E se pudéssemos cultivar eletrônicos em um laboratório, utilizando bactérias cuidadosamente projetadas em vez de fios, plástico e circuitos? Os pesquisadores do Tangible Media Group do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), estão fazendo exatamente isso com a “segunda pele”, um material feito de bactérias que responde a transpiração e suor do corpo. Quando a pessoa que está vestindo a “segunda pele” está quente e suada, o tecido “abre seus poros” para permitir que o suor se evapore e resfrie a roupa.

Esse novo tipo de roupa inteligente é o resultado de uma extensa pesquisa dos membros da equipe provenientes de diversas origens, incluindo design, arte, ciência e engenharia. “Estamos tentando criar um feedback interativo entre o corpo humano, bio-tecido e o meio ambiente”, disse Chin-Yi Cheng, responsável pelo projeto de computação e simulação no MIT Media Lab. “A experiência de usar estas peças de vestuário é muito especial pois elas estão vivas, quando você começar a usá-las” concluiu.

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No vídeo abaixo, dois dançarinos vestindo apertados trajes de lycra com a “segunda pele” embutida nas costas dos dançarinos. Quando os dançarinos transpiram, as abas triangulares que antes estavam em estado de repouso se enrolam, como pedaços de papel que foram aspergidos com água.

A “segunda pele” é feita a partir de bactérias Bacillus subtilis natto, que se expandem e se contraem em resposta à umidade atmosférica. Natto é um alimento tradicional japonês rico em proteínas feito de soja fermentada, popularmente degustado no café da manhã. Estas células se expandem e contraem dependendo da quantidade de umidade no ar, e o tamanho delas podem mudar até 50%.

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A equipe do MIT, liderada por Hiroshi Ishii e Forro Yao, transformaram as células natto em um biofilme, que foi bio-impresso nas camadas feitas de spandex. O biofilme impresso em padrões diferentes leva a comportamentos diferentes. Yao explica que as células reagem a todos os níveis de umidade assim que começa a subir, as aletas começam a se enrolar. Em uma humidade de 100%, as aletas estão totalmente abertas, permitindo máxima respirabilidade.

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 “A moda está mudando e este projeto é parte dela. Eu acredito que é hora de repensar a nossa forma de criar moda e da razão por trás disso”, disse Oksana Anilionyte, um estilista, que trabalhou no projeto. “A experiência de usar estas peças de vestuário é muito especial principalmente quando ganham vida quando você começar a usá-las.”

A equipe por trás do projeto queria mudar a construção e fabricação de materiais para fazê-los crescer. O figurino faz parte de um projeto mais amplo chamado “BioLogic”, que analisa as novas formas de criar sensores e motores usando a natureza em vez de circuitos eletrônicos tradicionais.

Outras aplicações para o material incluem flores que podem florescer e murchar, uma folha “viva” para chá que se desenrola para sinalizar quando a xícara de chá está pronta, e um abajur que muda e dança sob o calor da lâmpada. A equipe continua a experimentar com novos usos para o material, incluindo a adição de pequenos aquecedores para controlar remotamente o material, e a adição de uma substância que faz a cor do material mudar quando sua forma também muda.

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No futuro, Farro Yao imagina que os criadores poderão ser capazes de modificar a estrutura do ADN de uma célula para efetuar funções mais complexas. Coisas como a bioluminescência para fazer um tecido ou uma planta. “Estamos no início“, admite, mas é um futuro promissor.
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Coisas vivas que agem como máquinas

Mas o processo de programar essas bactérias para viverem em um protótipo ainda é complicado. As células natto foram cultivadas em biorreatores no MIT, e seu crescimento foi cuidadosamente monitorado usando microscópios de força atômica e outras ferramentas inovadoras.

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Biologia irá substituir a tecnologia mecânica?

Para a equipe do MIT, as bactérias natto são apenas um ponto de partida. Há literalmente milhões de outros organismos biológicos para ser estudadas. No entanto, as natto são um grande exemplo da nova função que os laboratórios estão pensando para os organismos vivos. Gerações de pessoas têm usado isso, no entanto, só agora estamos descobrindo como é que poderia servir a um propósito totalmente novo.

Que outras bactérias ou micro-organismos, poderiam ser utilizados e que não usam eletrônica, não necessitam de energia e operam completamente em silêncio? Se o nosso mundo mecânico atual pudesse se tornar algo biológico como a natureza, nossos dispositivos mecânicos seriam substituídos por organismos mais inteligentes, mais seguros e mais sustentáveis não é mesmo? Como sempre, a natureza biológica é a maior tecnologia de todas.

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