O Moinho é uma empresa portuguesa criada em 1993, que usa a mesma técnica inventada na China há milhares de anos e produz papel a partir do algodão, utilizando desperdícios da indústria têxtil como matéria-prima. De camisetas brancas saem folhas de papel branco e de calças jeans, saem folhas de papel azul-marinho.

Outras são embelezadas com elementos naturais como sementes, folhas de árvores, musgo ou barbas de milho. O papel é depois transformado em vários tipos de artigos como embalagens, convites, álbuns, envelopes, blocos e livros.

O papel fabricado pela Moinho é destinado a pequenos nichos de mercado e “o preço é competitivo”, diz Rui Silva, o administrador da empresa. O principal custo da empresa é o da mão-de-obra, já que, além de utilizar como matérias-primas os desperdícios têxteis, o Moinho reutiliza água em circuito fechado.

O papel de trapos ou papel de algodão foi a matéria prima dos livros de antigamente, pois dura até 500 anos, 40 vezes mais do que os papeis atuais feitos de celulose de madeira. O papel moeda é feito de algodão.

Sob o lema “de roupa velha se faz papel”, o Moinho realiza visitas guiadas destinadas, maioritariamente, a escolas. “As crianças veem uma fábrica que além de usar restos de jeans para fazer papel não causa resíduos”, contrariando a ideia tradicional de uma fábrica, explica o administrador.

Para além da produção normal, a empresa aceita pedidos exclusivos como uma empresa que quis um papel tecnológico, em que o Moinho teve de aplicar fios elétricos. Outra empresa quis papel com aroma de anis, como o do licor que produziam, conta Rui Silva.

Na edição de 20 de Março de 2014, a capa da revista portuguesa Sábado foi feita de papel 100% de algodão, produzido exclusivamente a partir de desperdícios têxteis reciclados, e com várias sementes de flores silvestres e relva incorporadas (veja o vídeo do processo). Por isso, é ideal para plantar. Veja fotos da fabricação do papel de algodão aqui.

Na Qual Albatroz, papel de algodão, palavras e tinta são as matérias primas para a feitura de livros e de impressão serigráfica segundo técnicas artesanais. É com eles que se criam livros, serigrafias, postais, ou o que a imaginação vier a encomendar.

Transformar os resíduos têxteis de algodão em papeis belíssimos e de altíssima qualidade não é uma alternativa bem mais lucrativa e sustentável do que desperdiçá-los nos aterros? Veja que “fashionista” é o catálogo de 2016 aqui.

Moinho, a fábrica portuguesa que faz papel a partir de roupa velha stylo urbano

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