Desde a mais remota antiguidade o homem sempre teve uma relação muito especial com o delicado reino dos fungos utilizando-os nas refeições, em rituais religiosos para alcançar estados alterados de consciência ou também para envenenar poderosos personagens históricos como papas e imperadores. Se no passado, foram usados para o bem ou para o mal, hoje são pesquisados para promover qualidade de vida e prevenção de doenças. Praticamente todas as antigas civilizações se utilizaram dessas pequenas formas de vida que parecem ter vindo de outra galáxia tamanho a sua variedade, beleza, mistério e poderes psicoativos que servem como fármaco que é uma combinação significando droga, medicina ou veneno usada na formação das seguintes palavras: farmacologia e farmácia.

O fotógrafo Steve Axford vive e trabalha na Austrália, onde ele passa seu tempo documentando o mundo natural, muitas vezes viaja para locais remotos para procurar animais raros, plantas e até mesmo pessoas. Steve é especializado em registrar fotos incríveis de fungos como cogumelos, bolores, limo e líquenes por causa de suas características diversas. Seu trabalho é rastrear alguns dos mais estranhos, coloridos e diferentes fungos do mundo o que resultou em vários seguidores online de seu trabalho no SmugMug. Sua paixão por esse tipo de fungo é tão grande, que ele é dono de um pedaço de terras em uma floresta tropical que tem o solo adequado para o nascimento e reprodução de todo tipo de fungos, entre eles os mágicos cogumelos.

A paixão do fotógrafo Steve Axford pelo reino dos fungos não é só pela sua beleza mas também pela sua importância para a cultura humana. O documento mais antigo sobre os cogumelos como agente medicinal vem da Índia, 3000 anos antes de Cristo. Na China os efeitos benéficos de várias espécies de cogumelos foram compilados no “ Shen Nong Ben Cao Jing” uma espécie de matéria médica escrita entre 200 AC e 200 DC. Muitas civilizações antigas recorriam a cogumelos alucinógenos na celebração das várias cerimônias religiosas e espirituais e eram venerados como Deuses pelas culturas da Pérsia, Egito, Grécia, China, Roma, Babilônia entre centenas de outras. Os Maias os chamavam pelo nome “Teonanacatl” que significa “A carne dos Deuses”!

Os Mistérios de Elêusis eram o mais famoso ritual religioso secreto da Grécia antiga, realizado entre os séculos 6 a.C. e 4 d.C. onde os participantes tomavam uma bebida, chamada kykeon, cuja fórmula alguns especialistas acreditam ser feita de água, centeio e poejo. O centeio utilizado no kykeon provavelmente estava parasitado pelo fungo esporão-do-centeio ou cravagem-do-centeio, que tem propriedades psicoativas que desencadeiam as experiências intensas que os participantes dos Mistérios de Elêusis tinham. Desse fungo que ataca o centeio, se extraem vários alcaloides e substâncias de uso medicinal. É um fungo conhecido por ser alucinógeno, e usado para fabricar LSD. Além dos Mistérios de Elêusis os gregos também tinham os Mistérios Dionisíacos. Dionísio era o Deus do êxtase, do processo metamórfico de morte e renascimento espirituais considerados a mais misteriosa experiência humana.

A palavra “pineal” tem como raiz etimológica a palavra grega pineus que significa pinhão ou pinha. Curiosamente o Tirso, um cajado com uma pinha na ponta, era carregado por Dionísio, seus sátiros e as bacantes, sendo um importante símbolo dos Mistérios Dionisíacos. A lenda diz que Dionísio conduziu sua mãe para o Céu, onde ela mudou seu nome para Tione, que significa “Rainha das Bacantes” (ou mulheres enfurecidas) e presidiu o festival do êxtase de Dioníso em Outubro, chamado A Ambrosia. Outubro é a temporada dos cogumelos. O efeito do cogumelo Amanita muscaria tomado sem outros intoxicantes, dá ao usuário alucinações mais aprazíveis quase em estado de graça, mas quando era misturado com cerveja e suco de hera amarelo fazia os homens e mulheres gregos ficarem numa fúria ensandecida.

Os cogumelos tem um enorme significado no mundo esotérico como um meio de comunicação com o divino. A essência tóxica de alguns cogumelos quando em contato com o cérebro leva a sérios sintomas e alucinações, e são usados há milhares de anos por pessoas que acreditam receber mensagens dos deuses. Destes, o cogumelo Amanita muscaria de cor vermelha com pontos brancos, é utilizado há milhares de anos por xamãs e curandeiros na Ásia, África, Europa e Américas, sobretudo para propósitos religiosos tais como curas, profecias, invocação de espíritos, comunicação com antepassados e percepção da imortalidade divina.

Especula-se também que este cogumelo esteja presente no despontar das principais religiões do planeta como o judaísmo, cristianismo, islamismo, hinduísmo e budismo, e também presente em contos populares sendo o mais famoso “Alice no País das Maravilhas” e é claro, em textos de alquimia. Na fé cristã vemos semelhança na hóstia que simboliza o corpo de Cristo, a qual o padre segura no alto durante a comunhão. É na verdade uma referência ao cogumelo Amanita muscária, e que após a ingestão crentes e místicos da antiguidade se comunicavam com seu Deus. Esse assunto sobre plantas enteógenas e religião é muito vasto e na internet tem vários sites que abortam esse tema como o documentário Inquisição FarmacráticaFármacos e enteógenos: as drogas sagradas na antiguidade, A Palavra de DeusA origem da religião dos cogumelo nas AméricasBuda é um cogumeloA teoria enteógena da religião e a morte do ego e O Fruto da Árvore da Vida.

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