O grafeno tem sido usado na indústria eletrônica por ser incrivelmente forte, flexível, leve e condutor mas pode ser empregado em inúmeras aplicações como a de servir de alimento aos bichos-da-seda para produzirem uma nova “super seda” com capacidade condutora. A seda já é muito forte, e também um dos tecidos mais desejáveis do mundo, por isso foi a escolha óbvia para o experimento realizado por uma equipe da Universidade de Tsinghua na China. Eles alimentaram os bichos da seda com folhas de amoreira revestidas em uma solução feita com 0,2% de nanotubos de carbono ou grafeno, relata a revista Nano Letters.

A descoberta pode ter enormes implicações para a indústria têxtil, considerando que o material condutor pode ser tecido em têxteis o que facilitaria a criação de roupas inteligentes. Nós não precisaríamos mais usar dispositivos wearables que são muitas vezes volumosos e bem visíveis, pois nossas roupas integrariam e esconderiam a tecnologia. Depois que as folhas de amoreira que alimentavam uma cultura de bichos-da-seda foi pulverizada com uma solução líquida de grafeno e outra de nanotubos de carbono, os cientistas chineses perceberam que, em ambos os casos, os casulos feitos pelas larvas continham fios mais robustos que os tradicionais.

O nível de tenacidade da seda produzida pelos bichos-da-seda que ingeriram grafeno chegou a 38,04, na escala criada especificamente para avaliar a resistência de materiais, enquanto que a seda dos que comeram nanotubos de carbono alcançou 48,24 na mesma tabela. A seda convencional tem um valor de 22,7. A equipe descobriu nanomateriais de carbono, tanto na seda como no excremento das larvas, por isso mais pesquisa precisa ser feita para descobrir a quantidade exata que se precisa para alimentá-las e se a ingestão do grafeno pode causar intoxicação nos bichos-da-seda.

A seda resultante é duas vezes mais forte, e pode lidar com 50% mais stress antes de degradar, e depois de ser aquecida a temperaturas de até 1050 ° C, se mostrou condutora de eletricidade. Isso significa que a seda pode ser uma opção viável para os tecidos inteligentes, mas também para os dispositivos médicos embutidos no corpo. Ao incorporar o grafeno na seda, os pesquisadores unem os dois produtos mais desejáveis do mundo da moda e da ciência juntos.

Os pesquisadores não sabem ainda como o bicho-da-seda consegue metabolizar o grafeno e incorporá-lo à seda que fabrica. Pelo momento, esta nova super-seda poderia começar a ser usada na medicina, por exemplo, como parte da elaboração de implantes biodegradáveis, e no desenvolvimento de tecidos inteligentes. Quem poderia imaginar que os antiquíssimos bichos-da-seda pudessem fornecer a matéria prima das roupas inteligentes do futuro?

Futuro das roupas inteligentes: Bichos-da-seda alimentados com grafeno produzem "super seda" condutora stylo urbano

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