Cientistas descobriram um meio de incorporar o grafeno ao algodão para permitir a integração perfeita entre eletrônica e tecidos. Chamado de “material milagroso”, o grafeno mostrou tanto potencial que a Universidade de Cambridge fundou um centro de pesquisa em seu nome. Uma equipe de pesquisadores da Cambridge Graphene Center (CGC) e a Universidade de Jiangnan na China, projetaram um sensor de movimento vestível usando algodão revestido com tinta à base de grafeno. A tecnologia que é barata e sustentável poderia ser utilizada em roupas biomédicas, militares, esportivas e outras aplicações.

Para desenvolver o algodão condutor, a equipe da CGC modificou quimicamente os flocos de grafeno para que pudessem se fixar firmemente às fibras de algodão, como tintas coloridas. O processo ajuda a manter as propriedades condutoras do grafite mesmo após várias lavagens e permite que os investigadores possam instalar sistemas eletrônicos flexíveis em peças de vestuário.

O grafeno é um material de baixo custo, ambientalmente amigável, altamente flexível, escalonável e uma alternativa superior aos materiais rígidos como Silício ou Índio utilizado nos eletrônicos atuais. O processo criado pela CGC de introduzir grafeno no algodão, é uma forma sustentável para produzir tecidos condutores que podem ser lavados em máquinas de lavar normais e que são compatíveis com o uso diário. No futuro, o tecido revestido de grafeno poderia até mesmo criar a “roupas de invisibilidade”.

Embora vários investigadores de todo o mundo têm desenvolvido sensores portáteis, a maioria das atuais tecnologias portáteis dependem de componentes eletrônicos rígidos montados sobre materiais flexíveis, tais como filmes de plástico ou tecidos. Estes oferecem compatibilidade limitada com a pele e em muitas circunstâncias, se danificam quando lavados e são desconfortáveis ​​de usar, porque não são respiráveis.

Outras tintas condutoras são feitas de metais preciosos como a prata, o que os torna muito caros para produzir e não sustentáveis, enquanto que o grafeno é barato, ambientalmente amigável e quimicamente compatível com algodão. O conforto, durabilidade e acessibilidade do algodão o torna uma base ideal para tecidos inteligentes. Ao integrar o algodão com grafeno, os pesquisadores foram capazes de manter as características desejáveis ​​de ambos os materiais.

Os tecidos com grafeno se tornarão a base de construção para Wearables, tecidos eletrônicos flexíveis, monitoramento da saúde, exercícios e ambiente, conversão de energia e muitos outros. No Brasil, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) fez uma aproximação entre produtores de algodão e cientistas do Centro de Pesquisa Avançada em Grafeno (MackGraphe) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, para analisar as possíveis aplicações do grafeno na cotonicultura brasileira. Veja mais aqui.

Pesquisadores desenvolveram roupas que contém sensores  para medir a frequência cardíaca, frequência respiratória e todos os tipos de bioindicadores. Também foram desenvolvidas roupas que geram sua própria energia através de tintas fotovoltaicas ou sistemas de coleta de energia cinética no tecido, para carregar o seu smartphone ou dispositivos inteligentes aplicados na roupa.

Existem milhares de outros desenvolvimentos possíveis para vestuário inteligente, a partir de tecidos de auto-limpeza para tecido que mudam de cor de acordo com estímulos. Estes tecidos inteligentes mudarão a forma como vemos nossas roupa e tornarão a tecnologia bem próxima de nossos corpos.

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