Cada ano é produzido na Europa cerca de um milhão de toneladas de tecido para a fabricação de vestuário, utilizando técnicas de fiação na qual as fibras naturais como o algodão ou a lã são combinadas com fibras sintéticas de poliéster. Estas misturas de fibras naturais e sintéticas são concebidos para melhorar os aspectos de conforto e durabilidade das roupas mas a reciclagem destes tecidos no fim de sua vida útil é difícil, uma vez que ambos os tipos de fibras são misturadas e não podem ser separados facilmente.

Hoje, as tecelagens têm o desafio de realizar uma mudança radical em direção a uma indústria da moda circular com alto valor agregado, para enfrentar a concorrência de países asiáticos que possuem mão de obra e custos mais baratos. Neste contexto foi iniciado o projeto europeu FIBFAB coordenado pela AIMPLAS, um Instituto Tecnológico de Plásticos na Espanha, para industrializar a produção de tecidos biodegradáveis e sustentáveis à base de ácido polilático (PLA) feito de plantas e combinado com fibras naturais, como lã e algodão. Esta nova geração de tecidos para roupas casuais, esportivas, de trabalho e proteção, visa superar as limitações atuais das fibras PLA e obter uma alternativa real aos tecidos existentes. Para fazer isso, o conhecimento e a metodologia desenvolvida pelos projetos europeus BIOFIBROCAR e BIOAGROTEX será aplicada.

Os principais objetivos do projeto FIBFAB é o de fabricar roupas 100% de base biológica e biodegradável de alto desempenho seguindo às exigências mecânicas exigidas pelo setor têxtil. Tudo isto vai permitir a introdução dos tecidos de fibra PLA misturados com algodão ou lã com qualidades melhoradas em respirabilidade e hidrófilas para facilitar o processo de tingimento, uma maior resistência à degradação por UV, produzem pouca inflamabilidade e tem densidade mais baixa do que o poliéster, o que resulta num tecido mais leve.

O FIBFAB recebeu financiamento da “Fast Track to Innovation” programa piloto da União Europeia incluída no Horizon 2020. O projeto tem a duração de 24 meses e conta com a parceria do CENTEXBEL e DS Fibers da Bélgica, Yunsa da Turquia e SINTEX da República Checa. Juntamente com a AIMPLAS, estes membros do consórcio cobrirão toda a cadeia de produção de fibras para fabricação de peças de vestuário, assegurando a implementação industrial das fibras de PLA no mercado europeu e internacional.

Fonte : AIMPLAS

Nova era em tecidos feitos de resíduos agrícolas e CO2

Pesquisadores de Hong Kong estão transformando resíduos alimentares em tecidos biodegradáveis. Este é um novo processo biológico utilizando o desperdício de alimentos como matéria-prima para produzir fibras de ácido polilático (PLA). A tecnologia utiliza um processo de fermentação para produzir ácido lático. Este é então polimerizado e fiado em fibras. O PLA é biodegradável e assim o produto têxtil final vai degradar a H20 e CO2 após sua vida útil. Veja mais aqui.

Poderia a palha de milho ser uma rival ao algodão na fabricação têxtil? O engenheiro bioquímico Yiqi Yang da Universidade de Nebraska desenvolveu um processo patenteado para extrair celulose das fibras de cascas de milho que podem ser fiadas em fios têxteis. Mas existe um mercado para a palha de milho? As propriedades de desempenho da fibra PLA estão sendo melhoradas para que seja amplamente utilizado como uma fibra têxtil. Veja mais aqui.

A natureza utiliza o CO2 como matéria-prima para alimentar o crescimento das árvores, plantas e recifes de corais. A empresa americana NatureWorks está fazendo o mesmo usando alta tecnologia para transformar o gás carbônico em vários materiais de alto desempenho de ácido polilático (PLA), chamado Ingeo.

Para fabricar o Ingeo, a empresa utiliza plantas como milho, mandioca, cana-de-açúcar ou beterraba para capturar o CO 2 transformando-o em moléculas de açúcar de cadeia longa. Mas a equipe de P & D está avaliando novas tecnologias para ignorar as plantas e usar microrganismos para converter diretamente o gás carbônico em ácido lático.

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