A tecnologia de impressão 3D oferece aos estilistas um novo meio de criar formas arrojadas, esculturais e inspiradoras. Esta semana, durante os desfiles de alta costura na Paris Fashion Week 2018, a estilista holandesa Iris van Herpen apresentou mais uma vez maravilhosos vestidos que fundem o artificial com o orgânico explorando a técnica PolyJet, que permite criar peças de resina de alta qualidade e com superfície lisa sobre tecido.

A coleção de alta costura primavera/verão 2018 combina uma paleta de cores naturais de tons verdes, amarelos, azuis e púrpuras desbotados com cores de pele e negros. As 21 peças de vestuário foram produzidas com tecnologia digital de ponta como corte a laser, design paramétrico e impressão 3D, no entanto, cada uma tem uma qualidade natural e orgânica. O desfile abriu com a peça tecnicamente mais interessante, um vestido que levou 260 horas para ser impresso usando a técnica PolyJet.

Iris van Herpen 'Ludi Naturae' @parisfashionweek — Foliage dress: A PolyJet tech. 3D printer printed 260 hours, printing directly onto tulle as thin as 0.8 mm. Researchers developed a parametric model to translate 2D patterns into 3D data The resin cured when exposed to ultraviolet light, obtaining the final shape after post-processing when stresses within the material deform. Three variations of this material were altered on droplet level, achieving the color and transparency. This design fuses precisely controlled digital 3D modeling and the less predictable analog nature of deformation. In collaboration with TU Delft. — Photography by @yannisvlamos Styling: @patti_wilson Casting: Maida Boina & @maximevalentini Make-up: Terry Barber | @maccosmetics Hair: @martincullen65 | @streetersldn Manicure: @jessicascholten_ | @opinl Music: @sssalvadorrr Breed Collaborating artist: Peter Gentenaar Creative consultant: @jerry_stafford Press: @karlaotto — #irisvanherpen #ludinaturae #parisfashionweek

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Não se esqueça de como a natureza projetou a si mesma”, comentou Van Herpen num artigo para a Vogue : “Acho que nós, como seres humanos, nem chegamos perto da inteligência dentro da natureza. É engraçado como as pessoas pensam que a natureza é simples e a tecnologia é complexa, mas é o contrário, a tecnologia é simples e a natureza é complexa”.

“Foliage” é uma das três técnicas de fabricação apresentadas pela estilista na  coleção Ludi Nature 2018. Com a técnica, Van Herpen imprime um delicado padrão de folha em 3D diretamente sobre um tecido fino e semi-transparente. Isso funciona como uma impressora jato de tinta 2D: a impressora despeja pequenas gotas de um líquido fotopolímero que é curado instantaneamente graças à luz UV.

A técnica “Foliage” foi desenvolvida em colaboração com a Delft University of Technology (TU Delft) que também desenvolveu alguns experimentos interessantes de material impresso 4D para itens que se “auto-montam” sob demanda. A técnica foi usada para imprimir padrões parecidos a folhas tão finas quanto 0,8 mm. Tecido de tule foi então colocado na impressora 3D para imprimir diretamente no tecido, criando uma suavidade excepcional. Para tanto, os pesquisadores desenvolveram um modelo paramétrico para traduzir padrões 2D em dados 3D. Três variações deste material foram alteradas no nível das gotículas, alcançando a cor e a transparência.

Entropy e Data Dust

No segundo processo chamado “Entropy”, van Herpen utilizou uma técnica interessante para colar couro com tecido líquido, compactando e entrelaçando os dois materiais, para criar um tecido ondulado gradual que depois foi vazado à laser.

Na última técnica, “Dust Dust”, os padrões paramétricos foram distorcidos no computador por Van Herpen para serem em seguida, cortados a laser, destacados e aplicados por calor sobre uma tule de seda invisível, criando falhas radiantes e cativantes.

Ao fechar o desfile estava o vestido Ludi Naturae usado pela coreana Soo Joo Park, que é feito de organza de seda, poliéster mylar e veludo que foram submetidos ao calor, cortados a laser e montados juntos, criando uma verdadeira escultura vestível com design inspirado nas delicadas esculturas de celulose em grande escala do artista holandês Peter Gentenaar que decoraram a passarela.

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