O mundo não tem um problema de consumo, tem um problema de projeto. Em vez de consumir menos, precisamos projetar produtos que sejam menos prejudiciais ao nosso meio ambiente e aos trabalhadores que os fabricam. A população mundial está crescendo, e o consumo impulsiona a economia global, por isso, querer reduzir o consumo nunca será uma meta realista. Na verdade o mundo não tem um problema de consumo, e sim tem um problema de projeto pois ainda continuamos a projetar produtos descartáveis desperdiçando matéria prima, poluindo a natureza, explorando os trabalhadores de países pobres e assim por diante.


Vivemos um momento de ruptura, tanto politicamente e tecnologicamente, e isso nos oferece oportunidades para repensar a forma como nós produzimos, consumimos e como queremos viver neste planeta. Existem três tendências emergentes que estão mudando os padrões de consumo:

A primeira é a economia circular: estamos prestando mais e mais atenção aos materiais de que são feito os produtos que consumimos. Com o crescimento da população mundial, não dá mais para ignorar a quantidade de resíduos agrícolas e industriais que estão indo parar nos aterros sendo que poderiam ser convertido em novas matérias primas para a cadeia de fornecimento, e assim evitar o desperdício.

A segunda é a economia compartilhada: estamos mudando a partir de modelos de propriedade para modelos de serviço. Há limites para o que se pode querer compartilhar – escovas de dentes, por exemplo – mas há um grande potencial para levar o modelo que está crescendo exponencialmente com Uber e AirBnB em outros produtos, como tecnologia, hardware ou vestuário. Se as previsões de tendência de consumo atual estiverem corretas, a nova geração de consumidores vão pensar muito diferente sobre o conceito de propriedade.

Finalmente, há uma reação incipiente mas crescente contra a obsolescência programada – a ideia de que você compra um telefone da Apple ou Samsung e esperar para jogá-lo fora e comprar outro em menos de 2 anos. Produtos como o Fairphone, que é projetado para ser reparado e atualizado, substituindo apenas seus módulos para durar mais, seria prejudicial para este tipo de modelo de negócio.

Mas por que as pessoas ainda continuam nesse velho sistema de consumo? A maioria das pessoas ainda estão comprando telefones para jogar fora em pouco tempo pois as empresas faturam muito mais com a obsolescência programada do que com a longevidade dos produtos. Empresas de reciclagem estão desenvolvendo sistemas de recolha, triagem e reutilização de produtos mais eficientes e o futuro pode estar nas startups que lançam novas tecnologias de fabricação para produtos mais sustentáveis e duráveis.

Os avanços tecnológicos criam sistemas melhores para rastrear materiais, e o conceito de um “passaporte de material” através do big data, IA e Internet das coisas pode criar um enorme banco de dados com todos os materiais e componentes de cada produto. Tal base de dados permitiria sistemas muito mais sofisticados para organizar o retorno dos materiais e componentes para as empresas que os fabricaram como também à terceiros para verificar a origem dos materiais e sua qualidade, verificando se eles podem seguramente ser reciclados e transformados em algo mais.

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