Será que os robôs são a melhor solução para uma gestão omnichannel do estoque das lojas inteligentes de varejo? As tecnologias de consumo mudam continuamente, e estamos a assistindo a muitos desenvolvimentos inovadores. Por um lado, as lojas pop-up de nichos específico que vendem produtos como cerveja artesanal, roupas vintage, objetos de design exclusivo entre outras coisas estão crescendo nas cidades. Por outro lado, muitas lojas tradicionais na maioria das cidades estão desaparecendo, resultando em ruas comerciais e fachadas abandonadas.

Mas há uma luz no fim do túnel: os robôs e as novas tecnologias interativas poderiam salvar o comércio do declínio. Atualmente, as lojas físicas estão adotando tecnologias avançadas para não perder terreno para suas rivais virtuais. Elas estão usando de tudo, desde robôs e espelhos digitais interativos para prateleiras com sensores com o objetivo de atrair os consumidores que só compram pela Internet, e talvez até mesmo incentivá-los a gastar mais no processo.

A nova loja de supermercado experimental da Amazon em Seattle, aberta no início deste ano, permite que os consumidores comprem produtos sem a necessidade de parar numa fila de caixa. Sensores monitoram todos os itens nas prateleiras quando os compradores os colocam nos cestos ou os devolvem à prateleira. Os produtos selecionados aparecem num aplicativo da Amazon no smartphone, e a compra é debitada automaticamente na conta do comprador.

As empresas Kroger, Neiman Marcus e Lowe já experimentaram as lojas de varejo futuristas. Robôs, por exemplo, poderiam atender os clientes dentro da loja levando-os até a seção onde está o produto, enquanto aplicativos de realidade aumentada poderiam ajudá-los a ver como um determinado tom de tinta vai ficar na sua sala de estar ou ver como uma determinada roupa fica bem em seu corpo. Muitas dessas tecnologias foram apresentadas na feira CES 2017 em Las Vegas.

As grandes redes varejistas sabem que a tecnologia não pode ficar longe dos compradores. Tem que ser fácil de usar e benéfica para os consumidores, ajudando a economizar tempo ou dinheiro. Se os varejistas utilizarem as novas tecnologias corretamente, poderão ter sucesso em diminuir as despesas em suas lojas de varejo num momento em que os consumidores preferem cada vez mais para fazer compras online. Veja algumas tecnologias que já estão sendo testadas e que em alguns anos estarão dominando o varejo.

Robôs assistentes 

A experiência do cliente em lojas de varejo permaneceu relativamente inalterada há décadas, mas as suas expectativas mudaram significativamente. A Lowe Innovation Labs em parceria com Fellow Robots introduziu a tecnologia de “robô autônomo para serviço de varejo“, amplificando a experiência de compra dos clientes e funcionários, antecipando e respondendo às suas diversas necessidades, preferências e desafios.

Em 2016, a Lowe lançou o LoweBot que é capaz de encontrar produtos e conversar com os clientes em Inglês ou Espanhol e navegar pela loja. Como o LoweBot ajuda os clientes com perguntas simples, os funcionários podem se concentrar em oferecer seus conhecimentos e experiência aos clientes. Além disso, LoweBot pode rastrear o estoque em tempo real, o que ajuda a detectar padrões que podem guiar as decisões de futuros negócios.

Tally é um robô criado pela Simbe Robotics que monitora todo o estoque nas prateleiras utilizando sensores e câmeras para navegar pelos corredores do supermercado vendo se os produtos estão com os preços corretos, se tem algo fora de lugar ou acabando e até mesmo avisa quando o alimento se aproxima do seu prazo de validade. O robô tem 97 centímetros e pode digitaliza os produtos em prateleiras com até 2,4 metros de altura.

Tally promete acabar com a frustração dos clientes em encontrar prateleiras vazias na busca de um determinado produto. O robô que utiliza tecnologia Intel, é descrito como o primeiro “sistema autônomo de auditoria para prateleiras” do mundo e é capaz de digitalizar uma pequena mercearia em 40 minutos, enquanto uma frota deles poderia monitorar o estoque em grandes supermercados. Tally pode digitalizar os dados de até 20.000 produtos em uma hora. Uau, isso é que é eficiência! Humanos podem fazer isso?

A empresa Shelfie resolve os desafios operacionais dos varejistas modernos, fornecendo uma plataforma analítica de varejo com plano gramas, análise de lacunas, resolução incorreta de etiquetas e manutenção proativa das lojas. Além do robô autônomo que monitora todos os produtos dentro da loja, a plataforma conta com um drone que rastreia todo o estoque quardado.

A gigante Amazon além de seu sistema de supermercado inteligente, possui 3 mil robôs Kiva em seu enorme centro de distribuição na Califórnia, onde essas máquinas cheias de sensores podem navegar pelo armazém transportando estantes cheias de produtos até os empregados poderem digitalizá-los e depois enviá-los aos clientes. Milhares de robôs inteligentes Kiva navegam em dez centros de distribuição da Amazon.

