Alguns anos atrás, a fusão entre a moda e a ciência seria a última combinação que alguém poderia imaginar. Mas agora, estilistas e pesquisadores de vanguarda estão usando a biologia para criar de tudo, desde casacos e bolsas feitas de pele humana para vestidos de ressonância magnética. A biotecnologia na moda é o tema de pesquisa de uma ex-estudante na Central Saint Martins que patenteou uma técnica para criar vestuário de moda de pele humana clonada. Enquanto alguns temem que isso levará a um mundo distópico, a  biologia humana e animal já está desempenhando um papel importante na moda, como mostra os 7 projetos a seguir.

PURE HUMAN

Tina Gorjanc, uma ex-estudante na Central Saint Martins criou o distópico projeto Pure Human utilizando uma amostra de DNA do falecido estilista Alexancer McQueen, onde ela planeja cultivar e fazer crescer pele humana artificial em laboratório para ser utilizada numa coleção de roupas e acessórios com tatuagens e sardas.

Vestir a pele clonada de uma celebridade morta soa desconcertante pois tem algumas implicações insanas. No futuro, os designers poderiam assinar geneticamente suas roupas com seu próprio DNA. Também poderia agradar os ativistas dos direitos dos animais, onde a pele artificial cultivada em laboratório supriria nossa necessidade de couro. Algum dia, comprar uma roupa, sapato ou bolsa feita da pele de alguma celebridade poderia até ser normal.

A indústria da biotecnologia tornou-se firmemente estabelecida ao longo dos últimos vinte anos e as patentes biológicas têm desempenhado um papel importante neste fenômeno. No entanto, têm surgido preocupações sobre a patenteabilidade de materiais genéticos humanos. As tecnologias de engenharia de tecidos crescem mais sofisticados a cada dia, e a falta de proteção sobre a lei de patentes biológica permite que as empresas de bioengenharia possam obter o DNA de pacientes cirúrgicos sem o seu consentimento.

Estes materiais são depois transformados em produtos, com os direitos autorais da empresa de fabricação e vendido em todo o mundo. O Pure Human explora a ética e a legalidade da posse de material genético humano. O projeto aborda deficiências em matéria de proteção de informação biológica e visa provocar debates sobre a futura implementação de produtos de bioengenharia no nosso mercado comercial.

DOT ONE

Você compartilha 99,9% do seu código genético com qualquer outro ser humano na terra. Isso deixa apenas 0,1% de seus genes que fazem você .. você. A Dot One analisa parte deste 0,1% para criar estampas e tecidos personalizados para você em um nível molecular.

Dot One incorpora sua genética de uma maneira diferente usando um algoritmo especialmente desenvolvido que transforma o perfil de sua seqüência de DNA em um padrão visual colorido. A empresa oferece cartazes, lenços, tapetes e tartan com o design de seu DNA, mas a técnica pode ser facilmente utilizado para outras roupas também. Imagine um design que é exclusivamente seu, ou ter outras pessoas usando sua seqüência genética como uma declaração de moda?

BROOKE ROBERTS

A estilista Brooke Roberts fez uma interessante fusão entre a radiologia e a moda, criando padrões têxteis abstratos utilizando uma máquina de Jacquard com base nos exames cerebrais. Imagine fazer varreduras do cérebro em áreas que representam diferentes emoções como raiva, alegria, tristeza e inspiração e transformar as imagens obtidas em estampas únicas? Quem tiver disposição financeira poderia até mesmo encomendar uma varredura de seus próprios cérebros para fazer suas roupas.  Agora você não apenas dizer o que você pensa, você pode usa o que pensa.

Quando Brooke começou suas pesquisas em 2009, ela era um dos poucos designers que estavam aplicando a ciência na moda mas agora, ela é uma dos muitos pioneiros em uma indústria inovadora que está abraçando as novas possibilidades de impressão 3D e tecnologia vestível.

BIOTECIDO COM BACTÉRIAS

Se você acha que incorporar bactérias ativas em sua roupa para controlar o seu suor parece ser repulsivo, pense novamente. Pesquisadores do Media Lab do MIT descobriram que uma antiga bactéria de grãos de soja fermentados no Japão pode se abrir e fechar em reação ao suor e umidade. Eles estão utilizando essa bactéria num novo material de impressão 3D conhecido como “Biologic“, que pode ser usado em peças de vestuário e roupa esportivas tradicionais.

