Embora os tecidos inteligentes ou e-textiles estejam sendo usados há mais de uma década, o mercado ainda não alcançou o mercado de massa. Apesar da excitação inicial sobre os wearables, como por exemplo o relógio inteligente Apple Watch, nem todo mundo compraria um. No entanto, com a produção de vestuário em mais de 50 bilhões de peças anuais, os e-textiles agora estão sendo vistos pelo setor de tecnologia como uma oportunidade fundamental para o crescimento futuro da industria eletrônica. Um crescimento bem maior que os wearables.

Os e-textiles são os tecidos que possuem componentes eletrônicos e digitais embutidos neles. Estes são os tecidos que podem sentir estímulos do ambiente, se adaptar e reagir a esses estímulos de forma predeterminada. Tecidos inteligentes podem incorporar sensores, comunicação e processamento para aplicações em vários setores, como produtos de consumo e monitoramento de saúde.

Ao longo dos últimos 20 anos, os e-textiles passaram de uma curiosidade acadêmica para uma plataforma tecnológica importante gerando receita para empresas em todo o mundo. Em particular, a indústria viu um forte crescimento há vários anos até 2015, com lançamentos bem-sucedidos de muitos novos produtos de uma série de startups. O relatório mais recente da IDTechEx Research, E-Textiles 2017-2027: Technologies, Markets, Players, descobriu que o mercado cresceu para cerca de US $ 100 milhões em receita anual de produtos eletrônicos e que faturará anualmente US $ 5 bilhões em 2027.

O futuro dos tecidos de alta tecnologia

Estamos em contato com tecidos em até 90% de nossas vidas, desde o nascimento até a morte, e antes do surgimento da cultura de moda como a conhecemos, os humanos usavam roupas para se proteger de elementos naturais, como o inverno e o verão. Mesmo com todo marketing e comercialismo da moda atual, milhares de anos depois, parece que nada mudou. As roupas ainda estão sendo projetadas para nos manter mais secos, mais quentes, mais confortáveis ou mais seguros. Muito longe do que a maioria de nós consideraria uma roupa inteligente e tecnológica.

Com o surgimento do smartphone no entanto, sua vasta conectividade e eventual ubiquidade, significaram que de repente, todos têm um computador de mão que pode se conectar, monitorar e controlar outras coisas. Isso mudou a forma como as empresas pensavam em produtos inteligentes. Os sapatos esportivos com sensores embutidos foram de repente possíveis como também as camisetas que podiam monitorar nossos batimentos cardíacos. Os óculos inteligentes podem ser conectados online para mostrar ao usuário a rota mais curta para o posto de gasolina mais próximo.

Agora, em 2017, estamos no próximo nível dos wearables e e-textiles. A nanotecnologia e o grafeno tornaram as fibras mais inteligentes onde os fios condutores nos tecidos que usamos, podem se comunicar com nossos dispositivos eletrônicos. Um exemplo espetacular é a colaboração entre o Google e a Levi’s com o Projeto Jacquard. As duas empresas se uniram para produzir tecidos que podem conduzir eletricidade, com o objetivo final de ativar a interatividade de toque e gesto.

Ao integrar a tecnologia Jacquard numa jaqueta jeans, projetada especificamente para usuários de bicicletas, permite que os usuários controlem sua experiência móvel e se conectem a uma variedade de serviços, como música ou mapas, diretamente da jaqueta. Isto é especialmente útil quando se torna difícil manusear o smartphone quando você está andando de bicicleta.

Imagine responder a um telefonema tocando a manga do seu casaco. As possibilidades são infinitas. Os e-textiles são o software da nova Era da moda conectada, onde os tecidos irão oferecer os mais diferentes serviços e funcionalidades aos consumidores e podem ser utilizados nos mais diversos setores como esportes e fitness, moda, medicina e cuidados de saúde, bem estar, casa e estilo de vida, industrial, comercial, militar, automotivo, aeroespacial e arquitetura.

As pesquisas em tecidos inteligentes buscam não apenas aumentar sua confiabilidade, desempenho e conforto, mas também melhores propriedades como lavabilidade, estiramento e novas funcionalidades. O resultado é um ecossistema complexo de diferentes materiais, componentes e opções de conexão que agora estão disponíveis para designers de produtos.

Mas as pesquisas continuam em todo o ecossistema de tecnologia emergente incluindo tintas condutoras, eletrônicos esticáveis, tecnologia portátil, eletrônicos impressos, sensores impressos e flexíveis, Internet de Coisas, armazenamento de energia e muito mais. O futuro da moda são as roupas conectadas e multifuncionais.

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