Um antigo complexo fabril, utilizado durante o Estado Novo e a Guerra Colonial para produção de bens alimentares para as Forças Armadas de Portugal, vai ganhar uma nova vida até final de 2018. O espaço, que está totalmente desativado desde 2011, será transformado num gigantesco pólo de empreendedorismo e inovação, descrito como uma das maiores incubadoras de empresas da Europa, um projeto ambicioso da Câmara Municipal de Lisboa e da Startup Lisboa.

O Hub Criativo do Beato ocupará os 35 mil metros quadrados e as duas dezenas de edifícios atualmente vazios e degradados. A dinamização, programação e gestão do espaço foi confiada pela Câmara à Startup Lisboa. Miguel Fontes, diretor executivo, explicou durante a apresentação que o Hub pretende ajudar a posicionar Lisboa como “uma cidade aberta, empreendedora, inovadora e criativa”.

O objetivo do projeto também é regenerar e dinamizar uma zona muitas vezes esquecida da cidade de Lisboa e que ainda escapa à pressão turística e normalização que se vai sentindo noutras partes da capital. Tudo aponta para que o Beato se torne no novo bairro criativo de Lisboa.

Os primeiros ocupantes do Hub Criativo do Beato serão a Factory, a Mercedes-Benz, a Web Summit e a Super Bock, quatro empresas com dinheiro para financiar a recuperação dos edifícios onde se instalarão em 2018. A Factory vem de Berlim e terá no Beato a sua primeira localização internacional, e montará no local mais um espaço onde startups e grandes empresas poderão trabalhar lado a lado.

A Mercedes-Benz instalará no Hub o seu primeiro centro digital a nível mundial onde programadores portugueses e do exterior desenvolverão os sites e aplicações da fabricante alemã. Já a Web Summit vai ter os seus escritórios, atualmente localizados no Cais do Sodré. Por fim, a Super Bock quer criar uma micro-cervejeira para produção de cerveja artesanal e também explorar os territórios da música e arte urbana, aos quais a marca tem vindo a associar-se ao longo dos anos.

O Hub Criativo do Beato quer, acima de tudo, atrair os mais inovadores e potenciar o ecossistema empreendedor da cidade, sem esvaziar as dinâmicas já existentes. Nele vai instalar-se também a Startup Lisboa, uma das principais incubadores de novas empresas da capital, e terá as portas abertas a projetos novos e pequenos. Também o espaço da Factory, quando estiver montado, irá acolher startups.

O espaço exterior do Hub estará a cargo da Câmara e será aberto a toda a comunidade, local e visitante. Será uma zona livre de carros com espaços verdes, onde poderão entrar famílias e animais de estimação, um espaço de vivência e não de mera circulação. A Factory prevê criar um terraço público no topo do seu edifício, com vista para o rio.

O Hub vai ter um conjunto de facilidades para ser um espaço agradável e moderno de trabalho, nomeadamente restaurantes e bares, um auditório, salas para reuniões e eventos, áreas de lazer e descanso, uma academia desportiva, uma creche, alojamento (co-living), uma lavandaria e mini-mercados. Existirá wi-fi em todo o espaço, fornecido pela Altice/PT e a arte urbana terá uma presença forte como elemento de ligação e de coerência estética entre os diferentes espaços.

Hub Criativo do Beato em Lisboa será um do maiores pólos de empreendedorismo e inovação da Europa stylo urbano

A estimativa é que, quando o projeto estiver funcionar plenamente, sejam criados três mil postos de trabalho.  A ideia é que o município de Lisboa suporte o investimento na parte mais infra-estrutural, no desenvolvimento da área, em termos de redes de água e esgotos, eletricidade, ‘Wifi’”, e que depois os diferentes projetos que se instalem nos espaços suportem o investimento associado à reabilitação e à adaptação dos mesmos à função pretendida.

Fonte: Shifter

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