Poderia uma nova etiqueta ajudar na erradicação do trabalho infantil na Indústria da moda? De todas as indignidades sociais promovidas pela indústria do fast fashion, o trabalho infantil está entre os piores. A partir do estado indiano de Tamil Nadu, onde as meninas de casta baixa são atraídas para a servidão com a promessa de melhores dotes, para os campos de algodão do Uzbequistão, onde mais de 2 milhões de crianças, algumas com apenas 7, são obrigados por seus governos a trabalhar 10 horas por dia, de dois a três meses por ano.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, que define o trabalho infantil como um “trabalho que priva as crianças de sua infância, seu potencial e sua dignidade”, cerca de 168 milhões de crianças estão presas mentalmente, fisicamente, socialmente ou moralmente em perigosos trabalhos que põem em risco seu bem-estar. Um grupo de educadores de creche na Nova Zelândia resolver arregaçar as mangas e tentar mudar esse regime de escravidão do século XIX em pleno século XXI.

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Retrato de uma criança que trabalhava de pé entre um tear de fiação e uma janela em uma fábrica de algodão. A garota vestia roupas esfarrapadas no trabalho. Estados Unidos 1909

Trabalhando em conjunto com a UNICEF e Saatchi & Saatchi, a Child Labor Free é uma novo movimento que busca exercer o poder do consumidor para criar um mundo onde “as crianças são livres para serem crianças.” A agência de publicidade brasileira Lew’Lara\TBWA fez uma interessante campanha publicitária sobre trabalho infantil para a Abrinq-Save The Children veja aqui.

O que eles fazem? Pretendem criar um tipo certificação para as marcas que verifica se um produto foi feito sem o emprego de crianças. As marcas que quiserem uma certificação da Child Labor Free deverão fornecer a fabricação, componentes e informações de terceirização, juntamente com a prova de que o trabalho infantil está ausente em suas cadeias de fornecimento, para passar por uma avaliação de um auditor da EY (née Ernst & Young). A Child Labor Free, então avaliará o relatório, que pode incluir recomendações para inspeções no local se tal for considerado necessário.

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“Efetivamente, a nossa abordagem é para alertar sobre o consumismo consciente”,disse em um comunicado Michelle Pratt, CEO e fundadora da Child Labor Free. “Da mesma forma que vemos as campanhas de “livre de crueldade animal” como uma norma na indústria da beleza, ou nas campanhas de “alimentos orgânicos” em nossos supermercados, acreditamos que  uma campanha “sem trabalho Infantil” precisa tornar-se um padrão globalmente reconhecido.”

O grupo está atualmente trabalhando através de uma fase piloto se preparando para um lançamento maior ao consumidor durante a Semana de Moda da Nova Zelândia no final de agosto. Seus sócios incluem designers locais, tais como HailwooKate Sylvester, Nom*d e Stolen Girlfriends Clube, que irão assumir o papel adicional de consultores, documentando o processo com seus clientes e a indústria em geral.

A Childe Labor Free planeja eventualmente ramificar-se para além das roupas e incluir têxteis, móveis, brinquedos, produtos de limpeza, produtos de beleza e outros consumíveis.

“Uma coisa que realmente quero enfatizar é que este é um movimento positivo para a mudança”, disse Michelle Pratt, CEO e fundadora da Child Labor Free. “Queremos celebrar essas marcas que nos apoiam e são conscientes do problema. Esta é uma questão altamente complexa, e para uma empresa dizer que eles estão preparados para dar este primeiro passo com a gente, é uma jogada ousada, mas acreditamos que seus consumidores irá recompensá-los por isso.” Você recompensaria?

Fonte: The Guardian

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