A marca Zero Waste Daniel nasceu nos Estados Unidos graças ao gênio de Daniel Silverstein, um designer de roupas de Nova York. Daniel recolhe e reaproveita em suas coleções os retalhos de tecidos que sobram nas fábricas de roupas da cidade, que normalmente são jogadas fora. Em média são desperdiçados de 10-15% do tecido na fabricação.

A linha de roupas upcycling masculina e feminina da Zero Waste Daniel é criativa, artesanal, exclusiva e um exemplo de como o design pode transformar aquilo que é visto como lixo em luxo.

Segundo o Sebrae, a estimativa é que o Brasil produza por ano 170 mil toneladas de retalhos. O maior produtor é São Paulo que responde por 30% da indústria têxtil. Atualmente, 80% do material ainda vão parar nos lixões do país. Um desperdício que poderia estar gerando renda e promovendo o estabelecimento de mais negócios sustentáveis. Mas o upcycling vai resolver o enorme problema dos resíduos têxteis?

Trabalhar com moda upcycling não é algo fácil, pois o tempo para confeccionar as roupas é maior, além é claro, do trabalho de recolher os retalhos, separá-los e montá-los numa única peça. Exige muita mão de obra e paciência, as peças ficam mais caras devido a todo trabalho envolvido e é difícil replicar o mesmo design da peça em série pois os retalhos vem em formas e cores diferentes. Cada peça acaba sendo única, esses são os motivos porque existem tão poucas marcas de moda upcycling.

Já no upcycling de acessórios de moda que utiliza materiais de design padronizado como câmaras de ar de pneus, mangueiras de bombeiros, cintos de segurança, garrafas PET, embalagens de cimento, etc, consegue-se replicar em série o mesmo design do produto. Veja aqui. A moda upcycling é um conceito muito legal e válido mas não vai resolver em grande escala o problema dos resíduos têxteis. Para isso vamos precisar investir pesado na reciclagem química dos tecidos para se criar novos tecidos e fechar o ciclo do desperdício.

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