O impacto ambiental alarmante da indústria do fast fashion foi apresentada por uma nova pesquisa que mostra como a cultura do algodão está criando um enorme impacto no esgotamento das águas subterrâneas (GWD) devido a irrigação em países produtores de algodão, como o Paquistão, Índia e os EUA. A pesquisa da China Water Risk sugere que a demanda de algodão da China tem aumentado por causa do rápido crescimento das redes de fast fashion ao longo dos últimos 15 anos.

O artigo “Esgotamento das águas subterrâneas embutido no comércio internacional de alimentos” foi recentemente publicado na revista Nature. O artigo mostra como o algodão está entre as 5 maiores culturas que causam o maior esgotamento das águas subterrâneas/GWD do mundo: trigo (22%), arroz (17%), culturas de açúcar (7%), algodão (7%) e milho (5%). Dito isto, o comércio de algodão sozinho respondeu por 11% do GWD global, com arroz no topo da lista com 29%, seguido por trigo com 12%. Milho e soja são as culturas mais eficientes em termos de água, representando apenas 4% e 3% respectivamente.

O documento sugere que o Paquistão, EUA e Índia exportam GWD através do comércio internacional. Estes três países são os maiores exportadores de GWD, respondendo por dois terços de todos os GWD incorporados no comércio de produtos agrícolas. No entanto, a análise do China Water Risk sugere que como a China é o maior exportador têxtil do mundo, metade das importações de GWD da China são de algodão.

Segundo a China Water Risk: “A partir da pesquisa, parece que a demanda da China junto com EUA, México e Irã estão sugando os aquíferos de outros países. Mas antes de começar a culpar a China, a verdade é que o país não é o único usuário de importações de algodão. Roupas e tecidos formam o maior porcentual de sua exportação industrial virtual.”

“Na verdade, a China faz tanta coisa para o resto do mundo que é um exportador de água virtual apesar de suas importações agrícolas. Então, quem está realmente controlando a demanda do algodão na China?” A pesquisa da China Water Risk sugere que a responsável é a indústria do fast fashion acrescentando: “A China só começou seriamente a importar algodão no início de 2000. E este aumento no apetite por importações de algodão foi impulsionado pela ascensão meteórica da fabricação de fast fashion”.

A pesquisa aponta para o crescimento do consumo de algodão na China (importações e produção nacional) foi devido a grande abertura de lojas do Grupo Inditex (que detém a Zara), H & M e Fast Retailing (que detém a Uniqlo). Segundo a pesquisa: “Dado que os maiores parceiros comerciais da China para o consumo de algodão são a Índia e os EUA, podemos amplamente dizer que a expansão das lojas da Zara, H & M e Uniqlo, ou qualquer outra rede de fast fashion que venda produtos de algodão estão causando a diminuição das águas subterrâneas por extração nos EUA, Índia e até mesmo na China, onde cresce um quarto do algodão do mundo.”

“Então, quanto mais lojas de fast fashion são abertas, maior é o consumo e desperdício de água, e como os quatro lançamentos anuais tornaram-se 52 por causa do fast fashion, a produção mundial de algodão também cresceu. Na verdade, estamos esgotando nossos aquíferos globalmente para algo que não podemos comer. Além disso, por que estamos plantando algodão virgem quando podemos reciclar? Pior ainda, o modelo de negócio de fast fashion nos encoraja a jogar fora a roupa depois de pouco tempo de uso, por isso os 52 lançamentos anuais de moda.”

Outro relatório da China Water Risk chamado “Luta de hoje para o futuro da moda“, mostra como a indústria têxtil é uma das mais poluentes da China, consumindo e contaminando a água através do tingimento têxtil. O governo chinês está preocupado com a enorme poluição ambiental que assola o país desde que resolveu tornar o país na “fábrica barata do mundo”.

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