Atualmente, os consumidores estão cada vez mais informados e conscientes do impacto ambiental dos produtos que compram, e é importante que as empresas encontrem soluções tecnologicamente avançadas em sustentabilidade. É neste contexto que surge o projeto PICASSo, que visa o desenvolvimento de uma linha inovadora de produtos têxteis coloridos, recorrendo apenas a compostos de origem natural extraídos a partir de plantas e cogumelos.

Há milênios que o homem conhece diversas espécies de fungos e as utiliza para os mais diversos fins, inclusive na tinturaria, mantida na Europa até ao século XIX. O uso de corantes naturais foi praticamente abandonado devido ao desenvolvimento da indústria química, que permitiu a produção em larga escala de corantes sintéticos mais acessíveis e eficientes que os naturais.

Cogumelos como corantes naturais de tecidos

Cresce a cada dia o interesse pelos corantes de origem natural e pelas antigas técnicas de tingimento. Mas além de inúmeras espécies de plantas, os fungos e em particular os líquenes e cogumelos, eram vulgarmente utilizados para produção de corantes de tecido. Para responder à necessidade da indústria têxtil de obter novos compostos de base natural (com potencial de coloração e antimicrobianos) para a produção de tecidos com impacto reduzido no ambiente e na saúde humana, foi criado um consórcio constituído por empresas portuguesas com experiência no setor têxtil (Tintex) e no fornecimento de plantas (Ervital) e cogumelos (Bioinvitro) e por centros de pesquisa em têxteis (Centi e Citeve), que serão os dinamizadores do projeto.

O projeto PICASSo da Tintex irá desenvolver soluções inovadoras que proporcionam propriedades antimicrobianas, antioxidantes e poderá acrescentar ainda os aromas próprios das plantas. O projeto PICASSo conduzirá à criação de 30 novas cores, através da extração de compostos naturais, a partir de cogumelos e plantas, com base em processos eco eficientes e de fácil implementação industrial, e a compatibilidade dos compostos extraídos com substratos têxteis.

Tintex desenvolve corantes naturais feitos de cogumelos e tecido de cortiça stylo urbano

Outra das inovações que estão a ser desenvolvidas está relacionada com a resistência à luz e às lavagens. Assim, a paleta de cores com coloração natural terá também características de durabilidade e resistência, que eram outras das limitações que o projeto visava superar.

Além da vertente inovadora de valorização das funcionalidades intrínsecas de uma grande variedade de compostos presentes em plantas e cogumelos, este projeto vai ao encontro das necessidades de sustentabilidade ecológica e econômica do mercado mundial, uma vez que pretende explorar novos métodos inovadores de coloração e funcionalização têxtil, e dar prioridade a extratos naturais provenientes de resíduos e/ou espécies de cogumelos e plantas de baixo valor comercial.

Tecido de cortiça

Como prova do esforço da Tintex para liderar inovações ecológicas através da ecotecnologia, a empresa recebeu o Prêmio Hightex durante o Munich Fabric Start Salon em reconhecimento do novo conceito de revestimento B.Cork feito de cortiça. Este é um ingrediente chave da Tintex para a economia circular. O B.Cork utiliza uma tecnologia exclusiva que pode ser aplicada sobre malhas e tecidos, e trabalha com todas as bases de fibras da Tintex.

O revestimento B.Cork é feito dos resíduos da cortiça pré-consumo provenientes diretamente do produtor certificado, Sedacor. A Tintex em seguida, desenvolveu uma nova tecnologia de laminação à base de água para revestimentos  que é completamente livre de formaldeído e solventes conferindo um toque natural, macio, respirável e impermeável.

O B.Cork tem características semelhantes com o inovador Cork-a-Tex da Sedacor, que incorpora as propriedades funcionais da cortiça nos tecidos tais como o antibacteriano, anti ácaros e isolamento térmico, suavidade, entre outras. O Cork-a-Tex é uma manta produzida em tecido jacquard desenvolvido com um fio cuja composição é 80% algodão e 20% cortiça. A marca de moda sustentável alemã Bleed Clothing, utiliza o tecido de cortiça em suas jaquetas masculina e feminina.

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