As últimas pesquisas feitas pela Verdict, uma empresa de análises de mercado com sede em Londres, indicam que um quinto dos consumidores não aceitam pagar mais pela moda ética, enquanto que apenas 3% pagariam no máximo 21% mais caro. Os resultados são extremamente significativos pois o os custos adicionais para se produzir artigos de moda sustentável ficam em média 20% mais caros do que a moda convencional.

“Apesar da consciência crescente, o consumo ético continua a ser um nicho de mercado de moda justa, com número insuficiente de pessoas dispostas a pagar mais por roupas sustentáveis. Isso dificulta que as empresas adotem em grande escala o comércio ético”, disse Sarah Johns, analista da Verdict.

Os resultados da Verdict sugerem que os consumidores  dão grande importância as credenciais éticas, mas geralmente não estão dispostos a pagar mais por roupas e acessórios produzidos de forma ética. “Mas eles estão dispostos a pagar mais pelo estilo, qualidade, variedade e relação qualidade/preço aliada com valores éticos“, disse Sarah Johns. “Isto significa que os varejistas devem encontrar um equilíbrio entre o investimento em políticas éticas e impulsionamento das vendas.”

Os consumidores buscam uma moda ética mas não a qualquer preço aposta pesquisa stylo urbano
Coleção Reclaim To Wear da Topshop

Os pesquisadores também descobriram que 60% dos consumidores dizem que as credenciais de ética e sustentabilidade do varejista contribuem positivamente para sua decisão de comprar roupas e calçados, apenas 15% dos consumidores dizem que não iriam comprar de um varejista se não fosse transparente sobre seu método de produção de moda. Tais achados parecem encontrar pouco incentivo para os varejistas mudarem suas práticas.

Isso é devido a cultura criada pelas grandes redes de fast fashion que acostumaram os consumidores com a gratificação instantânea de novas coleções a cada semana com roupas a preços muito baixos. Afinal, produzir em altíssima escala de qualquer jeito poluindo o meio ambiente e explorando a mão de obra barata na Ásia tem custos baixíssimos para o fast fashion.

Segundo Sarah Johns: “O ponto crucial é que a renda dos consumidores está mais baixa devido a crise econômica, e a atração de roupa produzida de forma sustentável por si só não será suficiente para fazê-los gastar mais a não ser que a marca invista em credenciais como estilo, qualidade, variedade e relação qualidade/preço aliada com valores éticos. Isso fica evidente pelo sucesso das coleções sustentáveis da H & M Conscious, Topshop Reclaim e ASOS Africa que colocam estilo e vanguarda na coleção juntamente com credenciais sustentáveis.”

Cerca de 31% dos consumidores entrevistados disseram que não compraram qualquer roupa sustentável nos últimos anos, porque achavam que tais produtos eram muito caros. Os preços das roupas produzidas de forma sustentável são mais elevados devido aos altos custos da cadeia de abastecimento, assim os varejistas devem justificar estes preços através do design, inovação e qualidade para dar aos consumidores mais uma razão para comprar esses produtos.

Segundo a Verdict, a disponibilidade e variedade de produtos também são muito importantes, sendo que 18,8% dos consumidores não compraram qualquer roupa sustentável por sentirem que não são de fácil acesso, enquanto 17,5 % não o fazem porque sentem que não tem escolhas de produtos o suficiente.

Preços mais altos, dois lançamentos por ano, limitação do número de coleções, cores e produtos nas lojas são os fatores que fazem com que a maioria dos consumidores não procurem pelo slow fashion. Já uma marca de hybrid fashion por sua vez,  lança 4 coleções por ano com uma grande variedade de produtos nas lojas focando no estilo, qualidade, inovação e relação qualidade/preço aliada com valores éticos e sustentáveis produzidos numa escala bem maior que o slow fashion para reduzir os custos.

Fonte: Verdict

O Reclaim to Wear é uma colaboração ” upcycling ” criada por Orsola de Castro e Filippo Ricci. O conceito é explicado por Orsola em sua palestra no TEDxLondon. Orsola é a co-fundadora do movimento Fashion Revolution que surgiu em 2013 depois do desabamento da fábrica Rana Plaza em Bangladesh.

1 Comentário

  1. Para quem conhece o valor do tecido, dos aviamentos e da mão de obra para a produção de vestuário, reconhece claramente que o discurso é furado….. Os grandes lucros na comercialização dos produtos são os vilões nesta cadeia, ou seja, podemos comprar um produto barato e sustentável se as cadeias de lojas se dispuserem a lucrar menos.

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