com que a cor do pigmento se torne parte integrante do material a partir do zero, levando a uma maior durabilidade e tornando-se menos sensível ao desbotamento e desgaste.

A Whe are SpinDye diz que sua tecnologia é aplicável a todos os materiais sintéticos, tais como poliéster ou nylon, mas também o rayon. A empresa disse que uma combinação de fibras sintéticas e lã crú pode ser usado, sem limites para os fabricantes em processamento adicional. Os tecidos podem, por exemplo, ser revestidos ou equipados com uma membrana.

No processo de tingimento convencional, de 100 a 150 litros de água são necessários para tingir um quilograma de tecido. Outras alternativas para eliminar o uso excessivo de água no tingimento de tecidos sintéticos incluem o trabalho da DryDye e Dyecoo, que desenvolveram novas máquinas que substituem completamente o dióxido de carbono (CO₂) pela água no processo de tingimento. Veja a matéria completa neste link.

3. COLORZEN – O TINGIMENTO DE ALGODÃO MAIS SUSTENTÁVEL DO MERCADO

“O algodão é realmente bastante difícil de tingir e há uma grande quantidade de poluição associada a ele”, diz Michael Harari, presidente e co-fundador da ColorZen uma empresa de tecnologia com sede em Nova York. Sua tecnologia sustentável utiliza o tingimento catiônico com outros processos patenteados para tingir o algodão sem usar produtos químicos, sais e álcalis graças a um processo de pré-tratamento da fibra desenvolvido pelos seus parceiros na China.

Segundo Harari “o resultado é até 90% menos água, 75% menos energia e 95% menos produtos químicos e zero de produtos tóxicos sendo lançados na água. Nós manipulamos a fibra do algodão a nível molecular, para que seja facilmente tingindo pelos corantes reativos “. A tecnologia ColorZen faz com que o processo de tingimento do algodão seja ao mesmo tempo eficiente e ambientalmente amigável.

PILI – BACTÉRIAS CRIAM TINTAS E CORANTES MICROBIANOS PARA SUBSTITUIR OS CORANTES SINTÉTICOS 

A preocupação com a poluição ambiental da moda aumentou o interesse pelos corantes naturais. Apesar de ser mais sustentável, a realidade é que a sua implementação em escala industrial é incompatível com as necessidades da indústria têxtil pois sua gama de cores é limitada, o tingimento não fica uniforme, é mais caro de produzir pois precisa de mais terra e água para crescer a matéria prima.

Além disso, o tingimento com corantes naturais precisa de uma grande quantidade de água como os corantes sintéticos que por outro lado, tem cores ilimitadas, são mais baratos de produzir, tem tingimento uniforme e não precisam de terra e água para crescer a matéria prima. Qual é a melhor solução? Estamos entrando numa nova Era de materiais que é impulsionada pela criatividade, sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Estamos começando a construir materiais utilizando os sistemas vivos através da ciência da biomimética criando tintas e corantes bacterianos!

A PILI é uma empresa francesa de biotecnologia que visa desenvolver novos processos para a produção biológica de corantes renováveis e biodegradáveis, oferecendo uma alternativa aos poluentes corantes sintéticos que são utilizados principalmente nas indústrias têxtil, tintas e cosmética. A ideia é utilizar as bactérias do solo para produzir naturalmente belos pigmentos coloridos por suas características orgânicas e recicláveis.

Thomas Landrin é o co-fundador da Pili e também co-fundador da La Paillasse, o primeiro laboratório de Paris para a próxima Era da inteligência coletiva, prototipagem rápida e big data dentro de uma estrutura aberta e comunitária. Desde a sua primeira descoberta em fazer bactérias criarem tinta azul, eles adicionaram quatro novas cores: violeta, vermelho, laranja e amarelo.

Conheça as tecnologias sustentáveis mais inovadoras para tingir tecidos com menos água e poluição stylo urbano-2

Essa é a primeira tinta a ser biologicamente sintetizada por bactérias e é um biomaterial renovável, que tem o potencial de substituir as cores petroquímicas que usamos em nossa vida cotidiana, e que causam grandes danos ao nosso planeta. A biotecnologia utilizada aqui é tão velha, que poderia ter sido usada por nossos ancestrais pré-históricos. Thomas Landrin acredita que é necessário a utilização de novos processos e torná-los disponíveis para todos! Para ele:  “Seria muito legal se pudéssemos superar a indústria petroquímica. Ao mesmo tempo, acho que devemos explorar o que a natureza nos dá “. 

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