A nova temporada do New York Fashion Week 2016 colocou no mapa o “clicar e comprar“, revolucionando o antiquado calendário mundial da moda, com roupas que agora podem ser encomendadas diretamente da passarela. Por mais de 100 anos, o mundo da alta moda foi dividida em quatro estações como primavera / verão e outono / inverno. Mas com o vertiginoso crescimento da indústria do fast fashion e das redes sociais, ficou cada vez mais confuso fazer desfiles de moda antecipados.

Os estilistas apresentam suas coleções nas semanas de moda, depois as revistas de moda escrevem sobre as tendências que foram apresentadas nas passarelas seis meses antes dessas roupas estarem disponíveis para compra nas lojas. Mas já se foram os dias em que apenas editores de revistas, socialites e celebridades assistiam aos desfiles de moda. A ascensão do Instagram, Snapchat, transmissões ao vivo e blogueiros, enviam as imagens das passarelas através da Internet em tempo real. Isso mudou completamente a forma de consumir moda.

Se os desfiles de moda partirem para a gratificação instantânea, tudo será fast fashion stylo urbano-1

Isso significa que os clientes fashionistas não querem mais gastar milhares de dólares em roupas e acessórios que tenham aparecido por toda a Internet centenas de vezes por seis meses. Esses consumidores estão entediados e querem algo novo. “Os clientes mais jovens não querem mais esperar, eles querem vê-lo e usá-lo naquele dia ou no dia seguinte. Por isso, vamos mudar as regras”, explicou o estilista americano Tommy Hilfiger. Em setembro, os clientes da Hilfiger serão capazes de comprar sua coleção diretamente da passarela no que ele chama de “clicar e comprar.”

Nesta temporada da semana de moda de Nova York, a estilista Rebecca Minkoff liderou o caminho, lançando #SEEBUYWEAR que oferecia 70% dos itens que aparecem em seu desfile para compra imediata. Enquanto a grande maioria dos desfiles em Nova York têm focado no outono / inverno 2016, a coleção primavera / verão 2016 de Minkoff foi imediata, diferente das roupas de frio vistas nas passarelas. Outras grifes que estão aderindo a um tipo de apresentação mais realista da moda são Tory Burch, Diane von Furstenberg e LaQuan Smith, que ofereceram itens de suas coleções para venda imediata.

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Tal como acontece com Hilfiger, a grife de luxo Burberry e Tom Ford vão seguir o exemplo em setembro. O Conselho de Estilistas de Moda da América contratou consultores para sugerir mudanças e liberar suas conclusões em março, mas já consideram o modelo atual de lançamentos redundante e confuso. “Estamos entrando em uma sociedade onde as pessoas sejam capazes para clicar sobre o que vêem e comprá-lo na hora”, disse Marshal Cohen, analista do setor de varejo no The NPD Group.

“É tudo sobre moda rápida, velocidade de comercialização e conveniência para o consumidor.” Mas Cohen disse que seria difícil promover essas mudanças. “Vai ser um desafio difícil … porque várias marcas de moda projetaram suas coleções com um ano e meio, dois anos de antecedência. Leva-se oito meses para fazer um padrão. Eles vão ter que aprender a acelerá-lo. “ O atraso é tão grande que os gigantes do fast fashion como a Zara e H & M podem detectar algo interessante na pista, fazer uma cópia e tê-lo nas lojas em dois meses, disse Cohen.

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Na verdade, as grifes de moda querem mudar a apresentação dos desfiles para atrapalhar o processo de cópia antecipada das grandes redes de fast fashion que lançam suas versões de roupas e acessórios em cima dos originais com meses de antecedência, o que acaba cansando os fashionistas endinheirados. Lançar a nova coleção e ao mesmo tempo disponibilizá-la para a venda imediata ao consumidor, as grifes atrasam o lançamento das cópias das gigantes do fast fashion. No final tudo se resume a “business”.

Mas o estilista americano Zac Posen expressou reservas sobre a sustentabilidade dessa aceleração das grifes lançarem suas coleções pois correm o risco de se transformarem em “fast fashion de luxo”. Nos bastidores de seu desfile,  Zac Posen disse que “o fast fashion vai destruir o mundo, essa indústria que polui a terra e os oceanos em 30 anos, aumentou o consumo de moda em 400% e toneladas de roupa são jogadas fora”.

Concluindo ele disse: “É ótimo que existam itens de estilo acessíveis, mas da mesma forma que a indústria de alimentos, onde as pessoas devem entender sobre sustentabilidade e de onde as coisas vêm, o mesmo acontece na moda.” No final das contas, isso vai ser bom ou ruim?

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