A Porsche apresentou seu supercarro conceito 100% elétrico chamado Mission E que vai dos 0 aos 100 km/h em apenas 3,5 segundos e aos 200 km/h em menos de 12. O mais recente protótipo da marca alemã está equipado com dois motores de 400 volts com 600 cavalos de potência. Uma das tecnologias incríveis do Mission E é o seu nível da autonomia da bateria, que permite percorrer 500 quilômetros, e depois recarregar 80% da bateria em apenas 15 minutos, através do seu exclusivo sistema ‘Porsche Turbo Charge’.

Interior holográfico

Ao contrário da maioria dos supercarros da Porsche, o Mission E tem lugar para quatro passageiros. O protótipo conta com um painel de controle com tecnologia OLED, que incorpora várias funções holográficas táteis. Outra inovação é a câmara no espelho retrovisor que identifica as emoções do condutor e permite partilhar o seu estado de espírito, assim como trajetos, através das redes sociais. Tal como os carros da Tesla, as baterias do Mission E são de lítio-íon, e estão posicionadas no chão pelo baixo centro de gravidade.

O Mission E não passa de um protótipo, e a Porsche não revela se este modelo alguma vez será produzido. Contudo, a fabricante alemã sabe que não poderá ficar alheia aos automóveis 100% elétricos que estejam à altura de concorrer com o Tesla Model S. O supercarro é verdadeiramente um escândalo em tecnologia e design.

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Mas por que os carros elétricos demoraram décadas para ressurgirem das trevas onde foram jogados?

A história dos carros elétricos

Para entender melhor por que os carros movidos a combustíveis fósseis dominaram o mercado automobilístico durante décadas tornado o ar das cidades cheio de poluentes químicos, temos que voltar ao passado. Os veículos elétricos estão entre os primeiros carros construídos durante os anos iniciais da indústria automobilística. O primeiro veículo independente a rodar com eletricidade foi construído na década de 1830, na Escócia.

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Uma mulher, por volta de 1912, carregando com uma manivela seu carro elétrico Columbia Mark 68 Victoria.

A fonte de energia para esse veículo não era recarregável, um problema considerável. Vários outros veículos elétricos chegaram às ruas nos anos 1800, mas o primeiro automóvel elétrico real surgiu em 1891, na oficina de William Morrison, de Des Moines, em Iowa. Em 1897 uma frota de táxis elétricos estava operando em Nova York. Em 1900, 28% de todos os carros nos Estados Unidos rodavam com eletricidade e eram reverenciados pela mídia da época como o “futuro dos carros”.

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O passado se repetindo no presente

Pouco depois desse pico de popularidade, o carro elétrico caiu em declínio. Henry Ford introduziu o Modelo T, com motor de combustão produzido em massa, tornando os automóveis acessíveis a milhões de pessoas. Em 1920 o carro elétrico havia praticamente desaparecido, substituído por carros que iam mais longe e mais rápido com mais energia. A transição para o motor de combustão interno foi auxiliada pelo fato de que a gasolina estava prontamente disponível a preços baixos.

O declínio do carro elétrico

Pelas seguintes razões o carro elétrico caiu em popularidade, e levou várias décadas para que houvesse um interesse renovado neles.

Por volta de 1920, os Estados Unidos tinham um ótimo sistema de estradas que ligava as cidades, trazendo consigo a necessidade de veículos de maior alcance.

A descoberta de petróleo bruto no Texas reduziu o preço da gasolina de modo que esta se tornou acessível para o consumidor médio.

A invenção do arranque elétrico por Charles Kettering, em 1912, eliminou a necessidade de manivela para fazer o carro pegar.

As baterias demoravam para carregar e tinham autonomia limitada em comparação a gasolina.

Pressão do cartel da indústria do petróleo para que seus combustíveis baratos e poluentes fossem a única fonte de energia dos automóveis.

O início da produção em massa de veículos com motor de combustão interna por Henry Ford fez esses veículos amplamente disponíveis e acessíveis na faixa de preço de US$ 500 a US$ 1.000. Em contrapartida, o preço dos veículos elétricos produzidos de forma menos eficiente continuou a subir. Em 1912, um carro elétrico era vendido por US$ 1.750, enquanto um carro a gasolina era vendido por US$ 650, mais do que o dobro.

Os veículos elétricos tinham tudo, mas desapareceram por volta de 1935. Os anos seguintes até os anos 1960 foram anos mortos para o desenvolvimento de veículos elétricos e para a sua utilização como meio de transporte pessoal.

O retorno

Os anos 60 e 70 viram a necessidade de novas alternativas para o abastecido de veículos para reduzir os problemas de emissões de escape dos motores de combustão interna e para reduzir a dependência do petróleo estrangeiro importado. Muitas tentativas para produzir veículos elétricos práticos e eficientes ocorreram durante os anos de 1960 e além mas o problema maior era fazer com que as baterias elétricas fossem mais eficientes.

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Carro elétrico da Tesla Motors, o modelo Tesla S

Em 1976 o Congresso norte-americano aprovou uma lei para estimular o desenvolvimento de veículos elétricos e híbridos. O objetivo da lei era, em parte, melhorar a tecnologia de baterias. Contudo, os fabricantes de automóveis não demonstraram interesse até 1988. Naquele ano, a General Motors (GM) começou a fornecer dinheiro para a pesquisa de carros elétricos para o mercado consumidor. O carro, chamado EV1, foi fabricado de 1996 a 1999. O EV1 era disponibilizado aos consumidores da Califórnia apenas através de leasing. Inicialmente, ele foi produzido com uma bateria chumbo-ácido. Em 1999, a GM passou para uma bateria de níquel-hidreto metálico (NiMH), que recarregava melhor.

O carro elétrico da GM fez um enorme sucesso com os consumidores mas de uma forma totalmente inesperada, a maioria dos EV1s foi tomada dos seus proprietários pela GM e depois destruídos como se fossem uma praga. Esse episódio virou até um documentário chamado: “Quem Matou o Carro Elétrico?” que você pode assistir completo no youtube. Não satisfeitos com o episódio da GM, foi lançado outro filme chamado: A vingança do carro elétrico.

Tanto no passado como agora, o cartel da indústria do petróleo fez de tudo para desacreditar o desenvolvimento do carro elétrico para que seu monopólio não fosse ameaçado mas aí surgiu o empresário Elon Musk, o fundador da PayPal, SpaceX e da empresa automobilística Tesla Motors, que relançou o carro elétrico em grande estilo e hoje é líder mundial na tecnologia.

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Não satisfeito de ter colocado novamente os carros elétricos no mapa para substituir de vez os primitivos carros movidos a combustíveis poluentes, Elon Musk lançou recentemente sua revolucionária bateria Tesla Powerwall que utiliza energia solar para iluminar residências. A humanidade poderia estar 200 anos mais avançada do que é hoje se não existisse os carteis corporativistas que atrasam ou aniquilam o desenvolvimento de novas tecnologias mais eficientes e baratas que ameaçam o seu poder industrial e econômico. Assista a apresentação de Elon Musk no vídeo abaixo (legendas em português):

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