Meus caros não se enganem, a tecnologia wearable (vestível) está pronta para libertar-se do mundo da ficção científica para o mundo real. Recentemente, houve um grande avanço da tecnologia e estética dos circuitos eletrônicos para avançar todo o potencial de inovação dessa tecnologia e impulsionar uma mudança social. A tecnologia wearable pode promover a sustentabilidade na moda dando as roupas novas funções que só existiam nos filmes de ficção. Durante décadas o público foi alimentado com a visão equivocada do futuro pelos filmes de ficção científica de Hollywood como a heroína sexy inter-galática dos anos 60 Barbarella, que usava roupas minúsculas feitas de peças metálicas e plástico.

Jean Paul Gaultier seguiu o exemplo em 1997, quando ele projetou os figurinos futuristas para o filme “O Quinto Elemento”. A visão futurista da moda parece estar sempre vinculada a uma caleidoscópica mistura de cromo, computadores e carnalidade. Se um dos maiores estilistas da moda não pode resistir a essa visão de futuro inelutável, então como podemos culpar os pioneiros da tecnologia wearable? Nos últimos anos, vimos o nascimento de Google Glass juntamente com uma série de outras peças de vestuário que parecem mais que foram pilhadas do departamento de figurino do filme Flash Gordon.

No entanto, em 2014 surgiu uma outra dimensão para a tecnologia wearable onde ela iniciou um romance improvável, mas fecundo com o ambientalismo. Ela deixou de ser apenas tecnologia pela tecnologia, e focou na busca de soluções reais para os problemas do mundo real. A captação de energia pelas roupas e acessórios tornou-se um tema recorrente no discurso da nova tecnologia wearable centrada na sustentabilidade.

Meg Grant, uma das pioneiras por trás do Solar Fibre, uma fibra flexível, capaz de converter a luz solar em energia, é um crente tão ardente no poder de mudança dessa tecnologia emergente, que ela e sua equipe rejeitaram patentear o processo deixando-o aberto para que outras pessoas pudessem contribuir com melhorar a tecnologia. Grant acredita que o tecido de Solar Fibre poça cobrir vários tipos de superfícies para gerar energia.

No entanto, Grant admite que a quantidade de energia gerada ainda é pequena. Pauline Van Dongen, uma estilista que trabalha com têxteis solares, cria roupas que dá a seus clientes a capacidade de carregar seus dispositivos eletrônicos pessoais em movimento. A coleção Solar Wearable de Van Dongen são uma resposta prodigiosa à nossa demanda crescente de energia e conectividade. De acordo que a tecnologia for avançando, esses painéis solares vão ficar camuflados nos tecidos através de estampas reagentes a luz solar e fios condutores de energia que vão transformar suas roupas em usinas portáteis captadoras de energia solar.

Essa possibilidade do nosso vestuários gerar sua própria energia abre inúmeras possibilidades como carregar seus dispositivos eletrônicos preferidos e alimentar micro-sensores interativos integrados ao tecido que podem mudar tanto a cor como a estampa da sua roupa. Adeus roupas estáticas e sem graça, pois com esses tecidos inteligentes você pode ter uma roupa diferente todo dia com a mesma peça.

Já imaginou carregar seu smartphone simplesmente andando pela rua ou estalando os dedos? Embora possa parecer um sonho distante, é uma realidade que existe atualmente através de várias novas tecnologias. A geração de energia sustentável individual é o foco do designer Damon Ahola. Seu inovador projeto Harvest (Colheita), envolve a captação de energia cinética através de uma bateria de lítio recarregável chamada de “pod” que seria incorporada nos bolsos de roupas, solados de calçados e rodas de bicicletas.

Essa energia seria, então, enviada para um banco de energia, onde estaria à disposição de organizações de caridade que você aprovasse. Outro dispositivo que transforma a energia cinética do movimento humano em energia é o Ampy que já está sendo vendido pela internet.

O mais interessante desse conceito de captação de energia cinética é se os cientistas conseguissem de forma eficaz, prática e rápida transformar a energia do movimento dos nossos corpos e de objetos que manuseamos em energia limpa para carregar dispositivos eletrônicos. Dito isto, uma descoberta recente pode ter a resposta. A equipa de investigação do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST) dirigido pelo professor Keon Jae Lee desenvolveu o primeiro nanogerador prático, que é um micro chip hiper-flexível, que pode colher energia cinética dos movimentos para produzir eletricidade.

Os inovadores nanogeradores de Lee utilizam longos eletrodos elásticos de prata à base de nanofios que conservam a sua forma devido a suas habilidades únicas de tensão e relaxamento e extrema resistência.

Isso, juntamente com a sua boa capacidade de piezoeletricidade, elimina a necessidade de qualquer fonte de alimentação externa. Esta nova tecnologia pode trabalhar a partir dos movimentos do corpo humano, incluindo aquelas causadas pela pulsação e atividades respiratórias. Nanogeradores desse tipo estão sempre em expansão nas aplicações biomédicas.  Já imaginou as batidas do seu coração que funciona 24 h servir para gerar energia elétrica sem precisar que você se movimente?

