No futuro, nossas roupas vão literalmente substituir os smartphones. Graças a tecnologia vestível, elas vão se iluminar com alertas de mídia social, produzir hologramas para ler as atualizações onde quer que nós estivermos. Sensores vão enviar nossos dados biométricos para os médicos, enquanto os tecidos com tratamento hidrofóbico e anti-bacteriano nos protegem da água, sujeira e do mal cheiro.

Isso parece mais coisa do futuro, mas o futuro não está tão distante assim pois todas estas tecnologias existem de alguma forma hoje. Produtos como o Google Glass e o Apple Watch representam as fases iniciais do mercado de tecnologia wearable, um mercado que o Credit Suisse  previu  que terá “um impacto significativo e generalizado na economia”.

Essa “mega-tendência” valerá até US $ 50 bilhões nos próximos três a cinco anos, impulsionado primeiramente pela setores de bem-estar e fitness mas o pulo do gato será mesmo quando for adotado pela moda casual, e segundo os especialistas da indústria eletrônica, o futuro dos wearables são as nossas roupas pois todo mundo usa e precisa delas para conviver socialmente ao contrário de outros dispositivos.

Por que a tecnologia vestível precisa da moda para sobreviver e prosperar stylo urbano-1

No futuro, o smartphone estará totalmente integrado num tecido touchscreen de sua roupa inteligente. A maioria das pessoas utilizam celulares mas eles continuam a ser um objeto incômodo de carregar, mas e se eles fossem embutidos no tecido? Essa seria verdadeiramente uma tecnologia “vestível”. A empresa de moda fitness Under Armour pretende lançar em alguns anos uma roupa fitness inteligente que é capaz de monitorar seus exercícios físicos, qualidade do sono, nutrição, perda de calorias e até mudar de cor.

“Estamos desenvolvendo transistores feitos de algodão onde o tecido será o dispositivo eletrônico”

Juan Hinestroza, professor da Universidade de Cornell

O Textile Nanotechnology Laboratory da Universidade de Cornell é um viveiro para esse tipo de convergência que é feita por engenheiros químicos e biológicos, cientistas, físicos e alguns designers. Esta interação entre pessoas de áreas diferentes é extremamente produtivo, com resultados incríveis que não são possíveis se apenas uma disciplina estiver fazendo todo o trabalho.  Essa interação entre disciplinas diferentes para criar inovações é o que propõe também a papisa da moda, Li Edelkoort, que criou um novo departamento chamado “Hybrid Design Studies” na Parsons School of Design, em Nova York.

Outro famoso centro de pesquisas que investe na interação entre disciplinas diferentes para criar a vanguarda de novos materiais e conceitos é o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT que é uma das principais universidades técnicas do mundo e onde está sendo desenvolvida a tecnologia de impressão 4D. Os frutos desta convergência podemos ver no vestido criado pela Cornell que é movido a energia solar, que utiliza algodão condutor para carregar smartphones, ou roupas revestidas de nanopartículas que mudam de cor quando a luz e a matéria é manipulada nos espaços entre as partículas.

A equipe tem utilizado nanopartículas em fibras naturais para servirem de condutor e serem resistentes a bactérias pois são usadas por todo mundo. “Eu escolhi o algodão, porque ele está disponível em todo o mundo para que possa ser facilmente replicado”, disse Juan Hinestroza professor da Universidade de Cornell. “A ideia é ter estas tecnologias incorporados nos materiais já existentes para que a indústria têxtil possa fabricá-los facilmente. Também estamos desenvolvendo transistores feitos de algodão de modo que a eletrônica será anexada ao tecido para que a roupa se torne um dispositivo eletrônico. “

Mas não são só as universidades que estão pesquisando sobre a união da moda com a eletrônica mas também empresas de vanguarda como a britânica Cutecircuit, fundada pela designer Francesca Rosella e pelo artista Ryan Genz. Seus coleções hi-tech misturam moda e tecnologia especificamente para a auto-expressão, que vão do vestido luminoso usado pela cantora Katy Perry ao vestido Twitter usado por Nicole Scherzinger que mostra os tweets enviados pelos fãs diretamente no tecido em tempo real.

No entanto, apesar de produzir roupas com conforto, estilo e facilidade de uso, a Cutecircuit encontrou resistência por parte dos fabricantes pois a maior parte da indústria da moda não é tão “vanguarda” como tenta parecer a opinião pública. Mas os LEDs que fazem todos os efeitos visuais nas roupas da marca inglesa são ainda o estágio inicial da tecnologia vestível na moda casual.

No futuro as nossas roupas irão mudar de cor e estampa uniformemente sem emitir luz como os LEDs da Cutecircuit que parecem mais luminosos. Essa tecnologia revolucionária vai tornar obsoleta o tingimento e estampagem dos tecidos que é feita a milênios e evitar todo desperdício e poluição da água. Vai ser o tecido mais revolucionário da história provando que tecnologia vestível tem tudo a ver com sustentabilidade.

Previsões – O futuro da moda e da tecnologia vestível

Este vídeo usa exemplos do que existe atualmente na moda tecnológica para ilustrar como o aparentemente impossível já está sendo alcançado, e o que isso significa para o futuro! A partir de uma invenção atual de um manto que muda de cor e padrão em resposta ao clima, para um manto que, em vinte a trinta anos poderia fazer-nos invisíveis.

