Já pensou parar numa posto de combustível e encher o taque do seu carro com bioetanol feito de resíduos de alimentos ou madeira? Isso é realidade na Finlândia, um pequeno e avançado país europeu que implementou os conceitos da economia circular e bioeconomia em toda sua indústria. Na Finlândia os resíduos agrícolas e industriais são reaproveitados nos mais diversos produtos de forma lucrativa e sustentável. Esse é o país do futuro agora!

Hoje, o mundo está se movendo graças ao petróleo mas as emissões de combustíveis fósseis são a principal causa da poluição do ar nas cidades além é claro da dependência de poucos países produtores. O mundo está se esforçando para encontrar uma alternativa mais sustentável ao petróleo e para isso são necessários novos biocombustíveis feitos de plantas ou resíduos agrícolas e industriais.

É por isso que a União Europeia estipulou que até 2020, 10% do consumo de energia para o transporte terá de ser derivado de fontes renováveis. O etanol ou seja, álcool, já está presente em pequenas quantidades na gasolina e é produzido principalmente usando cana de açúcar, milho ou trigo que são matérias-primas vegetais que se prestam facilmente para o processo de fermentação. Na verdade, a primeira geração da tecnologia chamada 1G, utiliza os açúcares de plantas que são facilmente convertidas em bioetanol.

Mas o bioetanol 1G cria um problema que é o aumento do preço das matérias primas com a disputa de terras cultiváveis para produção de alimentos e combustível, por isso em 2015, o Parlamento Europeu estabeleceu um novo regime de metas para limitar a quantidade de biocombustíveis 1G utilizados no setor dos transportes e estimulou o desenvolvimento de biocombustíveis de segunda geração (2G) feitos de resíduos agrícolas e matérias primas não comestíveis. Foi nisso que as empresas da Finlândia apostaram.

Finlândia lidera na fabricação de bioetanol a partir de resíduos de alimentos e madeira stylo urbano

Produção de etanol à base de resíduos de alimentos

A empresa de energia finlandesa St1 Biofuels Oy é pioneira em tecnologias de produção de biocombustível 2G a partir de resíduos. Na Finlândia, já existem cinco biorrefinarias Etanolix que transformam em etanol, alimentos descartados ricos em amido e açúcar como resíduos de pães, cerveja, batatas e mandioca. A empresa tem uma biorrefinaria Bionolix, que produz etanol a partir de resíduos biológicos das lojas e residências, e uma biorrefinaria Cellunolix que utiliza serragem e chips de madeira como matéria-prima.

Ao todo, a empresa pretende construir entre 10 e 15 biorrefinarias Etanolix na Finlândia, sendo todas automatizadas. As unidades de produção Etanolix são construídas perto de fontes de matérias-primas que produzem o tipo certo de resíduos fermentáveis como produtos de padarias, fábricas e moinhos de cerveja. A colaboração multilateral irá garantir que a fábrica de bioetanol tenha acesso a volumes suficientes de matéria-prima e seja capaz de operar de forma eficiente e rentável. A reciclagem de resíduos em bioetanol é rentável e sustentável, e não exige terra necessária para a produção de alimentos.

Produção de etanol à base de madeira certificada
 

O UPM BioVerno é um biocombustível 2G feito a partir de Tall Oil extraído num processo de produção de polpa. A maior parte da madeira utilizada neste processo vem das florestas certificadas da Finlândia. Este biocombustível foi desenvolvido pela UPM na Finlândia, reduzindo em 80% as emissões de gases de efeito estufa e não compete com a produção de alimentos.

O UPM BioVerno é uma alternativa sustentável aos combustíveis fósseis e se comporta da mesma forma que o diesel convencional em todos os motores e se encaixa perfeitamente nos sistemas de distribuição existentes. Ao contrário dos biocombustíveis de primeira geração, o UPM BioVerno não tem limite de mistura, de modo que os distribuidores podem ainda utilizá-lo sem mistura.

Segundo a empresa, ao utilizar 100% de UPM BioVerno no carro, o consumo de combustível não aumenta ou pode até diminuir, quando comparado com o diesel convencional. A Finlândia é uma ótima inspiração para o Brasil pois somos um país riquíssimo em recursos renováveis tanto em resíduos agrícolas como madeira certificada.

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