Já faz tempo que a reciclagem de garrafas plásticas, latas de alumínio, papel e vidro se tornou algo simples com a coleta seletiva. Mas quando se trata dos retalhos de tecidos e peças defeituosas que sobram do processo de fabricação, o lixo se torna um recipiente tentador. Essa escolha vem com um preço pois anualmente 85% de resíduos têxteis descartados acabam num aterro sanitário, e apenas 15% são reciclados ou reutilizados.

Governos, cidades, ONGs, empresas e indivíduos estão preocupados com todo esse desperdício têxtil e estão buscando alternativas para reaproveitar esse material. Todos os dias são descartados 20 toneladas de retalhos de tecido pelas confecções do Brás e do Bom Retiro em São Paulo, que são colocados nas calçadas e recolhidos por caminhões com o lixo comum. Esses resíduos têxteis poderiam ser reutilizados na fabricação de novos tecidos reciclados, barbantes, mantas, colchões, isolantes térmicos entre outros.

Pensando em como reaproveitar toda essa quantidade de retalhos jogados fora, foi criado em 2012 pelo Sinditêxtil o projeto Retalho Fashion, que visa reunir fabricantes de roupas, Prefeitura de São Paulo, duas empresas recicladoras de tecidos e a participação dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis. Foi a primeira iniciativa de logística reversa criada na cidade, onde as empresas ficam responsáveis por recolher os resíduos gerados na fabricação de seus produtos.

Mas infelizmente,  a prefeitura paulistana sob comando de Fernando Haddad, não cumpriu sua parte em organizar as cooperativas e ceder o local onde funcionaria o projeto. O adiamento do programa vem sendo danoso pois serviria como modelo para todo país. O Retalho Fashion é uma iniciativa economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta pois propiciará trabalho e renda aos catadores e ajudará a limpar o meio ambiente urbano, diminuindo a quantidade de resíduos têxteis nos aterros sanitários.

Espera-se agora que o prefeito eleito de São Paulo, João Doria, reinicie o projeto e ele se torne uma referência para outras cidades do país. Outra iniciativa legal é o Banco de tecido criado pela figurinista Lu Bueno em São Paulo, focado na economia circular com o reaproveitamento dos retalhos e tecidos usados para evitar o desperdício e desenvolver uma cadeia de produção sustentável. Nos vídeos a seguir Lu Bueno fala sobre o Banco de Tecidos e Mariana Correia do Sinditêxtil fala dos problemas e soluções da reciclagem têxtil no Brasil.

Em Nova York são jogados fora a cada ano toneladas de resíduos têxteis que não tem uma coleta seletiva, mas a startup Fabscrap quer mudar isso. O serviço foi criado pela especialista em reciclagem Jessica Schreiber, em parceria com grandes marcas de moda, estilistas independentes, alfaiates, organizações de artes têxteis, escolas e decoradores, construindo uma rede de upcycling para garantir que os resíduos de produção não parem no aterro.

A Fabscrap faz a prestação de serviços de coleta dos retalhos de tecidos e outros materiais que sobram da produção para serem disponibilizados aos designers que estão interessados em usá-los, e podem ser comprados no armazém Nova York ou online.

Tecidos são a próxima fronteira da reciclagem para reduzir os resíduos nos aterros stylo urbano

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