Um outro benefício adicional para o uso generalizado e implementação de nanogeradores é o seu impacto positivo sobre o meio ambiente. Além de suprir a energia de que necessitamos a partir de recursos renováveis, como a energia cinética através do movimento, os nanogeradores também são feitos de materiais que respeitam o meio ambiente quando comparados com as baterias convencionais.

No ano passado, a sofisticação de impressão 3D continuou a crescer em conjunto com vários materiais de impressão. Roupas, sapatos e acessórios feitos de impressão 3D são ótimos para o meio ambiente em virtude da sua produção sem resíduos. O designer londrino Daniel Widring recentemente apresentou Kinesis, sua linha de esculturas vestíveis de impressão 3D. As complexas curvas onduladas das esculturas criam uma sensação de movimento dinâmico. Daniel construiu sua coleção de jóias wearable escaneando em 3D o corpo da modelo para fazer cada peça uma extensão única e expressiva da forma humana. Essas jóias que replicam os intrincados padrões encontrados na natureza são impossíveis ou muito difíceis e caras para serem feitos à mão.

Apesar do grande potencial ainda vai levar um longo tempo antes das impressoras 3D conseguirem imprimir tecidos que rivalizem com os tradicionais no mercado. A desvantagem mais citada de trabalhar com impressão 3D, é a a de que ela tende a ser mais útil para designers de jóias, por causa da pouca flexibilidade do resultado final. A estilista Iris Van Herpen, que estreou seus vestidos impressos 3D na Paris Fashion Week, em 2013, disse que se sentiu “como um tijolo” quando comparado com algodão ou lã. A Electroloom, que é uma equipe que está desenvolvendo uma impressora 3D que fabrica roupas, queixou-se de que seus tecidos protótipos são ainda muito finos para suportar o desgaste freqüente.

Apesar de sua infância e potenciais ainda inexplorados, a impressão 3D já está em perigo de se tornar coisa do passado. O sino soou no ano passado quando dois graduados do MIT, literalmente, acrescentaram uma outra dimensão. Jessica Rosenkrantz e Jesse Louis-Rosenberg, da Nervous System, usaram seu conhecimento combinado de arquitetura, matemática e ciência para criar o primeiro vestido impresso 4D do mundo, que foi rapidamente adquirido pelo MOMA.

O vestido tem um “ajuste perfeito ao corpo,” pois o corpo da modelo foi digitalizado antes do projeto ser feito e a impressão realizada. O design é basicamente uma impressão 3D, composta por milhares de pequenos triângulos que se dobram para fora, criando a quarta dimensão. A equipe da Nervous System não se identificam como designers, e da mesma forma, eles não consideram o seu vestido como um produto de moda. Sendo uma mistura entre arte e design para Nervous System este projeto é apenas o começo.

No cerne de todas essas inovações tecnológicas, está o desejo de permitir que as pessoas possam ser as criadoras de tudo, desde a energia até a roupa. Este novo ideal de moda tem a ver com o slow fashion e destina-se a aumentar a transparência da cadeia de abastecimento, pôr fim a condições de trabalho desumanas, e retornar a um nível de personalização nunca visto desde antes do advento do fast fashion. Mas quão realista é tudo isso?

A Nervous System vê o seu vestido como o primeiro passo no sentido de um nível de personalização que atualmente é diferencial das maisons de luxo. Um dos fascínios da impressão 3D para os novos designers é que ela se presta a personalização, e os clientes muitas vezes se aproximam deles por causa da exclusividade e vanguardismo. As reivindicações idealistas que se faz sobre o futuro da moda são inspiradores, mas um vestido impresso 4D da Nervous System custa 4 mil dólares para fazer. Não só a maioria das pessoas não têm acesso à uma impressora 3D como também não tem dinheiro para gastar com os materiais de impressão.

Não há dúvida de que essa tecnologia tem um futuro brilhante, mas vai levar um longo tempo antes que possa substituir de forma barata, funcional e eficiente a fabricação de roupas convencionais. O que é crucial agora é encorajar o desenvolvimento dessas tecnologias revolucionárias através de novos programas de computador, gadgets, materiais e máquinas, para que se tornem mais difundidos e barateiam em muito todo o processo de fabricação pois a impressão 3D e a sua substituta, a impressão 4D, vão ser a maior revolução industrial de todos os tempos tornando qualquer pessoa que tenham uma impressora dessas, um empresário e fabricante de novos produtos.

Além do potencial sustentável, a tecnologia wearable tem a capacidade de corrigir alguns problemas sociais fundamentais e dar novas possibilidades para criarmos um futuro techno-fashion.

O que acha da tecnologia wearable? Comente.

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