Será que enfim a indústria do fast fashion está acordando e buscando formas de amenizar os estragos que faz ao meio ambiente? Em março de 2015, foi anunciada uma parceria entre a H & M e a Kering, através da sua marca Puma, para juntos desenvolvem meios para criar uma economia sustentável de moda e fechar o ciclo sobre os refugos têxteis. A segunda maior varejista de moda do mundo está de braços dados com o conglomerado de luxo francês para anunciar sua participação em uma nova e revolucionária iniciativa de recuperar as fibras de vestuário e têxteis que chegam ao fim de sua vida útil.

A Worn Again é uma empresa com sede em Londres que está por trás da tecnologia de reciclagem química “têxtil a têxtil”, e a descreve como o primeiro de seu tipo capaz de separar e extrair o poliéster do algodão para reutilizar em novos fios. Esse processo, diz a empresa, irá permitir um modelo de “economia circular”, permitindo que os tecidos sejam recolhidos, processados e transformados em novos produtos têxteis e roupas de forma cíclica.

Formando o Futuro da Kering premia as grifes de moda que buscam inovar na sustentabilidade

Cíclo de Vida

Tecidos que misturam fibras naturais com sintéticas, são notoriamente difíceis de reciclar de forma eficaz em termos de custos. O processo é complicado pois aborda alguns dos obstáculos de separar as fibras que foram misturadas e a consequente remoção de tintas e outros contaminantes. Se esse processo de separar as fibra naturais das sintéticas já é complicado imagine então fazer a reciclagem dos tecidos tecnológicos que misturam fibras naturais ou sintéticas com microcircuitos eletrônicos para criar as “roupas inteligentes”?

A H & M e a Kering se uniram através da marca Puma, e estão monitorando o uso da tecnologia por meio de testes que visam demonstrar a sua viabilidade para a produção comercial. A parceria conjunta, nascida tanto por necessidade como ambientalismo, visa substituir o uso do poliéster derivado do petróleo, com a esperança de proporcionar uma nova fonte de baixo impacto, com matérias-primas de fibras celulósicas.

Em 2014, a Asia Petrochemicals Industry relatou que a produção global de filamentos de poliéster e fibra de algodão está em 65 milhões de toneladas. A demanda global por estas fibras subirá para 90 milhões de toneladas até 2020.

Anna Gedda, que substituiu Helena Helmersson como diretora de sustentabilidade da H & M em janeiro, diz que o projeto poderia transformar a indústria da moda. “A longo prazo, isso pode mudar a maneira de como a moda é feita e reduzir massivamente a necessidade de extração de recursos virgens do nosso planeta”, diz ela.“Além disso, nos traz mais perto de nosso objetivo de criar moda em um modelo circular.”

A Kering pretende ser o Conglomerado de produtos de luxo “Mais Sustentável do Mundo”  

A Kering era conhecida como PPR Group até mudar de nome para se tornar o conglomerado mais sustentável de produtos de luxo do mundo, disse Marie-Claire Daveu, a diretora de sustentabilidade da empresa, na Cimeira de Moda de Copenhaga, na Dinamarca.  Marie disse que a empresa, que opera etiquetas como Alexander McQueen, Gucci, Saint Laurent, Balenciaga, Stella McCartney e Puma, visa atingir 100% de obtenção sustentável de matérias primas como ouro, diamantes, couro e peles, bem como papel e embalagem em todas as suas marcas em 2016.

“Ficar em silêncio e não fazer nada não é mais aceitável”, disse Marie-Claire Daveu. A coisa sempre começa assim, primeiro as marcas de luxo embarcam na onda da moda sustentável e responsável, depois vem as grandes redes de fast fashion que não querem ficar para trás.

Uma empresa que se preocupa

A Kering recebeu o Prêmio de Liderança Global de Moda Sustentável 2014, por sua preocupação pelo impacto ecológico das atividades de negócios da empresa e operações de cadeia de abastecimento, mas também a sua decisão de aplicar o regime em todo o conglomerado.

“Até que começamos a atribuir valores monetários para as externalidades ambientais e sociais, a dinâmica do mercado vai continuar a desvalorizar a natureza e o bem-estar social”, disse Michael Schragger, diretora da Academia de Moda Sustentável, um consórcio sem fins de lucro da indústria que dirige o prêmio. “Mas, se usarmos a linguagem e as ferramentas de que os mercados e os agentes financeiros entendem, aumentamos significativamente nossa capacidade de demonstrar que o valor real reside. Isso é crucial para a indústria do vestuário, que se baseia em recursos naturais e humanos para ter seu sucesso continuado e duradouro.”

A Academia de Moda Sustentável acredita que, para melhorar significativamente o desempenho de sustentabilidade da indústria de vestuário, é necessária uma abordagem holística, para que as ações de diferentes atores, incluindo os organismos públicos, empresas com fins lucrativos e defensores da sociedade civil, sejam otimizados para acelerar as práticas sustentáveis.

1 Comentário

  1. Bom dia!!

    Geramos em nosso processo sobras de cintas de poliéster coloridas, bem como fios de poliéster brancos. Tenho certeza que poderão gerar recursos para alguma empresa de reciclagem, artesanal etc.. pois na realidade é um material nobre, entretanto em medidas que não conseguimos utilizar.
    Caso alguém se interesse, e queira mais detalhes, favor entrar em conato.

    Obrigado.
    Helio Cezar

DEIXE UMA RESPOSTA