Uma nova escultura pública feita de tecidos  oferece um olhar inquietante sobre os resíduos têxteis em uma das cidades mais cosmopolitas do mundo. A colaboração entre a ONG sem fins lucrativos Redress, a fabricante de eletroeletrônicos Miele, e a Academia de Artes Visuais da Universidade Batista de Hong Kong, patrocinaram a escultura  Y WASTE? para que o público tenha uma ideia visual dos tecidos que inundam os aterros Hong Kong: 360 kg a cada dois minutos.

“As taxas residuais de vestuários e têxteis em todo o mundo estão agora em níveis horríveis, o que precisamos enfrentar com urgência”, diz Christina Dean, fundadora da Redress, que organiza o anual EcoChic Design Award. “Nós estamos agora comprando e tratando as roupas como bens descartáveis” tudo isso incentivado pelo fast fashion.

Consumo gera resíduos, que introduz os seus próprios problemas, acrescenta Christina Dean. “Quando nós consumimos muito, tendemos a descartar mais“, diz ela. “Este padrão intragável de resíduos de vestuário, que vemos em Hong Kong e em outras partes do mundo, acaba criando vastos impactos ambientais e sociais negativos.”

A população de Hong Kong envia uma média de 95.550 toneladas de têxteis para os aterros a cada ano, ou cerca de 11.250 peças de vestuário a cada hora, de acordo com o Departamento de Proteção Ambiental que fica na China.

A modelo e embaixadora da Redress Elva Ni, que inaugurou a escultura, diz que espera que os consumidores comecem a repensar seu relacionamento com seu guarda-roupa. “Encorajo todos a valorizar mais suas roupas e ser parte de uma mudança positiva para ajudar a reduzir o desperdício, antes que seja tarde demais para o nosso meio ambiente”, diz ela. Na verdade vai ser tarde de mais é para nós mesmos!

Y WASTE? tem outra fã na figura de Christine Loh, subsecretária para o meio ambiente. “A questão do que fazer com os resíduos é muito importante para a nossa comunidade”, diz ela.”É gratificante ver a iniciativa Y WASTE? apresentando essas questões fundamentais ao público como também ver que os setores privado, universitário e ONGs estão juntando suas vozes com esta escultura criativa para salientar a necessidade de mudança.

Completando a mostra, que vai até 20 de julho no shopping K11 de Hong Kong, haverá uma série de workshops de moda e palestras educativas. No final do evento, todas as peças serão doados para instituições de caridade locais.

A Redress é uma ONG criada em 2007 em Hong Kong, com a missão de promover a sustentabilidade ambiental na indústria da moda, reduzindo desperdícios têxteis, poluição, consumo de água e energia. A ONG trabalha ao longo da cadeia de abastecimento e seu  trabalho está agrupado em quatro programas principais: O The EcoChic Design Award, The R Cert, Campanhas de Consumo e Eventos.

Coletivamente, os quatro principais programas cobrem uma competição internacional de design de moda sustentável, roupas feitas com têxteis reciclados, oficinas, campanhas de roupas, desfiles de moda, exposições, seminários e pesquisa. O perfil exclusivo da Redress lhes permite colaborar com uma vasta gama de interessados como vários estilistas, fabricantes de têxteis e de vestuário, varejistas, escolas e universidades, organizações multilaterais, governos, ONGs, instituições financeiras e organizações de mídia.

A região do Bom Retiro, em São Paulo (SP), possui 1200 confecções que produzem 12 toneladas de resíduos têxteis por dia. Atualmente, a coleta destes trapos é realizada de forma desorganizada e sem preocupação com a preservação ambiental. Para reverter essa situação, o Sinditêxtil-SP criou o Retalho Fashion. Dividido em três etapas, o projeto irá formalizar o trabalho de catadores e reaproveitar os resíduos descartados, por meio de empresas recicladoras. A iniciativa coonta com apoio do Senai, da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), da Câmara de Dirigentes Lojistas do Bom Retiro e da Prefeitura de São Paulo.

O que achou dessa mostra que alerta sobre os problemas dos resíduos têxteis nos aterros? Comente.

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