Que tal usa uma roupa que o mantem fresco quando está quente ou quente quando está frio? Isto agora é possível graças à utilização de novos tecidos impregnados de minúsculas cápsulas de materiais que absorvem e liberam energia. Roupas íntimas com tratamento antibacteriano que detectam um crescimento excessivo de bactérias no seu corpo? Camisetas que retardam o envelhecimento pois libertam antioxidantes?

Nenhuma destas coisas pertence ao domínio da ficção científica, pois estão em vias de entrarem no nosso guarda-roupa, na sequência do projeto europeu de investigação Skhincaps, liderado pelo CeNTI e que está sendo desenvolvido por oito empresas e centros de investigação de cinco diferentes países europeus visando criar tecidos cosméticos inteligentes.

Combinar tecido e cosmética é uma das tarefas que a equipe multinacional de 40 investigadores, belgas, alemães, finlandeses, espanhóis e portugueses, que há cerca de dois anos trabalham neste projeto, orçado em 3,2 milhões de euros e coordenado por Carla Silva, 43 anos, Diretora de Tecnologia do CeNTI.

Tendo 2020 como horizonte final para a apresentação dos resultados do seu trabalho, que já recebeu uma primeira avaliação positiva, o projeto Skhincaps está a desenvolver produtos têxteis de primeira camada (ou seja que estão em contacto com a pele) com propriedades funcionais, derivadas do fato de terem encapsuladas princípios ativos em três diferentes linhas:

a)antioxidantes que retardam o envelhecimento da pele, feitos à base de extratos naturais e eco-sustentáveis;
b)antimicrobianos que reagem em regime de SOS, libertando os seus princípios ativos após detectarem um crescimento excessivo de bactérias no organismo;
c)conforto térmico, regulando a temperatura ao absorver o calor quando está quente e libertando-o quando está frio.

“Já temos protótipos e um desafio, que consiste em juntar o aroma de produtos naturais a estas funções”, conta Carla, que se licenciou em Engenharia Biológica na UMinho, iniciando assim uma carreira acadêmica que prosseguiu com um mestrado em Biotecnologia, na Universidade de S. Paulo, e o doutoramento e pós doc em Química Têxtil na UMinho.

“Os processos que estamos desenvolvendo são um avanço relativamente ao estado da arte nesta área. Os produtos comercialmente disponíveis que promovem conforto da pele são geralmente baseados em microcápsulas, mas não são tão eficazes quanto poderiam ser porque a pele é uma barreira. Nós estamos a encapsular princípios ativos seguros em cápsulas menores, que aderem mais uniformemente à área de contacto, o que melhora a sua eficiência”, explica Carla.

No decurso do seu percurso acadêmico, Carla Silva desenvolveu processos que foram patenteados – um tratamento de lã que evita o encolhimento e um modo de pintar o cabelo sem o recurso de corantes. O primeiro emprego, no final do curso, foi no CITEVE, onde teve o primeiro contato com a área têxtil e se interessou pela pesquisa em áreas tecnológicas próximas do mercado.

O consórcio Skhincaps engloba quatro institutos (o catalão UPC, o alemão IVW, o finlandês VTT e o português CeNTI) e quatro empresas: a belga Devan, os espanhóis da Telic (um grupo catalão que, entre outras coisas, produz cosméticos para o Real Madrid e Barcelona), os belgas da Proactive (especializados em legislação e regulamentação) e os espanhóis da Bionanoplus, que desenvolveram uma tecnologia inovadora e amiga do ambiente de encapsular princípios ativos, usando apenas produtos naturais e biodegradáveis.

“Somos um pequeno consórcio, quatro organizações de investigação e quatro PME, mas muito complementares”, conclui Carla, que integrou a equipa fundadora do CeNTI (Centro de Nanotecnologia e Materiais Inteligentes), em 2007.

Fonte : ec.europa

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