Daqui a 20 anos no futuro, os wearables farão coisas fantásticas e agora estamos num ponto em que a tecnologia está se movendo a uma velocidade tal que a sua capacidade para melhorar as capacidades humanas e criar coisa que parecem mágica quase ultrapassa a nossa imaginação! Bem-vindo ao futuro da tecnologia vestível!

Atualmente existe uma tendência multidisciplinar em rápido crescimento para Incentivar a criação de protótipos que fundem tecnologias digitais e a moda, como o criado pela Light.Touch.Matters que desafia os designers e os cientistas a trabalharem em uníssono para criar protótipos sensíveis ao toque para o setor de bem-estar (monitoramento de fitness, e coisas dessa natureza). O pessoal da Light.Touch.Matters quer capitalizar sobre esta tendência de tecnologia vestível para melhorar continuamente nossas vidas através da moda pois ela é um fator importante para  conduzir a aceitação dos consumidores.

Outra empresa que antecipa as tendências de novos materiais tecnológicos é a Material Connexion que conta com uma rede internacional de especialistas, que possuem vasta perspectiva na indústria em materiais, design, desenvolvimento de novos produtos e sustentabilidade. A divisão de consultoria, ThinkLAB, trabalha com os clientes na criação de melhores produtos e experiências, desenvolvendo inovações em materiais e métodos de fabricação.

Material Connexion Library é a maior biblioteca de materiais inovadores do mundo, com mais de 7.500 materiais e processos inovadores em todas as disciplinas do design, que é indispensável para os profissionais que buscam novidades.

Por que a tecnologia vestível precisa da moda para sobreviver e prosperar stylo urbano-2

Além de ser capaz de ensinar a indústria de tecnologia a como filtrar a auto-expressão através dos wearables, a indústria da moda tem uma capacidade de inovar constantemente.

Os desenhos de moda têm tido historicamente, pouca ou nenhuma proteção de direitos autorais e leis de patentes, e longe de sufocar a inovação como tem acontecido com outros setores protegidos, as marcas de moda popular desenvolveram técnicas para traduzir as tendências lançadas pelas grandes marcas de luxo em roupas acessíveis para as massas.

Invenções que seriam inacessíveis para o grosso da população tornaram-se acessíveis mais rapidamente do que em qualquer outra indústria.

“Sempre houve designers que introduzem materiais inovadores no mercado, que mas mais cedo ou mais tarde se tornam disponíveis e acessíveis a qualquer pessoa”.

A estilista vanguardista Iris Van Herpen, cujas roupas esculturais utilizam a impressão 3D é uma das percussoras das novas possibilidades tecnológicas na moda junto com o estilista Hussein Chalayan. Mas marcas bem conhecidas e tradicionais como a Hermès está se dedicando a trabalhar com a “tecnologia do artesanato do futuro”, e tem experimentado com realidade aumentada (AR) e criação de novos materiais, como o couro transparente.

Como a demanda por roupas ecológica e ética cresce, a indústria da moda não vai perder a oportunidade de limitar a sua pegada de carbono e água, utilizando a nanotecnologia para tingir suas roupas sem pigmento, ou a produção totalmente automatizada para aumentar a segurança da fabricação e a velocidade.

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O couro transparente da Hermès

Juan Hinestroza professor da Universidade de Cornell, não só prevê um mundo onde as roupas nos impessam de ficar doentes, mas essas roupas também poderão mudam de cor de acordo com a nossa necessidade e segundo ele:

“Vamos criar as interfaces e transferir isso para um sinal elétrico que comanda a roupa. Você pode tirar uma foto de uma imagem qualquer para em seguida, ela ser configurada em sua roupa. Os tecidos inteligentes irão trabalhar como uma segunda pele, interagindo com o ambiente de respondendo às mudanças. Teremos peças de roupa que não precisam lavar para matar as bactérias, e quando você for a um jogo de futebol a sua roupa se mimetiza como um camaleão para a as cores e estampas da sua equipe preferida”. Não precisaremos mais comprar um monte de roupas para ocasiões diferentes.

Mesclar a tecnologia vestível com a moda irá capacitar o público de uma forma que a tecnologia por si só nunca foi capaz de fazer. Os materiais são projetados para nos proteger e a moda para nos dar o controle criativo sobre nosso estilo pessoal, e estas inovações nos permitirão fazer as duas coisas de uma forma muito mais interessante. Integrando a tecnologia e a moda, as roupas vão se tornar um canal para a autodeterminação, empoderamento, personalização e expressão criativa de maneiras novas e emocionantes.

“É uma área fascinante onde a moda ainda pode brincar com noções de identidade, mas de forma um pouco mais curiosa, contemporânea e desafiadora”, diz o professor Juan Thorogood. É da natureza humana buscar conhecimento e novas experiências. E em seu núcleo, isto é o que impulsiona a busca do design na moda e tecnologia, seja na codificação de um novo jogo ou a elaboração de um novo material que irá melhor expressar a visão de um designer.

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