Se as crianças não podem trabalhar em lojas de roupas, então por que essas lojas vendem roupas feitas por crianças? É improvável que uma loja de roupas no mundo desenvolvido iria contratar jovens de 10 anos para que trabalhem por 16 horas sem descanso. Mas algumas das mesmas marcas de moda internacionais que recusam tal prática provavelmente vendem roupas feitas por crianças que trabalham nessas condições nos países em desenvolvimento.

Esse duplo padrão hipócrita é o que mostra o The Child Labour Experiment, um curto vídeo que mostra cinco crianças de Berlim de 10 a 12 anos, tentando conseguir emprego em empresas e lojas de vestuário. O vídeo foi produzido pelo Fashion Revolution, o movimento global criado para expor e acabar com o trabalho infantil e os abusos nas fábricas de roupas baratas, e mostra crianças telefonando para as empresas e aparecendo nas lojas, tentando ser contratadas. A organização surgiu em 2013 após o desastre da fábrica Rana Plaza em Bangladesh, que matou cerca de 1.124 pessoas e feriu cerca de 2.500.

No vídeo, as crianças se oferecem para trabalhar longas horas, sem interrupções, recebendo muito pouco como as crianças que trabalham em fábricas na Ásia. As reações dos adultos foram gravadas com câmeras escondidas, mas seus rostos e vozes foram digitalmente alteradas para preservar o anonimato, e as empresas nunca são nomeados.

As respostas dadas as crianças são sempre as mesmas: “Mas você é muito jovem para trabalhar aqui”, diz uma empregada da loja a jovem chamada Emily. A segunda tentativa de Emily para ser contratada é recebida com uma rejeição semelhante. “Mas na Índia, as crianças são autorizados a trabalhar”, a menina responde ao empregado da loja.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, cerca de 168 milhões de crianças em todo o mundo são forçadas a trabalhar, sendo que muitas delas arriscando suas vidas nas fábricas desumanas para que os consumidores ocidentais ávidos por roupas baratíssimas possam comprar uma calça jeans por US $ 9 na liquidação. O intuito do Fashion Revolution é a de que os consumidores perguntem aos fabricantes de vestuário, “quem fez a minha roupa?” A transparência é o primeiro passo para transformar esta indústria.

Uma investigação do programa Panorama da BBC descobriu crianças sírias trabalhando em uma fábrica de engomar calças jeans que são enviadas para a icônica rede varejista do Reino Unido, Marks & Spencer. O programa mostra os enormes problemas que os refugiados sírios tem em encontrar trabalho, muitas vezes informalmente, recebendo menos que o salário mínimo nacional e em condições perigosas na indústria têxtil da Turquia. A marca de fast fashion ASOS e marcas espanholas Zara e Mango também foram citados no programa.

O programa falou sobre a expansão da indústria têxtil em toda Istambul que utiliza a mão de obra de trabalhadores infantis. Cerca de três milhões de refugiados sírios entraram na Turquia nos últimos anos e eles são altamente vulneráveis aos patrões exploradores. Muitas das empresas que exploram trabalhadores são sub-contratas por fábricas maiores que trabalham diretamente para as empresas de fast fashion ocidentais.

O programa destaca a ineficácia das auditorias nas fábrica. Em uma cena, um grupo de trabalhadores que fazia roupas em uma fábrica que fornecia  para a Marks & Spencer explicou que eles estavam escondidos na parte traseira da fábrica quando os auditores chegaram. Eles permaneceram lá das 10:00 até as 18:00. Nos últimos cinco anos, a Turquia teve que assimilar três milhões de refugiados sírios, o que é um fardo enorme para qualquer país e a grande maioria desses refugiados estão desesperados por qualquer emprego.

Em entrevista, os refugiados disseram ganhar um pouco mais de uma libra (R$ 3,82) por hora, um valor muito abaixo do salário mínimo na Turquia. Um intermediário realiza os pagamentos na rua, na clandestinidade. Além disso, um dos refugiados relatou situações de maus tratos nessas fábricas. “As máquinas têm todos os direitos: se uma for quebrada, eles a consertam imediatamente. Se algo acontecer com um sírio, se desfazem dele como um pedaço de pano”, disse.

O mais jovem trabalhador em uma das fábricas visitadas que produz roupas para a Marks and Spencer tinha 15 anos e trabalhava 15 horas por dia engomando roupas que depois seriam enviadas ao Reino Unido. O governo turco esta fazendo esforços para dar educação a essas crianças, mas estima-se que mais de 400.000 estão trabalhando, muitos delas na indústria de vestuário. Os pais dessas crianças não querem que seus filhos trabalhem, mas eles dizem que simplesmente não têm escolha. O link do programa da BBC está aqui e aqui.

Mas os grandes responsáveis pela completa destruição da Síria e Líbia que causou toda essa tragédia humanitária foram Barack Obama o ganhador do “Nobel da Paz”e Hillary Clinton. Os dois são os responsáveis diretos pelas milhares de crianças que tiveram que fugir e se tornarem escravas na indústria têxtil da Turquia e outros países.

DEIXE UMA RESPOSTA