A sustentabilidade na moda está ganhando cada vez mais espaço, pois muitas pessoas começaram a perceber e a se preocupar com os enormes problemas socioambientais criados por essa indústria. Algumas marcas de jeans estão buscando outras alternativas ao algodão tradicional e investindo no algodão 100% orgânico ou na sua mistura com outras fibras vegetais sustentáveis. A marca americana Hemp Blue e a japonesa Sugar Cane investem no nicho de jeans premium criando calças de denim feitas de cânhamo e cana de açúcar misturados com algodão orgânico.

Quando Derek Thomas visitou a Kingpins Show em Amsterdã em outubro de 2015, ele observou que a sustentabilidade será uma das tendências fortes de 2017. Poucos tecidos são tão sustentáveis como o cânhamo. Após a sua estreia de sucesso no Kickstaster em novembro de 2015, sua nova marca de denim americano chamada Hemp Blue, está agora produzindo coleções de jeans sustentáveis feitos com cânhamo. Mas Derek e seus sócios querem ir além e estão também lutando para a legalização do cultivo do cânhamo nos Estados Unidos que foi proibido nos anos 50.

Hemp Blue e Sugar Cane investem no jeans feito de cânhamo e cana de açúcar stylo urbano-1

O tecido de cânhamo é mais suave, mais forte e mais durável do que o algodão. Não precisa de produtos químicos na sua produção, gasta muito menos água do que o algodão e é resistente a mofo, fungos e aos raios UV. Lavá-lo, na verdade, faz com que fique mais suave, sem perder sua força.

A primeira coleção da Hemp Blue tem calças, camisas e jaquetas que são parcialmente feitas de cânhamo. Na América, o cânhamo é classificado como uma droga de Classe 1, ao lado do LSD e heroína (um absurdo), o que significa que é ilegal o seu plantio na maioria dos estados. Isto torna difícil para assegurar tanto a qualidade do cânhamo e as condições em que é cultivado.

Hemp Blue e Sugar Cane investem no jeans feito de cânhamo e cana de açúcar stylo urbano-2

A Hemp Blue importa sua cânhamo de fornecedores selecionados na Tailândia, Japão e Itália, onde existem práticas trabalhistas éticas. Infelizmente, não há oferta suficiente para produzir uma coleção inteira de cânhamo, de modo que é feita uma mistura da fibra do cânhamo com algodão orgânico americano. O jeans é feito com 42% de cânhamo e 58% algodão orgânico, enquanto as camisas e calças de sarja são uma mistura 30/70%. Calças de sarja femininas tem 39 % de cânhamo e 41 % de algodão.

Se a campanha pela legalização do cânhamo nos EUA tiver sucesso, o objetivo da marca é fazer com que todas as peças da coleção sejam produzidas unicamente de cânhamo “Made in USA” e tingidas com corantes naturais.

Além da fibra do cânhamo e da urtiga, a fibra de cana de açúcar não é muito utilizada nos produtos têxteis, mas no mundo do denim, é impossível ignorar o que a empresa japonesa Toyo Industries vem fazendo há anos em sua marca Sugar Cane & Co. A marca de jeans premium produz suas coleções de calças, jaquetas, camisas e outros produtos com 50% de fibras de cana de açúcar e 50% de fibras de algodão. As duas fibras são unidas para tecer o denim num tear manual que teve seu design inspirado nos antigos teares artesanais japoneses de 50 a 100 anos atrás.

Hemp Blue e Sugar Cane investem no jeans feito de cânhamo e cana de açúcar stylo urbano-3

Para desenvolver suas próprias calças de jeans originais, a Sugar Cane levou mais de 20 anos de pesquisa. Não foi fácil reviver as antigas máquinas que desapareceram há muito tempo, devido à racionalização. Foi uma operação conjunta com os tecelões de tentativa e erro para avançar passo a passo. O denim da Sugar Cane utiliza técnicas de tingimento tradicionais japoneses à mão e não à máquina.

Hemp Blue e Sugar Cane investem no jeans feito de cânhamo e cana de açúcar stylo urbano-4

No primeiro modelo “Sugar Cane Awa” o denim é feito de cana de açúcar tingido por índigo vindo de Awa. Awa costumava ser uma dos produtoras de índigo mais populares, localizada na parte ocidental do Japão. O segundo modelo “Sugar Cane Okinawa” é feito de fibra de cana de açúcar e índigo produzido na região de Okinawa, no Japão. O terceiro modelo “Sugar Cane Havaí” é feito de cana-de-açúcar e índigo importado do Havaí.

Da mesma forma que a fibra da urtiga que mencionei no post anterior, a fibra da cana de açúcar pode ser tranquilamente transformada em malha, sarja ou denim. O Brasil é o maior produtor de cana de açúcar do mundo e toneladas de bagaço que sobram da industrialização da cana poderia ser transforados em um tecido sustentável como alternativa ao algodão.

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