Para os contribuintes de São Paulo, qual seria o melhor investimento para sua cidade? Uma Fábrica do Samba ou uma Fábrica de Startups? Enquanto Londres, Paris e Nova York possuem grandes coworkings de empreendedorismo e inovação para atrair investidores e jovens empresas nacionais e internacionais, o ex-prefeito de São Paulo, Paulo Haddad, resolveu investir o dinheiro dos contribuintes na Fábrica do Samba. Para o ex-prefeito, o samba deve ser mais importante para São Paulo do que o empreendedorismo e inovação.

A Fábrica do Samba possui enormes barracões para abrigar as escolas de samba do grupo especial paulistano. Não pretendo discutir a necessidade da sua construção mas o porquê de pelo menos 90% dos custos não terem sido financiados por empresas. A construção começou em 2012, mas só foi inaugurada em dezembro de 2016 com 60% da obra pronta.

Com 63 mil m² de área construída somando os 14 galpões, porém contando com a área externa são mais de 64 mil m². O espaço que fica a mil e cem metros do sambódromo custou aos cofres públicos 15 vezes o previsto inicialmente. O valor chega a R$ 153 milhões.

Custou mais do que o dobro da Cidade do Samba no Rio de Janeiro. Tudo isso para um evento que acontece somente uma vez ao ano. Seria esse o pior investimento feito pela prefeitura? Bem, enquanto São Paulo tem sua Fábrica do Samba financiada com dinheiro público, outras capitais mundiais criaram verdadeiras Fábricas de Startups com dinheiro privado. Paris inaugurou recentemente a Station F, o maior campus de startups do mundo.

Nova York é a sede da “Fábrica de Idéias do Futuro” no Brooklyn, chamada New Lab e Londres inaugurou recentemente a Plexal, uma incubadora/coworking de startups dentro do enorme complexo Here East no Parque Olímpico Rainha Elizabeth, construído para as Olimpíadas de 2012. Veja a seguir cada uma dos três espaços. Infelizmente São Paulo não teve sua Fábrica de Startups. Quando terá?

O Plexal em Londres custou mais de US$ 19 milhões (tudo bancado por empresas) e é visto como o maior centro de inovação da Europa. O Plexal foi idealizado por Claire Cockerton, CEO da empresa de consultoria de tecnologia Entiq, e irá apoiar o desenvolvimento de produtos em tecnologias emergentes, incluindo inteligência artificial, wearables, internet das coisas, cidades inteligentes, esporte, moda e saúde.

Instalado num prédio de mais de 6 mil m² que foi o centro de imprensa para as Olimpíadas de Londres, o Plexal foi projetado como uma “mini cidade” e espera capacitar as startups e empresas a se unir e colaborar, dando apoio as startups que querem expandir seus negócios e as empresas corporativas a incubar novas ideias.

Paris, a “cidade luz”, inaugurou em 29 de Junho no 13º arrondissement a fantástica Station F, o maior campus de startups do mundo que funciona dentro de um antigo depósito de trem conhecido como la Halle Freyssinet. O Station F é o maior centro de empreendedorismo da França, possui 34 mil m² de espaço, vai acomodar mais de 1.000 startups e conta como sócios fundadores grandes empresas como Facebook e Microsoft.

O edifício é um monumento histórico da década de 1920 que foi convertido num campus para startups. No enorme espaço interno foram criadas 3.000 escritórios, estações de trabalho compartilhado, salas de reuniões, auditórios e espaços de entretenimento. Com 4000 m², a zona de relaxamento terá 4 restaurantes e um bar aberto 24h/24 e 7d/7.

O bilionário francês Xavier Niel investiu mais de US $ 285 milhões para comprar o antigo depósito e renová-lo com ajuda do arquiteto Jean-Michel Wilmotte. Com 63 mil m², a Fábrica do Samba tem quase o dobro do tamanho da Station F, e se fosse uma “Fábrica de Startups” seria a maior do mundo, mas……….

Na “Big Apple” foi criado o coworking New Lab que fica dentro de um antigo estaleiro totalmente remodelando no Brooklyn Navy Yard em Nova York. O New Lab é uma comunidade multidiciplinar que reúne sobre o mesmo teto diversas startups de tecnologia e design para criar novos produtos significativos para a sociedade.

A antiga fábrica de navios de guerra de 1902 foi remodelada num imenso espaço de coworking e fabricação com dois andares e 7.804 metros quadrados para abrigar startups em robótica, inteligência artificial, dispositivos conectados, tecnologia urbana, arquitetura, impressão 3D e 4D, nanotecnologia, ciência dos materiais, biologia e desenho industrial. Esse nova “Fábrica de Idéias do Futuro” no Brooklyn foi construída graças a uma parceria público-privada envolvendo políticos, financiadores, investidores, desenvolvedores, e é claro, novos empreendedores e tecnólogos.

A capacidade total de empresas incubadas é entre 50 e 60 empresas. O New Lab foi parcialmente financiado pela prefeitura de Nova York em um esforço para revitalizar a indústria, mas abriu oficialmente depois de receber o investimento privado de US $ 35 milhões que precisava para finalizar a construção e equipar o espaço com recursos de ponta. Então, qual seria o melhor investimento para São Paulo? Samba ou Startups?

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