A produção de vestuário seamless (sem costura) ainda é uma tecnologia pouco explorada no Brasil, em parte devido à falta de compreensão dos empresários que geralmente estão mais acostumados com a fabricação de vestuário tradicional. Mas existem vantagens na fabricação de roupas sem costura sobre as tradicionais como:

  • Redução drástica da quantidade de costuras na roupa, já que as laterais e bordas não precisam ser costuradas;
  • Possibilidade de uma variedade imensa de estilos de malha, modelagens, cores, fios, e desenhos, além da possibilidade de produzir peças anatômicas e de compressão;
  • Produção mais enxuta, rápida, com menos desperdício de matéria-prima e tempo com peças piloto;
  • Necessidade de menos espaço, menos processos, produção Just in Time, e menor custo de energia;
  • Satisfazer as exigências dos consumidores do ponto de vista estético, funcional e conforto;
  • Possibilidade de ser produzir roupas inteligentes utilizando fios condutores e multifuncionais.

Cada vez mais, a velocidade e a flexibilidade se tornam fatores essenciais para a satisfação dos desejos e das necessidades dos consumidores. Para vencer a corrida contra o tempo e a necessidade de diferenciação, grandes marcas de moda buscam cada vez mais novas tecnologias, sendo a Seamless uma das disponíveis e ainda com vasto potencial de expansão.

Algumas empresas portuguesas investiram em teares circulares da empresa italiana Santoni, líder mundial em tecnologia de tricô sem costura, para se beneficiar das enormes capacidades e desempenho dessas máquinas, que lhes permite mudar facilmente de um segmento do setor têxtil para outro. As peças de vestuário sem costura são feitos principalmente de fios de microfibra que compreendem poliamida e elastano que são conhecidos por gerar tecidos mais macios.

Foi a Santoni que desenvolveu um sistema circular de produção de tecido, com uma tecnologia inovadora para a indústria do vestuário que permitia a produção de peças acabadas sem costura, a Seamless Garments, desenvolvendo o conceito seamlesswear. Este conceito nasceu para responder a características do vestuário atual, em que a elegância tem de se aliar naturalmente ao conforto e segurança e até para responder a exigências cada vez mais precisas ao nível da utilização, mas adaptando-se a todas as extravagâncias ditadas pela moda, num mercado em contínua evolução.

Convém notar que a tecnologia seamless, está muito ligada à produção de moda íntima,  meias e meias-calça mas a sua aplicação tem se expandido para mercados tão diversos como beachwear, sportswear, outerwear, medicalwear, homewear e smart clothing. A Sonicarla Europa, foi pioneira em Portugal na produção de vestuário seamless e acaba de investir cerca de um milhão de euros em novos teares que lhe garantem maior capacidade na produção de undewear, shapewear, fashionwear, technicalwear, activewear e athleisure. A Sonicarla é um exemplo da Industria 4.0 na fabricação de vestuário.

Portugal investe na produção de vestuário seamless para conquistar mercado internacional stylo urbano

Além da Sonicarla, outras empresas portuguesas estão investindo pesado na tecnologia seamless como a Sidónios Seamless TechClothius, Playvest, A.Ferreira e Filhos e Custoitex. A Europa e os EUA são atualmente as regiões que mais consomem os artigos que saem dos 30 teares da Sidónios Seamless, que exporta praticamente a totalidade da produção.

A empresa tem um plano de investimento de cerca de 1,45 milhões de euros para aumentar a sua capacidade produtiva e torná-la mais automatizada possível. Já a Clothius está investindo 5 milhões de euros em novas instalações e equipamentos para complementar a sua oferta, que inclui não só roupas íntimas mas também uma linha de athleisure e roupas inteligentes. Inglaterra, Alemanha, EUA e França fazem parte dos mercados-alvo da empresa.

A Clothius conta com o apoio do COMPETE 2020 no âmbito do Sistema de Incentivos à Inovação Empresarial em três projeto para vestuário inteligente: O Smart Sport Cloth – Vestuário de controle e monitorização, o Smart Sport Shoes – Calçado desportivo inteligente e o Smart High Fashion – Vestuário de alta-costura inteligente.

Em 2016, as exportações de têxtil e vestuário portuguesas ultrapassaram a barreira dos 5 bilhões de euros, batendo um recorde que durava desde 2001, quando o setor tinha o dobro das empresas e do emprego. A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal estima que as exportações de têxtil e vestuário do país podem atingir 6,5 bilhões de euros até 2030.

E o Brasil quanto exporta em comparação a Portugal? Segundo a dados da ABIT, o Brasil exportou U$S 831 milhões de dólares e importou U$S 4,249 bilhões em 2017. E a cada ano as exportações de têxtil e vestuário vem diminuindo (veja aqui e aqui). O Brasil tem muito a aprender com Portugal, a “Fênix da Moda” como mostrei num post anterior.

DEIXE UMA RESPOSTA