Qual seria a forma mais sustentável de fornecer alimentos para mais de 7 bilhões de pessoas no planeta? Com certeza os cientistas não irão dizer que são alimentos de origem animal. Um trio de pesquisadores chilenos criou a The Not Company (NotCo), uma startup de tecnologia de alimentos veganos que utiliza um programa de inteligência artificial que identifica quais elementos das plantas pode ajudar a recriar o sabor de queijo, iogurte, maionese ou chocolate, criando assim alimentos que não tem nenhum ingrediente de origem animal.

A ambição da The Not Company é a de revolucionar a indústria alimentícia se tornando a “Apple dos alimentos” onde as pessoas ficam ansiosas esperando os novos lançamentos,  diz Matthias Muchnick de 27 anos, um dos fundadores da startup. A sua aposta é misturar as ciências biológicas e inteligência artificial para identificar os elementos presentes em diferentes plantas que podem ser usados para desenvolver alimentos saborosos, nutritivos e acessíveis à base de plantas que tenham gosto parecido com os de origem animal.

O que torna essa startup chilena tão especial? A capacidade do seu software para criar receitas à base de plantas que reconstroem a estrutura molecular de um alimento de origem animal não tem correspondência registrada na ciência. Os fundadores Matias Muchnick (engenheiro) e Karim Pichara (pesquisador de Harvard), juntamente com a bioquímica Isidora Silva projetaram um modelo de inteligência artificial chamado “Giuseppe” que está programado para se tornar o mais inteligente cientista de alimentos do mundo.

“Giuseppe” utiliza técnicas de aprendizado de algorítimos para entender os alimentos em um nível molecular, e também aprender como funciona a percepção humana de sabor, aroma e textura de alimentos específicos e desenvolve um conjunto de dados. Usando o algoritmo inteligente chamado Giuseppe , eles recriaram receitas à base de plantas que simulam o sabor, aroma, textura de um produto de origem animal.

Inteligência artificial cria alimentos veganos que substituem os de origem animal stylo urbano

Todo o processo é complexo, mas foi projetado para que Giuseppe entenda perfeitamente a percepção humana de paladar e textura ao criar uma fórmula nutricional saborosa e acessível, utilizando menos água, menos terra, menos energia, eliminando o cultivo de alimentos para a ração animal, utilização de hormônios de crescimento e a necessidade de manter os sistemas de confinamento e abate industrial de animais.

A tecnologia por trás de Giuseppe também irá trabalhar com dados sobre o uso de recursos, para melhor determinar o melhor equilíbrio entre a disponibilidade de recursos, uso de energia, uso da terra, sabor e nutrição. Até agora, a equipe está desenvolvendo uma linha de alimentos livre de animais como carnes, queijos, leites, condimentos, mas o objectivo geral é usar a inteligência artificial para eliminar a criação de gado animal e substituí-lo pelas plantas que poderiam ser produzidas localmente.

A empresa vai lançar alguns de seus produtos em alguns supermercados chilenos no próximo mês. O trabalho feito por Giuseppe indica que não deveríamos estar gastando milhões de toneladas de grãos para alimentar os animais a fim de obter a nossa carne, queijo, leite e ovos, mas deveríamos em vez disso estar usando as plantas para criar novos produtos de forma saborosa, nutritiva e sustentável! A ideia é fazer com que alimentos como leite e queijo vegano sejam mais nutritivos e saborosos sem o uso de soja, glúten, OGM, nem hormônios.

Confira este vídeo onde a equipe do NotCo fala com Al Jazeera sobre o seu trabalho, seus objetivos e sua visão para o futuro da indústria de alimentos. Além da startup chilena outras empresas estão investindo nesse crescente nicho de alimentos veganos como a Impossible FoodsPlant Based FoodsBeyond Meat.  É muito importante que surjam alternativas mais sustentáveis para produção de alimentos pois a população mundial vai continuar a aumentar e isso vai demandar mais animais e recursos para alimentá-los.  Só as novas tecnologias podem solucionar esse drama alimentar e ambiental.

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