Os clientes também vão começar a ver robôs que interagem com eles mais profundamente. A empresa japonesa SoftBank Robotics está testando um robô humanoide chamado Pepper em dois shoppings na Califórnia. Ele cumprimenta os compradores e lhes mostra onde está o produto que procuram dentro da loja, e também pode enviar mensagens adaptadas à idade e sexo das pessoas através do reconhecimento facial. A SoftBank Robotics está trabalhando com varejistas de vestuário para ajudar a sugerir roupas para os clientes.

A empresa japonesa Hitachi, apresentou em 2015 um sistema robótico com dois braços que organizam os estoques em armazéns de forma super ágil. A plataforma automatizada móvel conta com dois robôs Epson ProSix C4-A901S montados sobre dois elevadores de tesoura. Um dos robôs está equipado com duas garras , ventosas e um sistema de visão. O outro robô está equipado com um outro sistema de visão, uma ventosa maior e algum tipo de prato. A Hitachi está desenvolvendo o sistema de inteligência artificial do robô e planeja lançá-lo em 2020.

A empresa americana Boston Dynamics apresentou uma nova versão do robô autônomo Atlas, projetado para operar ao ar livre e dentro de edifícios. Ele tem baterias internas, articulações hidráulicas, pernas para equilibrar e andar, sensores em seu corpo e cabeça para evitar obstáculos, avaliar o terreno, ajudar com a navegação e sua maior especialidade é a de manipular objetos.

No futuro, uma versão mais avançada, resistente, magra, silenciosa e acessível do Atlas produzido em massa, estará organizando os estoques dentro de armazéns, lojas e atendendo os clientes nas lojas em qualquer lugar. Vendo o que o Atlas é capaz de fazer hoje, imagine sua versão melhorada daqui a 10/15 anos? Com certeza os trabalhos manuais repetitivos e mais simples serão feitos por robôs descendentes do Atlas.

Lojas inteligentes de varejo utilizam robôs e tecnologias interativas para atrair clientes stylo urbano

Prateleiras e painéis inteligentes

As prateleiras inteligentes com sensores farão a análise de comportamento do consumidor nas lojas de varejo. A startup americana Perch Interactive, usa projetores e sensores à laser e de movimento para detectar quando um produto é tocado numa superfície plana ou numa prateira. A Perch monitora as interações e permite que os varejistas saibam o que as pessoas pegaram, mas não compraram. Ele também oferece recomendações: Quando um cliente pega um determinado produto específico, uma exposição interativa aparece para mostrar todos seus componentes, outros produtos complementares, cores etc.

No supermercado do futuro apresentado na EXPO 2015 de Milão havia robôs que ajudavam a escolher os artigos e espelhos digitais com todas as informações pertinentes sobre os artigos à venda.

A rede de supermercados Tesco criou um incrível conceito de supermercado virtual sem produtos físicos, que pode ser instalado em qualquer lugar, incluindo no metrô. A ideia é bem simples pois basta instalar painéis nas paredes com fotos realísticas dos produtos numa prateleira de supermercado com seus respectivos códigos QR para serem lidos pelo smartphone. Os supermercado virtual oferece 500 tipos de produtos.

Assim o cliente pode fazer suas compras sem fila, sem estresse e receber tudo em casa depois de pagar pelo celular. A única desvantagem é que você não pode tocar e sentir os produtos até recebê-los em casa. Essa é uma forma inteligente da Tesco de economizar na construção de caras lojas físicas e investir no seu centro de distribuição.

Carrinho de compras inteligente

Fazer compras vai se tornar mais simples para quem tem dificuldades de mobilidade ou detesta segurar cestas de compras. Utilizando tecnologia de reconhecimento de imagem e a um sensor Kinetic da Microsoft, o WiiGo segue o cliente na loja, sem se perder e desvia dos obstáculos. É um carrinho de compras inteligente criado pelo inventor português Luís de Matos, que se movimenta numa cadeira de rodas, e devido a sua necessidade de maior mobilidade, idealizou o WiiGo para responder também às necessidades dos outros.

Como nós cadeirantes temos muitas dificuldades em empurrar um carrinho de compras convencional, a minha equipe e eu desenvolvemos um sistema que nos permite transportar objetos sem dificuldade”, explica o inventor. O Wi-Go foi pensado não só para áreas comerciais, como também para hospitais e aeroportos. Não é uma maravilha não ter que empurrar um carrinho de compras eu segurar sacolas?

Espelhos digitais interativos

As lojas de roupa mais sofisticadas estão testando espelhos interativos nos provadores, um lugar-chave onde os compradores decidem se querem comprar ou não. A marca feminina Rebecca Minkoff instalou provadores com espelhos interativos em suas lojas para oferecer as clientes uma série de facilidades como acessar toda coleção da marca, ver as cores e tamanhos disponíveis e pedir a vendedora que os traga além de controlar a iluminação do provador. As clientes podem fazer comparações das peças lado a lado sem ter que provar todas elas. Elas também podem compartilhar o que gostaram com amigos para receber feedback.