O tecido biológico depende das células natto que foram incorporados diretamente em um material elástico graças a uma impressora 3D feito por encomenda. O natto é um prato japonês tradicional de soja fermentada que é bem conhecida por sua textura viscosa e sabor irresistível. O que torna o natto tão especial é que ele é criado através do processo de fermentação da bactéria Bacillus Subtilis Natto. 

As bactérias natto, que vivem em caules de arroz secos, são extremamente sensíveis à exposição à umidade e calor, mudando o tamanho e forma com base no seu ambiente. Os pesquisadores do MIT estão usando-o para criar um tecido revolucionário que poderia abrir e fechar suas membranas para refrescar o corpo do usuário durante seus exercícios.

PELE ANIMAL DE LABORATÓRIO

Segundo o cientista da engenharia de tecidos, Andras Forgacs, a biofabricação de carne e couro é um jeito mais racional e sustentável para diminuirmos as enormes áreas de terras e consumo de água, energia e alimentos na criação de animais para produzir comida, roupas e acessórios. Andras Forgacs é um dos fundadores da Modern Meadow e pioneiro no campo da biofabricação, e através do seu trabalho inovador, ele e sua equipe desenvolveram um meio de cultivar couro e carne genuínos em laboratório utilizando somente as células dos bovinos.

A inovadora tecnologia da Modern Meadow requer uma quantidade infinitesimal de terra e água em comparação com a indústria de curtumes tradicional e não necessita do abate animal.  A bióloga Suzanne Lee criadora da BioCouture que tem como pesquisa criar tecidos feitos inteiramente por bactérias, fungos e outros micro-organismos foi nomeada “Chief Creative Officer” da Modern Meadow.

PELE  DE COGUMELO

A magia dos cogumelos tem inspirado a humanidade por milênios, onde várias civilizações do passado utilizaram esses fungos para rituais xamânicos, medicina e culinária. Esses fascinantes organismos vivos podem ser comidos como alimento, bebidos como chá, consumidos como remédio e corantes. Mas uma startup de San Francisco chamada MycoWorks, tem planos mais “fashionistas” para os cogumelos, utilizando a biofabricação para crescer um material inspirado no couro animal através dos fungos.

O ingrediente chave da MycoWorks é o micélio, os microscópicos fios de um cogumelo que parecem raízes e se fixam e colonizam diferentes superfícies. Como uma fibra natural, o micélio é particularmente atraente porque pode ser cultivado e manipulado em várias texturas e formas. Para transformar o micélio num material parecido com couro, a MycoWorks usa um processo de biofabricação que pode ser ajustado de acordo com as especificações do cliente.

BIOTECIDO DE COLÁGENO 

Que tal usar uma roupa cujo tecido é feito de gelatina? Pesquisadores do Laboratório de Materiais Funcionais na Universidade ETH em Zurique, Suíça, desenvolveram uma nova maneira de criar fibras de resíduos de matadouros. Suas fibras são de alta qualidade, tem um brilho atraente em comparação com lã natural, e fornece excelente isolamento. Philipp Stössel, um estudante de PhD no Laboratório de Materiais Funcionais na ETH, desenvolveu um novo método de obtenção de fibras de alta qualidade a partir de gelatina.

O componente principal da gelatina é o colágeno e grandes quantidades de colágeno são encontradas nos resíduos de pele, ossos e tendões que sobram do abate dos bovinos nos matadouros. Este colágeno encontrado nos resíduos podem ser facilmente convertidos em gelatina e essa nova técnica poderia proporcionar um uso adicional para as sobras alimentares. Veja mais aqui.

A fonte de inspiração para esse post foi o vídeo E.T. da cantora pop Katty Perry onde uma alienígena com DNA híbrido entre humano/planta/animal flutua pelo espaço com sua pele, olhos e roupa que mudam de cor e forma com a avançada tecnologia biológica do DNA. Nenhuma tecnologia humana pode superar a tecnologia da natureza, o que nos resta apenas copiá-la ou adaptá-la as nossas necessidades.

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