Sem dúvida a impressão 3D está se expandindo rapidamente dentro da indústria da moda. Ela já ganhou popularidade com alguns dos designers mais populares da indústria, e tem atraído a atenção de celebridades e fashionistas de todo o mundo. É incrível como a impressão 3D teve um impacto tão grande em um curto período de tempo. Evidentemente estamos assistindo de camarote como essa revolucionária tecnologia está se unindo com a indústria da moda de uma forma que nunca foi experimentada antes na história do vestuário.

A estilista de 27 anos, Danit Peleg, é a mais recente designer que está explorando todo o potencial da tecnologia de impressão 3D. Para seu projeto de pós-graduação na Shenkar, uma escola de arte e design em Israel, ela desenvolveu uma coleção de moda de cinco peças que foi produzida inteiramente com uma impressora 3D caseira.

Depois de experimentar sem sucesso com os filamentos plásticos rígidos normalmente utilizados em impressoras 3D, Danit encontrou uma variedade de filamento forte, flexível chamado FilaFlex. O filamento foi desenvolvido com novas estruturas celulares elaboradas por pesquisadores de impressão 3D, assim o material permitiu a estilista criar “tecidos de renda”, assim ela poderia trabalhar com ele como se fosse um “pano.” Ela imprimiu seus “tecidos” usando uma impressora Witbox que custa US $ 1.800.

“Eu queria criar uma coleção de prêt-à-porter totalmente impressa em casa usando impressoras que qualquer pessoa poderia comprar”, explica Danit Peleg. “Eu fiquei o ano passado procurando a melhor solução, e eu trabalhei com os principais especialistas no ramo.”

A estilista se inspirou no incrível trabalho de “tecidos impressos” desenvoldidos por Andreas Bastian

Obviamente que Danit não é a primeira estilista a utilizar na impressão 3D. A designer holandesa Iris van Herpen tem mostrado suas esculturas vestíveis de impressão 3D nas passarelas há anos. No ano passado, uma dupla de designers do estúdio Nervous System produziram um vestido de plástico que fluiu exatamente como se fosse de tecido.

O arquitetos australianos, Kae Woei Lim e Elena Lim desenvolveram o vestido inBloom feito com filamentos flexíveis de PLA, o designer finlandês Janne Kyttänen criou uma micro coleção de impressão 3D para substituir malas de viajem e a estilista Noa Raviv fez sua bela coleção de graduação também utilizando a tecnologia.

Começando em setembro de 2014, Danit Peleg decidiu que ela iria usar a impressão 3D para criar a sua “coleção de pós-graduação” necessário para a sua licenciatura em Design de Moda. Na época, ela sabia muito pouco sobre a impressão 3D em geral, o que ela reconhecidamente sabia que seria um enorme desafio. Sua primeira peça, inspirada por uma pintura de Eugène Delacroix, chamado ” A Liberdade Guiando o Povo “, é um casaco que ela chama de” LIBERTE.”

“Eu modifiquei a pintura de modo que seria parecido com uma imagem 3D”, explicou a estilista. “Eu estava inspirada em trabalhar com os muitos triângulos presentes na composição da pintura.”

Só depois de pesquisar muito que ela encontrou o material FilaFlex na qual pode finalmente imprimir a jaqueta LIBERTE, exatamente do jeito que ela queria. Mas isso não foi o suficiente para Danit, pois ela queria se desafiar ainda mais com a criação de tecidos ainda mais elaborados para o resto da sua coleção. Isto é, quando ela começou a experimentar inspirada no design dos tecidos impressos 3D de Andreas Bastian.

“Depois que eu descobri como imprimir tecidos em casa, eu estava no meu caminho para criar uma coleção completa”, explica a estilista. “Seriam preciso mais de 2.000 horas de impressão, sendo que cada folha de tecido de tamanho A4 levou pelo menos 20 horas para impressão. Então eu tive que acelerar a minha coleção investindo numa verdadeira mini fábrica de impressão 3D em casa.” Isso é que é uma pessoa inspirada, e olha que ela nunca tinha mexido com impressão 3D antes.

Cada vestido da coleção teve uma média de 400 horas para imprimir. Além disso, ela passou mais tempo imprimindo seus sapatos, inspirados pelo designer Michele Badia, de modo que seus modelos de passarela estaria usando roupas e acessórios feitos 100% de impressão 3D. Tá vendo é assim que as coisas começam, um começa com uma ideia que vai inspirando os outros e quando você vai ver, a coisa já se espalhou por todo mundo.

“Este tem sido o ano mais interessante da minha vida”, diz Danit. Quando eu comecei, eu não tinha certeza de que eu seria capaz de fazer isso acontecer, mas com a ajuda de pessoas incríveis, eu fui capaz de cumprir com o meu sonho, de imprimir toda minha coleção de moda. Basta imaginar o potencial … Se você está com frio, imprima o seu próprio casaco. Viajar sem bagagem? Basta imprimir suas roupas no quarto do hotel. Será que vamos em breve ser capazes de projetar, compartilhar e imprimir nossas próprias roupas diretamente a partir de casa?” 

Essa é uma pergunta que vou deixar para você decidir a resposta, mas certamente parece que estamos nos movendo nessa direção. Mas a impressão 3D tem ainda alguns poucos obstáculos para superar antes de se tornar realmente uma tecnologia massificada. Primeiro é desenvolver novas tecnologias de impressão que sejam muito mais rápidas, com melhor acabamento e maior área de impressão do que as atuais.

Segundo é desenvolver uma forma eficiente para imprimir com fibras naturais pois se muitas pessoas já detestam usar roupas de poliéster, imagina então usar uma feita 100% de plástico.

Terceiro é fazer com que todos os filamentos para impressão sejam 100% biodegradáveis ou recicláveis e sem produtos químicos nocivos. A quarta e última seria diminuir sensivelmente o valor das impressoras e os custos de seus filamentos de impressão que são caros demais. Se a impressão 3D é tida como a maior revolução industrial da história humana pelas inúmeras aplicações em todas as áreas do conhecimento humano, inclusive dentro de nossas casas, o que faremos com os seus resíduos?

Veja aqui nesta matéria perguntas bem interessantes sobre essa tecnologia. O que fazer com as toneladas de produtos feitos de impressão 3D para que não se tornem mais um problema ambiental nos aterros sanitários que já estão superlotados? Não são todos os filamentos que podem ser biodegradáveis devido ao seu uso na impressão de peças de aviões, carros, navios, casas, produtos de área médica etc.

Mas eles podem ser projetados para serem reciclados facilmente. Já os filamentos utilizados para fabricação de roupas, acessórios e objetos de decoração podem ser 100% biodegradáveis. Neste post sobre a sustentabilidade da impressão 3D falarei mais a respeito.

O que achou dessa coleção de moda feita inteiramente de impressão 3D? Comente.

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