A Grana é uma loja virtual de moda que desenvolveu um modelo único de negócio cujo slogan é “moda de alta qualidade com baixos preços“. A empresa foi criada visando reconstruir o modelo do fast fashion a partir do zero focando nos clientes da geração Y que preferem comprar moda online. Para se diferenciar das marcas de fast-fashion, a Grana investe nos tecidos de alta qualidade, design atemporal e transparência,  não dando a mínima para as últimas tendências da moda.

Grande parte das roupas são produzidas em fábricas certificadas na China, mas a Grana se esforça para manter uma parte da produção nas fábricas de onde se origina o tecido. Os tecidos utilizados nas coleções vem das mesmas fábricas que fornecem para marcas de luxo como Ralph Lauren e Lacoste. As roupas são enviadas para o seu armazém central em Hong Kong para em seguida, serem enviadas via DHL Express aos clientes. O estilista chefe da marca, Anthony Hill, trabalhou para a grife inglesa Paul Smith.

A Grana consegue vender camisetas por US$ 15 e calças jeans por US$ 39, porque trabalha diretamente com fábricas têxteis, fabricantes e fornecedores de logística, por isso, oferece roupas femininas e masculinas de algodão pima do Peru, jeans fabricado no Japão, blusas de seda da China, camisas de linho da Irlanda, blusas de caxemira da Mongólia, lã merino da Itália entre outros. A sua cadeia de suprimentos simplificada faz com que seja capaz de monitorar as condições de trabalho nas fábricas de seus fornecedores.

Grana foi criada em 2013 pelo australiano Luke Grana depois que ele visitou seu irmão no Peru e aprendeu sobre o algodão pima, que tem fibras extra-longas e é valorizado pela sua suavidade, qualidade e força. Depois de voltar para a Austrália, ele começou a planejar um negócio para vender roupas feitas de algodão pima e outras fibras premium a preços acessíveis. Luke Grana se indagava: porque roupas de qualidade tem que custar caro?

Grana, a loja virtual de moda que vende roupas baratas feitas com tecidos premium stylo urbano-1
Os fundadores Pieter Wittgen da Holanda e Lucas Grana da Austrália na sede da Grana em Hong Kong

Como não tinha experiência na indústria da moda, Luke Grana foi trabalhar na Zara e French Connection para aprender sobre tecidos, custos e quais estilos os clientes querem. A empresa está sediada em Hong Kong porque a cidade não cobra impostos sobre roupas e tecidos importadas, por isso tecelagens e fábricas de vestuário de toda Ásia tem escritórios em Hong Kong fazendo da cidade o terceiro maior centro de logística do mundo.

A Grana é um negócio de logística e sua plataforma de tecnologia está integrada diretamente com o sistema de e-commerce da empresa de entregas DHL e as encomendas são apanhadas no armazém da Grana três vezes por dia. No momento, seus produtos são enviados para Austrália, Nova Zelândia, Cingapura, Hong Kong e EUA, e antes do final do ano, enviará para oito países incluindo França, Itália, Reino Unido e Holanda.

Mas em 2017 se der tudo certo, vender para o mundo todo será o próximo passo. A empresa criou uma “experiência híbrida” única que faz parte de uma nova tendência popular: offline-to-online, conhecida como O2O. Através de lojas pop-up, todo o mostruário da coleção fica exposto para que o cliente possa experimentar as roupas antes de comprar, mas a diferença é que ele não pode comprar nada na loja e levar para casa imediatamente.

Quando gosta de um produto na loja, o cliente vai até o caixa para fazer a compra online e receber a encomenda no dia seguinte. Veja o vídeo aqui. Essas lojas pop-up são espaços de varejo temporários criados pelas empresas de comércio eletrônico que permite aos clientes interagir com os produtos antes de fazer um pedido online.

A abertura de lojas pop-up visa resolver o problema da devolução de mercadorias compradas pela internet, porque muitas vezes as roupas não se encaixam nos clientes, ou porque eles não acham que a roupa coincide com a cor ou o estilo que viram online. Na loja, fica exposto somente o mostruário da coleção e não há estoque de roupas como nas lojas convencionais.

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Uma das lojas pop-up da Grana em Hong Kong

Segundo Luke Grana: “Nosso modelo de negócio é um pouco diferente pois lidamos diretamente com fábricas de tecido em vez de ir através de distribuidores ou agentes. Além disso, através da operação online, não temos que pagar aluguel. Trabalhamos com uma boa margem de lucro: se uma camiseta custa US$ 8, nós as vendemos no varejo por US$ 16, se uma calça jeans custa US $ 22 vai ser vendida por US$ 44. É um modelo de preços realmente honesto e transparente, e eu acho que é o que os nossos clientes da geração Y preferem”.

O mercado de moda é competitivo, mas Luke Grana e seu sócio Pieter Wittgen não querem ser uma pequena marca focada em produtos de luxo. O que eles querem é vender roupas com qualidade Ralph Lauren para clientes que compram na H & M e Zara. Uma camiseta da H & M pode ser mais barata do que US$ 12, mas provavelmente custa US$ 1-2 para fazer em fábricas que exploram trabalhadores. Luke e Pieter acreditam que há um grande mercado para atender as pessoas que estão cansadas da baixa qualidade que se encontra nas redes de fast fashion.

A principal vantagem da Grana é a de poder vender roupas baratas com tecidos premium e a capacidade de mudar rapidamente o inventário com base na demanda do cliente. O negócio disruptivo da marca recebeu o apoio financeiro da gigante do e-commerce Alibaba e de outros investidores que apostam no sucesso da empresa pois ela está crescendo de 25% a 40% ao mês, com uma taxa de repetição de ordem de 42%.

Estatística impressionante para uma empresa que se abstém de promoções e descontos para venda. Luke Grana se inspirou no sucesso da japonesa Uniqlo, que vende roupas básicas e baratas com tecidos premium em vez de seguir as tendências da moda e vender roupas de baixa qualidade como a Zara, Forever 21 e H&M.

O empresário admite que a “moda tem uma má reputação” por causa da exploração, mas salienta que não trabalha com fábricas que  usam produtos tóxicos e exploram trabalho de adultos e crianças, acrescentando que a empresa faz auditorias de segurança independentes nas fábricas. “Eu não quero copiar nada do modelo tradicional do fast fashion“, diz ele. “Estamos fazendo as coisas de forma diferente.

A Grana conseguiu fazer o que nenhuma marca de slow fashion conseguiu até agora, vender roupas básicas de ótima qualidade, feitas de forma responsável em alta escala e com preço acessível como as redes de fast fashion. Essa é uma marca que se enquadra no conceito Hybrid Fashion.

Fonte: techinasia

2 Comentários

  1. Interessante, mas impossível realizar sem um grande aporte financeiro por trás. O conceito e aplicação são coerentes, e trabalhar somente com empresas que não exploram crianças nem adultos e que não usam produtos tóxicos é um desafio!

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