Comprar, usar e descartar são as três fases que um produto passa nas mãos de um consumidor, que muitas vezes desconhece que o seu processo de fabricação tem grande impacto ambiental e social, que depois aumentam ainda mais quando é finalmente descartado no lixo.

O conceito de fast fashion ou moda rápida se refere a um fenômeno de produção em massa e consumo que aumenta na mesma proporção em que as tendências estão sofrendo modificações por influência direta das redes sociais.

Neste modelo de consumo, as grandes redes varejistas de fast fashion copiam as coleções das grifes de moda mais conceituadas, fabricando suas roupas de forma rápida e massificada em oficinas terceirizadas de países em desenvolvimento, que pagam baixos salários aos trabalhadores, sem direitos trabalhistas e condições de segurança adequados.

Ao mesmo tempo, é um modelo de consumo em que o tempo de vida da peça de vestuário é muito curta. Somente nos Estados Unidos, um consumidor médio compra cerca de oito pares de sapatos e 68 peças de roupas a cada ano, dando a cada uma duração máxima de três meses.

No mundo todo milhões de toneladas de retalhos de tecidos sobram do processo de fabricação e são jogados fora, e isso se soma as toneladas de roupas de fast fashion que são descartadas nos aterros. Isso causa um enorme desperdício de energia, matéria prima, água e produtos químicos numa escala cada vez maior.

O fenômeno do fast fashion: produzir roupas baratas que duram muito pouco nas lojas stylo urbano

Os desafios da indústria da moda para reverter os danos socioambientais que causa são enormes pois graças a Zara, H&M, Primark, Forever 21, Uniqlo, Mango, Top Shop, Gap entre outras, os consumidores ficaram obcecados com a moda barata e descartável do fast fashion. A crise financeira que abalou o mundo depois de 2008, diminuiu em muito o poder de compra da classe média que passou a exigir produtos cada vez mais baratos,  e isso impulsionar o crescimento mundial das grandes redes de fast fashion.

Selecionei 11 vídeos (em espanhol) muito interessantes que explicam como as pessoas ficaram obcecadas com o fast fashion e os problemas que esse consumismo descontrolado vem causando. São vídeos muito bem produzidos que duram de 3 a 11 minutos, e que abordam vários aspectos do fast fashion.

Dez vídeos são do ótimo canal de notícias espanhol La Sexta que mostra como a indústria do fast fashion dominou o mercado espanhol  de moda, principalmente depois da crise de 2008. Para quem quer entender a grande bagunça que se tornou o mercado de moda atual é uma ótima oportunidade.

Blogueiros de moda usam as redes sociais como alto-falante de um fenômeno que varre o mundo em tempos de crise: roupas baratas. Esses blogueiros fazem sucesso mostrando online suas aquisições de moda barata fazendo propaganda de graça para as grandes redes de fast fashion.

O fenômeno do fast fashion é produzir roupas baratas que duram muito pouco nas lojas incentivando um consumismo e a descartabilidade.

Os negócios de roupa barata são tão lucrativos, que mais e mais cadeias estão surgindo para disputar o bolso dos consumidores. Shana, empresa 100% espanhola de roupas baratas replica o modelo de negócio da cadeia irlandesa Primark. Com apenas quatro anos de funcionamento, já faturado mais de 110 milhões de euros por ano e tem mais de 300 lojas pelo mundo todo.

Em lojas de fast fashion na Espanha, etiquetas “made in Spain” são cada vez mais comuns. Mas quem controla essa etiquetagem? O La Sexta descobriu como é fácil etiquetar roupas como “made in Spain” fabricados em países subdesenvolvidos.

Tanto em Bangladesh como em Camboja, a indústria têxtil está em pleno crescimento. Contribui significativamente para o PIB e para as exportações de ambos os países. Emprega uma vasta mão de obra composta por 90% de mulheres jovens, no Camboja, com salários abaixo dos 60 euros.

Mas o pior é que também emprega crianças, apesar das leis que o proíbem. Essa é a mão de obra sem proteção trabalhista que costura a maioria das roupas das marcas de fast fashion ocidentais.

Primark na Europa tem mais de 250 lojas, 40 só na Espanha, e continua a crescer. Só no último ano, a cadeia de lojas de fast fashion cresceu 26%, volume de negócios de mais de 360 milhões de euros. De seu centro de logística em Madrid, a gigante da moda barata fornece metade da Europa. Como eles conseguem manter o negócio de venda de roupas tão barato?

Primark é uma das marcas mais bem sucedidas do fast fashion. Mas qual é o segredo para se manter este nível? Converter uma loja de roupas em um supermercado, localizado no centro ou na periferia e com os gastos de publicidade mínima.

O fast fashion se apresenta como a democratização da alta-costura, e provou ser um expoente do consumismo desenfreado e consumo insustentável dos recursos naturais. Empresas como a Inditex, H & M ou Mango lançam novas coleções duas vezes por semana, plagiando modelos de passarela e produzindo mais barato nos países do terceiro mundo. É este o futuro da moda?

Quando a crise chega aos armários, algumas empresas vêem a oportunidade para lucrar com roupa usada. Humana é uma empresa multinacional com 28 lojas na Espanha, onde vende roupas que foram doadas através de campanhas de solidariedade em seus 5.000 contêineres. Por vender roupas usadas, a empresa paga menos impostos, mesmo faturando milhões de dólares.

“Ajude-nos a ajudar”, “Cooperação e ajuda ao desenvolvimento”, “Por um Mundo Melhor”, “Doe sua roupa velha para quem precisa” … As cidades espanholas estão cheias de recipientes para recolha de roupas usadas com este tipo de mensagens de solidariedade mas apenas algumas das empresas que trabalham nesse mercado doam roupas para a caridade. O resto é parte de um negócio muito lucrativo.

Cocentaina é a Capital Europeia da roupa usada e sede de um negócio de milhões, mas ninguém quer falar sobre o grande negócio de roupas usadas. Medo de perder uma das poucas empresas que resistem à crise econômica na Espanha.

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