Realidade Aumentada e Virtual 

Os varejistas também irão abraçar a realidade virtual e a realidade aumentada para ajudar os compradores a descobrir os produtos que mais lhes agradam de forma mais divertida e interativa. Com a realidade aumentada, os clientes podem interagir com espelhos digitais na vitrine ou dentro da loja que podem sobrepor roupas e acessórios sobre a imagem do cliente, assim ele pode experimentar os mais diversos looks movimentando as mãos ou braços até achar o que lhe agrada e efetuar a compra na loja .

Com a realidade virtual você usa um óculos VR com fone de ouvido para mergulhar completamente num mundo virtual construído em 3D ou com imagens pré-gravadas de lugares reais como o  interior de uma loja, supermercado ou até desfile de moda. Com os avanços tecnológicos essas ferramentas vão se tornar mais difundidas da mesma forma que foi com o smartphone.

A Tesco leva seu inovador conceito de supermercado virtual a um outro nível com a tecnologia de realidade virtual onde o cliente experimenta um passeio pela loja vendo todos os produtos e comprando online para receber em casa. Sem necessidade de construir mais lojas físicas.

Máquinas de venda automática 2.0

A automação do varejo não é nada novo. Estamos todos familiarizados com as máquinas de venda automática tradicionais que vendem refrigerantes, lanches, livros entre outras coisas. A primeira grande onda de máquinas de venda automática surgiu em meados de 1800 que vendias coisas como selos, amendoim e charutos.

Mas depois de ter oferecido uma gama de coisas básicas e ser muito usada para fazer marketing e entretenimento, a última geração de máquinas de venda automática são muito mais sofisticadas. Oferecendo produtos frescos e novos, aumentando a conveniência dos consumidores, tornando estes produtos disponíveis 24/7 e criando um ambiente “faça você mesmo”, as novas máquinas de venda automática podem substituir gradualmente as lojas e serviços tradicionais com um custo muito menor.

SpeedyShop

Uma loja totalmente automatizada era o sonho do designer e engenheiro elétrico Peter Fox de 50 anos. Peter não conseguiu encontrar um fabricante para fornecer o que ele queria, então ele mesmo arregaçou as mangas e construiu ele mesmo sua loja. Peter disse: “Eu costumava morar em uma pequena aldeia, e muitas vezes chegava tarde em casa devido ao trabalho e via que tinha acabado algo. A ideia de uma loja automatizada cresceu gradualmente em minha cabeça e eu cheguei a um ponto na minha carreira onde era “agora ou nunca”, então eu decidi fazer.” Como diz o ditado: A necessidade é a mãe das invenções.

A “SpeedyShop” permitirá que as comunidades rurais tenham acesso a produtos básicos 24 horas por dia, 7 dias na semana. A máquina inteligente estoca mais de 60 produtos de leite e detergente para lanches, ovos e papel higiênico. Ela tem todos os produtos digitalizados e uma vez que o estoque começa a diminuir, a máquina emite automaticamente uma mensagem de email que pede mais produtos. O pagamento pode ser feito com dinheiro ou cartão e a máquina tem uma série de características de segurança, incluindo câmeras e alarmes. É uma ideia fantástica para uma franquia de SpeedyShop que pode ser instalada em qualquer lugar.

24RoboMart

Criada pela empresa Oasis24Seven, a 24RoboMart é uma mercearia robótica para vender comida e vários outros produtos sem a necessidade de funcionários graças a seu sistema automatizado. Ela pode ser instalada em qualquer lugar e é à prova de balas, protegida por câmeras de segurança, aceita dinheiro ou cartões e é capaz de realizar transações em Inglês, Francês ou Espanhol. Os clientes tem a disposição até 200 itens para comprar, incluindo produtos frescos, pão, leite, ovos e produtos de higiene pessoal. A 24RoboMart funciona 24 horas por dia, sete dias por semana para atender as necessidades do consumidor.

A mercearia robótica preenche o vazio em pontos de venda com custo eficaz para marcas de alta qualidade, alimentada pela tecnologia self-service mais recente e modelos operacionais empresariais inovadores. A partir de produtos de supermercado para venda de materiais de escritório e muito mais, a empresa Oasis24seven disponibiliza produtos para estacionamentos, colégios, hospitais, bases militares, condomínios fechados, postos de gasolina, parques temáticos, centros de transporte e muitas mais oportunidades de negócios.

Quando o estoque dos produtos começam a baixar, a maquina avisa ao dono da mercearia pelo smartphone para que ele possa avisar a empresa de abastecimento levar repor os produtos em falta. Como pode ver, os robôs e as novas tecnologias de varejo vão tornar nossas vida bem mais cômodas e agradáveis. Que o futuro venha logo!

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